Por que comecei a me cuidar?

Oi, oi!

Todo ano eu listava mil coisas para fazer por mim, e acabava o ano com a sensação de não ter feito nada, me enfiava numa rotina de estudo e trabalho, afazeres domésticos, e mais um tanto de obrigação, e sempre deixava pra depois. Tudo o que eu queria pra mim, sempre era seguido de um “depois eu faço”, “depois eu compro”, “agora não tenho tempo”.

Tudo bem que a primeira coisa que eu comecei a fazer por mim, de fato, foi retomar minha carreira com mais foco e dedicação, para crescer e ser a melhor psicóloga que eu poderia ser. De fato, estive determinada nessa meta nos últimos dois anos, e estou colhendo frutos maravilhosos (apesar de por um tempo não conseguir enxergar e reconhecer tudo isso, e muitas vezes me questionar qual o valor e objetivo do que eu fazia). Na psicologia, como em qualquer outra profissão, ninguém rende se não estiver bem consigo, se não se aceitar, se não se orgulhar de si mesma, se não se autorizar a crescer. E eu me vi várias vezes com uma sensação de estagnação, porque não conseguia perceber meu crescimento, não conseguia enxergar meus feitos, o quanto eu tinha caminhado, elogios e reconhecimentos eram difíceis de aceitar.

Neste ponto da vida, além do estresse, da dificuldade de administrar o tempo, a dificuldade de dizer não e querer abarcar todos os projetos do mundo, me vi com autoestima fragilizada, uma autoimagem fragmentada e distorcida. EU PRECISAVA CUIDAR DISSO, eu sabia no que isso iria me levar, e as dificuldades que eu iria enfrentar se continuasse me escondendo atrás da rotina massacrante.

Quando nossa relação interna, nossa aceitação está prejudicada, interfere diretamente nas nossas relações sociais, familiares, nossa relação com o trabalho e por aí vai… é um efeito cascata que no final a gente fica se sentindo uó de arrasada, e começa um ciclo de autopiedade, negatividade, culpa, vergonha e trocentas coisas que eu já passei, e sinceramente, só de vislumbrar essa possibilidade no horizonte, eu corro para me fortalecer.

Primeiro passo: foi retornar para a análise. Já é algo que T-O-D-O mundo sabe que a psicologia se mantém num tripé supervisão-análise pessoal-formação continuada. A análise como para qualquer pessoa é algo que você sempre vai e volta, tal hora você consegue caminhar sozinha, tal hora aperta um novo calo e você precisa retornar para o divã e refazer aquele mergulho intenso dentro de si mesma. O importante é reconhecer que esse momento de retornar para o divã existe e vai existir durante toda a vida, principalmente quando se trabalha com isso. É quase como se fosse nossa manutenção profissional também, sabe? Quem trabalha com aparelhos não precisa fazer a manutenção senão ele pifa? Pois é, a gente precisa fazer nossa manutenção interna, para não pifar também, PORQUE o maior instrumento de trabalho do psicólogo é ele mesmo.

Segundo passo: pela primeira vez na minha vida fui numa nutricionista. Nunca tinha ido. Sempre achei que tinha uma alimentação ok, e na verdade eu até tinha, mas depois de ser mãe senti uma dificuldade muito grande de me alimentar como antes, com refeições regradas e em horários certos, estou sobrepeso por conta da taxa de gordura que está elevada. É a primeira vez que eu tenho uma dieta para seguir, e o que me pega em seguir à risca é porque eu fico enjoada mesmo de sentir os mesmos gostos.

Terceiro passo: A-C-A-D-E-M-I-A. Nenhuma dieta vai fazer milagre, e eu sempre fui uma pessoa que vira e mexe estava na academia, fazia três meses, seis meses, parava, mas voltava. Também não acho que eu devo ficar me forçando quando não tá rolando. E aí começamos na Smart Fit, porque o plano tava num preço bacana, e pra gente começar e ver se dá conta. Tem semanas que vou 5 vezes, tem semanas que vou 2, tem semanas que eu não consigo pisar na academia. Mas vou seguindo, firme e forte. Eu amo academia, a verdade tem que ser dita. Eu tinha vergonha de dizer que gostava de academia.

