Sobre propósito

Tudo o que a pessoa precisa é ser criativa, amorosa, consciente, meditativa… Se ela sente a poesia surgindo em seu interior, deve compô-lo para si, para seu cônjuge, para seus filhos, seus amigos, e esquecer tudo sobre isso! Pode cantá-la, e se ninguém ouvir, pode cantá-la sozinha e curti-la! Pode ir até as arvores que elas vão aplaudir e apreciá-la. Ou conversar com os pássaros e com os animais, que vão entender muito mais do que os seres humanos estúpidos que foram envenenados com conceitos errados da vida. (OSHO)

 

Estava lendo O livro do Ego, mas precisava parar a leitura ali, naquele pedacinho, pra vir aqui, não porque queria compartilhar ao rápido, se fosse só isso eu deixava a foto nos stories do Instagram, mas porque aquele trecho me suscitou tantos pensamentos, e eu fui inundada da tal forma, que precisava explorar as reflexões, e tirá-las de dentro de mim.

Talvez, impelida pela própria leitura quando diz que ao sentir a poesia chegando, componha. Vim aqui, através dessa composição de de reflexões e palavras, falar de propósito.

Sem a nossa verdade, não enxergamos o nosso propósito, que no final das contas, todo propósito [eu acho] deveria ser o que se é, deveria ser feliz.

E eu tenho me sentido assim, por diversas vezes, há anos, mas ao invés de compor, eu perco essas palavras dentro de mim, e fico remoendo, e esse redemoinho de palavras circula dentro de mim, me causando a maior desorganização.

Por muito tempo eu escrevi pelo prazer de escrever, porque as palavras brotavam, e era assim que eu me sentia, cultivando e jardinando palavras. Eram palavras, histórias, detalhes, personagens, sonhos, que simplesmente brotavam, e eu precisava cultivar e cuidar de todas elas, porque eu me encantava por cada uma.

Eu vivia e pulsava. Eu explodia, não como uma catástrofe, mas meio que fogos de artifícios. Cada momento era o que era, e por esses momentos tão exatos de vida, eu sentia vontade de escrever, da tristeza à felicidade.

Por algumas razões (que eu sei bem quais são) essas coisas começaram a desaparecer, o deboismo que habitava em mim, passou a ser um misto de culpa, vergonha e ressentimento.

A escrita emudeceu, as palavras brotavam e morriam. Não havia cuidado, nem por elas nem por mim, porque o propósito tinha se perdido.

Algo em mim deixou de fazer sentido porque não fazia sentido para os outros, e cada questionamento seguido de reprovação, geravam uma necessidade de provar, de afirmar, de ser o que não era. E quando a gente se esforça pra ser mais do que simplesmente é, a energia que deveria ser fluída, simplesmente desgasta. Tipo quando a gente aperta demais o botão e a pilha acaba.

Eu deixei de ser feliz por ser, simplesmente por ser, porque as razões diziam que não, havia de ser diferente, daquele jeito não era possível, nem certo.

Essa educação que nos ensina um certo e um errado duvidoso, cheio de nuances, que nos ensina a mentir para estar certo, massacra, porque as verdades não maldosas que existem dentro da gente vão se escondendo.

Como quando meu filho responde algo que pra ele é a verdade, e alguém precisa dizer que ele não pode dizer essas coisas tão alto porque as pessoas não querem saber disso. E a espontaneidade acaba. Acaba porque as pessoas preferem viver através de suas fantasias sem encarar as verdades, que mesmo negadas, são claras e presentes.

Com Hugo eu assisto diariamente a dificuldade que é auxiliar uma pessoa ser o que é, com sua verdade, com sua autenticidade, espontaneidade. Eu preciso aprender que os sentimentos dos outros são dos outros e os meus são os meus, e aí eu aprendo que tudo bem ele ter ficado com raiva, porque a raiva existe e é necessária, e que se ele consegui expressar sua raiva, sua tristeza, sua decepção, frustração ou o que seja, com toda a intensidade que ele sente, é instantâneo, o momento seguinte ser de alegria. Porque ele pode ser, o que estava sendo ali, o que deveria ser, o que podia ser.

As coisas são o que são, são como são.

A gente inventa uma história atrás da outra pra não aceitar as coisas como são. A gente inventa a culpa do outro, a gente inventa a incapacidade, a gente inventa a vitimização, pra não aceitar as coisas como são. Por não conseguir aceitar ser quem somos, por não aceitar o outro como ele é.

Ou pior, por não aceitar que os sentimentos nos integram, fazem parte do que somos, e que nem sempre eles são perfeitos.

Não aceitar a própria imperfeição nos distancia da nossa própria verdade. 

Sem a nossa verdade, não enxergamos o nosso propósito, que no final das contas, todo propósito [eu acho] deveria ser o de ser o que se é, deveria ser o de ser feliz.

beijo grande,

Raisa

 

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Written by

Psicóloga, mãe e feminista. Atuo na área clínica e escolar, mestranda em Saúde Coletiva com ênfase em gênero, maternidade e trabalho.

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"Sobre propósito" by @raisaarruda_

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