Semana passada fomos para o Rio Grande do Sul, um grande amigo do Rodrigo se mudou pra lá tem uns 4 anos, e ainda não tivemos oportunidade de ir. A vida com a Birosca nos amarra nesse quesito, mas esse ano a gente conseguiu se organizar e viajamos. Vocês não sabem como isso me fez bem. Com meus pais, eu viajava uma vez por ano, nem que fosse pra praia. Eu amo sair daqui e passar um final de semana ou uma semana inteira fora, olhar um céu diferente, sentir um clima diferente, ouvir pessoas diferentes, nossa! Eu amo viver e explorar a vida.

Então, fomos!

Foi a primeira viagem com Hugo já entendendo melhor as coisas, e eu fui meio apreensiva. Li tudo de viagem com filhos, de relatos e tal, mas eu sou uma mãe um pouco destrambelhada, sabe? Nada do que eu achei que ia fazer, eu fiz. No máximo junto uns carrinhos e dois livros numa bolsinha e levei, caso ele ficasse entediado. Minha sorte: HUGO AMA AVIÕES. E minha sorte dois: Ele se sentiu como um Thunderbird! Nossa, isso me salvou, e tanto a decolagem, como a aterrissagem foram tranquilas. Ele amou. E eu me senti aliviada, porque sinceramente não tinha nada pra fazer na hora que batesse o desespero e o tédio.

Eu não sou lá uma mãe que consegue fazer aquelas atividades maravilhosas de mães blogueiras, ou que consegue fazer marmitas lindas para o filho, mantendo a rotina inabalada por qualquer razão. Eis que chegando lá, nossa dieta e a alimentação do Hugo foi bem pro buraco né? A rotina então… Eu que já sentia meu rosto afilar, voltei me sentindo redonda, e ainda não consegui voltar a malhar desde sábado (estamos na quarta!!!).

Hugo foi apresentado ao doce de leite, coisa que ele ainda não tinha comido. Vocês já viram aquele Deu a louca na chapeuzinho? E aquele esquilo do café? Bom… Imaginem. Hugo ficou o esquilo do mumu. De café da manhã o padrinho dele dava uma colher de mumu, no almoço massa, até porque fomos na semana mais fria de lá. O negócio tava tão punk, que um dia eu resolvi dar a colherada de mumu, porque achava que tava sendo demais, Hugo olhou pra mim bem sério e disse: “mamãe, você bota pouco, o tio Bruno bota MUUUUITOO, assim ó (e fez com a mãozinha do chão até acima da cabeça)!!” O que me restava além de cair na gargalhada e dar um pouco mais, respondendo “aproveite que isso só pode aqui viu? lá em casa não tem mumu”. Depois disso, ele olhava pra mim e falava só aqui né, mamãe?

Noutros tempos eu ia pirar, me culpar, sofrer. Ia me julgar como eu achava que outras mães me julgariam. Mas gente, quer saber? Meio que cansa ficar se justificando e justificando pra todo mundo as decisões que você toma, saudáveis ou não! Eu deveria me sentir mais culpada porque foram escolhas supostamente erradas e deliberadas, mas sinceramente…

Eu cansei de me frustrar em relação à certas coisas, e uma delas é que eu nunca vou ser como essas mães blogueiras que mantém a criança longe de açúcar, pirulito, fritura, e conseguem criar vinte mil atividades criativas para as férias. Eu sou uma mãe massa, Hugo já sabe o que é porcaria, e sempre responde que “não come porcaria por causa da saúde”, isso já é ótimo. Eu sou uma mãe massa, porque ele recusa doces pra não estragar os dentes. Mas olha, eu deixo ele provar. E quando ele ganha bombom ou pirulito, quando a pessoa entrega na mão dele, eu deixo, não tomo, porque ele ganhou, mas deixo e explico que ele vai comer só um para provar, normalmente ele cospe e diz que é ruim. E eu me sinto vitoriosa. E aqui estou eu justificando de novo… Mas  de todo jeito, eu tenho olhado para mim mesma e minha relação com Hugo e repito todos os dias o quanto eu sou uma mãe massa dentro do que é possível pra nós dois. E principalmente quando ouço as respostas que ele dá ou ele recebe elogios.

