Dia 27 de Agosto é o Dia do Psicólogo, e é sempre um dia emocionado, porque pra mim, o meu trabalho é intenso, sensível e emocionante, todos os dias. E hoje vou compartilhar com vocês minha história com essa escolha, como eu me apaixonei tanto por esse saber e prática profissional.

Eu descobri a psicologia com 13 anos. Na verdade, eu descobri a psicanálise com 13 anos. Na biblioteca do colégio, além dos livros habituais de uma biblioteca de escola de ensino fundamental, tinham uns livros diferentes, mais teóricos, pra mim na época, mais “adultos”. E aí, eu que já amava assistir o Discovery Channel e programas sobre comportamento, além de todos os programas de viagens exóticas, encontrei um livro sobre os principais conceitos de Freud. Bem basicão, sabe? Numa linguagem bem coloquial, e eu fiquei fascinada pela história do inconsciente e a interpretação dos sonhos. Pra mim bastou, eu queria ser alguém que fizesse aquilo que naquele livro descrevia, eu queria ser “aquilo” que o Freud inventou. Depois entendi que eu podia ser psicóloga e não necessariamente psicanalista. Na época eu não sabia nem falar o nome do Freud, e pra falar psicanalista acho que também demorou um pouco para eu assimilar essa palavra.

Sei que com o tempo, eu percebi que a escrita e leitura também faziam parte da minha vida, eu entendi que eu era uma “studyholic”, amava conhecer coisas novas (sempre dazumanas). Eu amava ler romances, Gógol, Dostoiévski, Tolstoi, Balzac, Victor Hugo, Ernest Hemingway e Saramago, eram os meus favoritos. Meus livros favoritos estavam muito mais focados nos pensamentos, sentimentos e conflitos emocionais dos personagens, do que nas ações. Foi quando também comecei a escrever em blogs (na época o Weblogger do Terra, e Blogger que hoje é o blogspot…), e achei que eu poderia ser psicóloga e jornalista.

Tentei vestibular pros dois, passei em Psicologia. Até pensei em fazer jornalismo durante o curso de psicologia, por essa minha vontade de compartilhar informação, sabe? E por essa minha personalidade comunicativa, desinibida, sociável, que gosta de conhecer pessoas, ouvir pessoas, se conectar com pessoas, e estar sempre antenada, lendo e aprendendo. E na época eu achava que a psicologia era algo menos dinâmico, até ir para a prática eu imaginava aquela cena clássica paciente e psicólogo, num setting, um falando e o outro escutando.

Até que comecei minha primeira análise. E por mais que você esteja parada no mesmo lugar, semi-deitada num divã, não parece jamais que você tá parada, sabe? A dinâmica do pensamento, as emoções que são suscitadas na fala, na lembrança… Nossa! Às vezes cansava como se eu tivesse saído de uma maratona!

Eu assinava a revista Super Interessante e Galileu, e morria de ler todas as matérias sobre comportamento humano.

Eu amo ouvir histórias, sabe aquela pessoa na fila de qualquer lugar que reclama que os outros param pra contar toda a história de vida, pois é, não sou eu. Escutar pessoas, escutar histórias, ler histórias, buscar os porquês, e se emocionar com as descobertas.

A psicologia todos os dias me apresenta novas histórias, novas lutas, novos heróis e heroínas que dentro de si mesmos estão buscando e lutando por encontrar-se em sua unicidade e singularidade. Entendendo as etiquetas sob as quais se prenderam, e procuram retirar, algumas vezes com muito cuidado, outras vezes sem cerimônia, para encontrar debaixo de cada uma delas, o que existe de mais seu. O que é próprio e foi esquecido. E atualizar o que é próprio, que não desaparece, mas às vezes fica escondidinho, diante dos aprendizados da vida, do tempo, das relações.

O brilho no olhar ou no sorriso quando algo faz sentido, mesmo que antes ou depois, até ao mesmo tempo, exista o brilho da descoberta e as lágrimas. Exista a raiva também, e a própria frustração. Porque nem sempre o brilho da descoberta se dá apenas por descobertas felizes, mas também por podermos enfrentar nossa fraqueza, defeitos e limitações. E integrar em si essas características não como lados opostos, mas como algo dinâmico e fluído, que se mistura e se transforma.

Afora as leituras que me apresentam novos prismas para enxergar a realidade, a sociedade, a cultura.

E ainda os momentos em que é possível levar isso para outras pessoas, falar sobre isso, explicar, orientar, informar. Não como uma regra de ouro, como a informação que faltava, como um manual, mas como uma face de um prisma para se enxergar as coisas, ou sei lá, como uma possibilidade de se reinventar.

Vejo na psicologia um conjunto de teorias e ferramentas que podem possibilitar as pessoas de alcançarem maneiras criativas de reinventarem a vida, bem longe do jogo do contente, mas bem perto do aceitar e transformar com o que se tem.

Não apenas através da psicoterapia, mas através de todas as possibilidades que o psicólogo tem de atuar, informando as pessoas sobre a psiquê e comportamento, possibilitando ricas e intensas transformações.

Eu escolhi a psicologia porque eu sou apaixonada pela vida, pelas pessoas e pela história. E todos os dias esses motivos se reforçam, e continuam fortalecendo a minha escolha, mesmo quando eu pensei por diversas vezes em abandonar o barco.

No dia do Psicólogo, eu só quero que a Psicologia seja reconhecida em seu real valor para a vida das pessoas, e que isso fortaleça ainda mais essa profissão tão linda de cultivar jardins.