Eu não sei porque a galera insiste em demonizar as crianças com essas frases horrorosas tipo “terrible two”, terrível é não reconhecer a mágica de poder observar e viver junto a construção do pensamento estruturado, da descoberta das capacidades e habilidades, da descoberta das vontades, do “eu telo”, do “xózinho mamãe, bebe faz xozinho”.

Terrível é a gente se perder e se prender nessa etiqueta horrorosa e perder a capacidade de se encantar com as descobertas e curiosidades, isso é terrível.
É intenso, e cansa.

Cansa emocionalmente pelo estado de alerta às crianças e aos outros, porque nessa fase o que eu vejo é mãe se escondendo e fugindo dos olhares maldosos diante de uma criança que tá sendo criança. Cansa, porque é intenso. É rico. Ferve de informações a cada minuto. Cansa, porque só falaram do que (supostamente) é terrível e a gente não se preparou de outra forma para viver tudo isso.

Cansa porque o sistema não deixa parar pra gente se entregar e se deliciar ao tempo do descobrimento, ao tempo da vida.

Terrível é uma palavra pesada.

Como pode ser terrível viver a descoberta de si mesmo? Como pode ser terrível?

Como pode ser terrível ouvir as teorias numa lógica que nos escapa, mas que colore. Como pode ser terrível ouvir as primeiras brincadeiras com diálogo e imaginação?

Como pode ser terrível, gente? Como? É pesado, mas não é terrível.

E o que nessa vida não tem um peso, mesmo aquilo que nos dá prazer? Precisamos aprender a nos divertir mais com a vida. Eu ando cansada, não minto, mas eu me divirto tanto que penso: diversão também cansa.

E a intensidade dos dias, as oscilações e flutuações pesam. Mas não o suficiente a ponto de ser uma fase terrível, não desse jeito.

Terrível somos nós que perdemos a capacidade de se encantar com a vida, com os dias, com os sentimentos, com o amor.