Essa viagem em família foi ótima, por muitas razões, uma delas eu me dei conta da minha falta de paciência para o que eu acho que é óbvio, principalmente em termos práticos, tipo arrumar bolsa, pegar as coisas, colocar as coisas no lugar, sabe? Além disso, eu me permiti e abri mão dessa tentativa de construir uma maternidade padronizada, eu que falo tanto de espontaneidade e autenticidade, me percebi tentando manter uma imagem para mim mesma, e uma imagem que não me cabe. E aí eu nem sei se é pior tentar manter uma imagem para si mesma ou para os outros.. Só sei que no final das contas, tentar manter uma imagem é uma prisão.

No mais, fomos pra Gramado no dia mais frio, Hugo que tem pouca roupa de frio, precisou vestir tanta roupa que parecia um pinguim. Impossível ficar confortável daquele jeito. E aí eu imagino, eu que sou adulta tava impaciente com tanto pano, imagina ele, criança que vive de cueca em casa porque mora num clima quente né? MAS não pára no frio. Ele teve dor de barriga, sujou a roupa, e nosso passeio inteiro foi eu e ele num banheiro esperando que o Rodrigo e minha mãe voltassem com uma roupa nova pra ele vestir. E no final, ele capotou, e finalizamos nosso passeio numa cervejaria artesanal esperando a hora de voltar. Ou seja, ZERO lembrancinha para as amigas e ZERO chocolate. ÓBVIO que nisso tudo eu me senti péssima, né? Me senti culpada pela dor de barriga dele, me senti péssima porque não tinha levado roupa o suficiente… Mas, isso só me fez aceitar ainda mais que eu não sou essa mãe que pensa e antecipa todos os detalhes externos, ou seja, eu não me senti culpada exatamente pelo ocorrido, mas por eu estar bem longe, mas longe mesmo, desse ideal materno pre-ocupado com a vida dos filhos… Do tipo, que mãe vai pra Gramado e não leva roupa extra? Pois é, sou eu

Outra constatação nessa viagem, que na verdade eu já sabia, mas não queria admitir, eu fiquei meio viciada em trabalho nesses últimos cinco anos. Meio não, completamente. E essa minha relação com o trabalho consumiu minha vida de tal forma, que eu não estava mais sabendo me relacionar com a vida. Antes eu achava que era porque eu ficava só em casa, cuidando do Hugo e trabalhando. Hoje eu notei que é muito menos pelo Hugo, e muito mais por um imperativo da produtividade que me tomou e me consumiu. Pegou bem no meu sintoma… E é por isso que quero deixar esse site cada vez mais miscellaneous. Criei até um canal no Youtube pra isso… aqui ó!

Conheci gente nova, ouvi histórias, outros assuntos que não a psicologia, o desenvolvimento infantil, mestrado, clínica, e pá…

Aprendi como se faz cerveja artesanal, conheci uma vinícula familiar e bebi vinho artesanal. Hugo pôde brincar livremente, se eu ficar pastorando com medo de acontecer algo ou perder ele de vista. Fora o espaço da casa pra correr… Nossa! Foi tudo tão maravilhoso que voltamos com a ideia de quem sabe um dia ir morar lá…

Viajar é crescer, sabe? Quando você consegue numa viagem olhar pra dentro, observar a si mesma em suas reações, irritações, e tudo mais. O interessante é porque fora do seu lugar comum, fica mais evidente esses detalhes, porque quando a gente tá aqui na bagunça do dia a dia, é tao parte do cotidiano, que a gente não percebe, mas quando a gente sai um pouco, dá pra notar, mas não poderia deixar de atribuir isso à minha análise pessoal, que me deixa mais atenta à meus próprios detalhes, principalmente aos que incomodam, né?

Então, é isso!

Beijo grande! E vamos seguindo, criando horários e limites para o trabalho, para o lazer, para que a vida não seja tomada pela produção e o imperativo da produtividade. 😉