Pra inaugurar essa categoria que tem um tempão que eu queria abrir por aqui, mas meu medo e minha insegurança de que não tem nada a vê e blábláblá, mas só agora criei coragem e vi que tem tudo a ver com o site, porque minha perspectiva é de falar de saúde, e tem tudo a ver comigo, porque busco uma vida saudável e em equilíbrio. E eu sei como é motivador a gente compartilhar essas experiências, e eu estou buscando motivação para coisas boas!

Então, lá vamos nós!

Esse ano eu fiz 29, e como todo mundo tá bem carequinha de saber, depois dos 25-26 nosso metabolismo começa a cair, mas me disseram que depois dos 30 o negócio pega de verdade, e se não cuidar, é punk. E aí, eu vinha protelando algumas coisas, alguns cuidados, mas esse ano episódios de desgaste físico e mental me fizeram parar de protelar, e olhar de verdade pra dentro: eu precisava fazer algo por mim.

Fui à nutricionista, pela primeira vez na minha vida. Gente, nunca tinha ido, sempre fui magrinha, sempre pratiquei atividade física naquele ritmo de seis meses sim, seis meses não, mas sempre estava lá, tentando. E depois de casar, ter filhos, isso ficou meio de lado, até tentei, mas na ultima vez que fui pra musculação tive uma crise da minha bursite de quadril, e agora faço aquele treino bem legal HIIT pelo site queimadiaria.com

Estou tentando, e é engraçado como isso aparece na clínica, nas conversas formais e informais com outras mulheres. Como essa relação com o autocuidado é frequente, e como, muitas vezes, falhamos com isso.

Não no sentido da ditadura da beleza, mas na autonomia de cuidar de si.

Porque gente, saúde é autonomia. Não tem pra onde correr. Em última instância, a promoção de saúde é a promoção de autonomia dos sujeitos, onde eles possam viver numa ética do cuidado, do autocuidado e do cuidado com o outro, num fluxo sabe?

Se eu me cuido, sou capaz de cuidar do outro, se eu me enxergo, passo a enxergar o outro também…

Pelas leituras que venho fazendo sobre Promoção de Saúde, e aí juntando com as leituras da clínica voltadas para identidade, autoestima, autonomia, constituição do sujeito, identidade, etc. Percebo uma relação muito clara entre a nossa estrutura educacional e social, que produz corpos e mentes dóceis, ou seja, dependentes. Não educamos as crianças para que elas sejam autônomas, cercamos as crianças por todos os lados de estímulos que mais dificultam a produção do pensamento e criatividade, do que de fato auxiliam. Crescemos e pagamos o preço para não nos responsabilizarmos por nossas vidas. Do básico: não cuidamos da nossa casa, das nossas coisas. E depois, pro mais complexo: não cuidamos das nossas relações, não cuidamos de nós mesmos.

E autonomia nos leva à uma relação pautada na equidade e compreensão, por uma questão clara: a autonomia é alcançada através do autoconhecimento, do reconhecimento e da compreensão das relações sociais, não apenas as regras, mas as relações simbólicas. Pessoas autônomas questionam e transformam, porque estão sempre questionando aquilo que não produz bem-estar. A autonomia pressupõe uma percepção de coletividade, porque enquanto individuo autônomo, eu entendo que meu direito e minha liberdade estão limitados à existência do outro, e entendo também que minhas ações interferem no outro, desta forma, busco agir de forma ética, para que o bem estar seja mantido.

E isso eu não estou inventando, a teoria de Piaget sobre o desenvolvimento moral, quando ele fala de autonomia ele fala exatamente sobre isso… e quando a gente começa a ler sobre autonomia em diversos autores, em resumo, concordam nesse ponto.

Mas, não somos autônomos…

Quem nunca deixou um tratamento pela metade, seja de saúde, seja estético? Quem nunca protelou e adiou consultas médicas e de outros profissionais de saúde? Ou deixa sempre a atividade pra amanhã… Ou paga para que outros serviços façam… Ou desiste para não enfrentar a responsabilidade da escolha… Ou ultrapassa a fronteira do outro para alcançar o que deseja por não saber lidar com a frustração e com o respeito aos limites…

Fazemos isso o tempo todo, deixamos nossa vida pra depois, ou para que outra pessoa venha e cuide. Não estou aqui falando do individualismo e que precisamos cuidar de tudo sozinhos, não é isso. Estou falando que muitas vezes delegamos coisas que não são delegáveis, ou que pelo menos, antes de solicitarmos à outra pessoa, precisamos compreender o que estamos solicitando…

Pensar em promoção de saúde, é pensar em trabalhar com educação, informação, e instrumentalização das pessoas, para que estas sejam agentes de transformação social. E toda transformação começa primeiro pela gente… E aí a psicologia entra como um saber imprescindível na promoção de saúde, porque através da saúde emocional e psíquica, da compreensão de nossos comportamentos para além deles próprios, conseguimos manter o equilíbrio de todas as áreas, porque a saúde mental une e potencializa as demais, interfere nas nossas relações, nos hábitos, na alimentação, no corpo, na motivação para os exercícios físicos, e nos permite viver e transitar por tudo isso sem exageros.

Eu busco uma vida mais saudável e equilibrada, e para isso, preciso ser muito sincera comigo mesma, e compreender o que é preciso abrir mão, para dar espaço à novos comportamentos, e assim, à um novo eu, não tão novo assim.

Recebi meu plano alimentar hoje, e estou muito empolgada, e conto demais com a ajuda de quem gosta de mim, me segue e me apóia para dar continuidade nesse projeto de vida que é a qualidade e o bem-estar…

E você, me conta o que tem feito na sua promoção de saúde, como você busca manter equilíbrio, como cuida de si e da sua saúde?

Comenta aqui embaixo ó! Vamos conversar sobre isso 😉