Quando eu engravidei, eu tinha um ano de formada, estava num emprego novo, e tinha acabado de passar no Mestrado de Psicologia. E aí em meio à uma crise no namoro, descobri que estava grávida. Foi um baque. E acho que o baque maior foi eu perceber como eu tinha dentro de mim uma série de conceitos péssimos sobre ser mãe, principalmente relacionado à minha carreira. Até porque era o que eu ouvia de todo mundo né? Aproveita enquanto ele não nasceu pra fazer tudo, porque depois… E isso me pegava de jeito.

Nossa! Minha gestação foi um eterno conflito pessoal, de desconstrução de mitos e valores, de reconhecer medos que não fazia ideia que tinha, de enfrentar meus próprios preconceitos. Todos os dias eu pedia perdão ao Hugo, mas que precisava viver aquelas emoções porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor pra ele.

Eu chorava escondida, porque sentia que se eu reclamasse demais seria ingrata. Eu vivia irritada e em pé de guerra com o mundo. E eu sei que muito foi pela minha dificuldade de me aceitar grávida naquele momento, eu demorei um pouco pra aceitar. E ficava aborrecida demais quando as pessoas me chegavam falando das benesses, mas ninguém queria ouvir as reclamações.

Pensando na questão do corpo, minha gestação foi ótima. Só minhas crises de bursite no quadril que me maltratavam de vez em muito. Só que eu fui uma grávida que ia pra barzinho, fui pra shows, dancei até me acabar, fui pra boate, fui pra samba e descobri que você não vê muitas grávidas na rua, se divertindo, na noite. Eu comecei a ver que nos lugares que eu estava, eu era a única grávida. Eu comecei a notar os olhares das mulheres não grávidas pra mim, um misto de reprovação e julgamento. Várias vezes foi preciso homens intervirem pra reclamar meu lugar nas filas porque as mulheres não me cediam, principalmente pro banheiro!

As pessoas repetiam que “gravidez não é doença”, mas gestante quando resolve ter vida social é observada de cima à baixo, através de olhares fixos e julgadores, como se estivesse doente ou fazendo algo muito, mas muito errado mesmo.

Estar grávida foi um despertar, foi como se as lentes embaçadas tivessem sido trocadas e eu pude enxergar muita coisa com mais clareza. E foi só o começo. Eu que sempre busquei autoconhecimento, autodesenvolvimento, nunca imaginei que encontraria esse caminho na maternidade. Eu não imaginava que ser mãe seria um encontro com minha essência, não esse encontro poetizado, do melhor de mim, mas um encontro level hard entre as melhores características e os maiores defeitos. E nesse encontro level hard, eu consegui me enxergar de tantas formas, me resgatar, me compreender, me aceitar. Aceitar minhas imperfeições, acolher meus defeitos, meus limites, e usar tudo isso como motor para alcançar mais, e ir mais longe dentro e fora de mim mesma.

E foi assim, e assim seguimos até hoje. E vocês, como viveram a gestação por aí? O que aprenderam? Compartilha com a gente!

Beijo imenso!

Raisa