Uma das coisas que a análise te ajuda a fazer é se reconhecer, admitir seus gostos, desejos e quem você é, e pagar a conta por ser autentico. E autenticidade não significa, em hipótese nenhuma, um “sincericidio” maluco, mas de ser quem se é. A gente compra nossa carta de alforria social, sabe? Porque a liberdade de ser quem se é, não é machucar ou ferir os outros, mas aceitar a si mesmo.

ENTÃO, qual o problema eu gostar de academia? Qual o problema eu gostar de comer salada e me sentir bem assim? E ao mesmo tempo ser apaixonada por doce de leite e bolo de leite ninho? Qual o problema de amar chás? De gostar de coisas muito coloridas e sair maquiada de manhã cedo? De gostar de usar tênis de academia o dia inteiro? Curtir Raça Negra e Zezé di Camargo e Luciano? E dançar Lady Gaga e Justin Timberlake com meu filho de três anos? De gostar de aparecer em público? De gostar de falar em público? De me sentir realizada quando posso expor uma ideia ou levar uma informação para as pessoas? É isso que eu sou, é o que eu sempre fui!

Esse foi meu quarto passo, num processo que ainda estou vivendo e caminhando, o de aceitação! Aceitar os meus limites, aceitar e me orgulhar de quem eu sou. Tenho me sentido cada vez mais bonita, mais leve, mais livre.

Ao mesmo tempo em que me reconheço, consigo reconhecer os outros perto de mim.

Tenho me sentido cada vez mais apaixonada e sortuda pelo marido que a vida me fez encontrar, cada vez mais encantada pelo filho que temos, pela vida que construímos. Enxergo os nossos defeitos, também brigo e reclamo, mas diferente de antes, consigo olhar para as possibilidades de transformação, não me encerro num ciclo de reclamação e autopiedade sem fim.

Para mudar tudo o que eu me fazia profundamente incomodada e triste, porque sim, eu estava triste e me sentia sem energias, muitas vezes desgostosa de muita coisa, vivendo no automático, eu precisei olhar pra dentro, precisei me reconhecer e me enxergar.

A gente só pode mudar aquilo que a gente conhece.

Recriar esse blog pessoal, e colocar pra frente o projeto do podcast de entrevistas é resultado de reconhecer em mim o que eu mais gosto de fazer: compartilhar, escrever, conversar, informar. Inclusive, admitir esse nome: Raisa Rocks, que é o nome do MEU drink na Birosca, foi um duro caminho, do pensar no que os outros iriam pensar, se iam achar que eu me acho, ou que eu sou convencida, mas gente, sinceramente, no meu universo pessoal, EU SOU DEMAIS, para as pessoas que eu amo e que me amam eu sou INCRÍVEL, O MÁXIMO, TUDO DE BOM.  Assim como todas vocês são.

Todos nós somos incríveis, só precisamos nos aceitar assim, e fazermos tudo com o melhor de nós.

Beijo grande!

 

 

Essa foto foi um marco pra mim, olhar para meus seios pós amamentação prolongada, usar um vestido decotado e tirar uma foto sorrindo, sem vergonha, sem culpa, sem medo! Claro que comprei um sutiã porque quando eu sentava o vestido mega mostrava os seios completamente, mas só em ter saído de casa assim, já me proporcionou uma sensação incrível de foda-se quem acha feio mulher sem sutiã, ou acha que peitos pós amamentação ficam feios.

 

 

Written by

Psicóloga, mãe e feminista. Atuo na área clínica e escolar, mestranda em Saúde Coletiva com ênfase em gênero, maternidade e trabalho.

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"Por que comecei a me cuidar?" by @raisaarruda_

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