Oi, oi.

Não sei se vocês viram a pesquisa que tá rolando aqui no blog (pode clicar aqui!), e muita gente me pediu para que eu falasse mais do dia a dia, de vida real, e gravasse vídeos. Bom, vou começar, até porque né? Isso é um blog, então tenho licença “poética”! Eu tinha um bocado de resistência de falar de mim, da minha vida, e coisa e tal, muito por conta do meu trabalho, e porque hoje eu já tenho mais cuidado com essa exposição. Mas vamos lá…

Quando engravidei, eu era uma pessoa regrada com comida, vaidosa, bem cuidada, e malhava. Era bem menos organizada, não acertava um planejamento, não tinha método nenhum para seguir caminhos. E aí, Hugo nasceu, veio aquele puerpério punk, choradeira, amamentação, um ano dedicado à ele, a liseira de quem abre mão do trabalho, e vários pensamentos relacionados à imagem de uma mãe em tempo integral dedicada e sem babá, que me levaram a alguns descuidos. Tá, não só isso, a logística também não ajudou muito no começo.

Mas vou focar nesses pensamentos, certo? Porque, gente, era demais! D-E-M-A-I-S. À medida em que eu olhava para dentro, olhava para mim, estudava e trocava com Hugo, na nossa relação, várias e várias vezes questionei se tinha que ser daquele jeito. Eu tinha mesmo que não ter tempo para um salão, para fazer uma hidratação, para não usar maquiagem? Eu tinha mesmo que sair como se tivesse acabado de fazer a faxina de casa sempre?

Uma hora, eu e Hugo começamos a nos entender. Ele dormia um tantão, e eu comecei a me dedicar à muitas outras coisas. Ele começou a não chorar tanto quando eu saia, mas quando voltei a trabalhar ele chorou horrores.

No começo, o que me fazia falta era o estudo. Eu sou viciada em estudar. Sou viciada em conhecimento. Amo pesquisar. Me debruço mesmo sobre os temas que me despertam questionamentos. Por isso entrei com tudo na Maternidade, enquanto um objeto de pesquisa. E foi à isso que me dediquei, em paralelo à maternidade. Estudos. Criei o blog, para me ajudar a sistematizar esse saber e compartilhar também. Voltei ao trabalho, no consultório, o que me obriga a estudar mais. Voltei para área da educação, mais leitura. E agora o Mestrado (e a pós)… Só que gente, nem só de livros e informação sobrevive uma pessoa né?

Um dia, meu marido resolveu comprar uma balança.

Ele comprou por inúmeras razões, e por nenhuma específica.

Bom, eu já reclamava do meu peso, frequentemente, porque quanto mais eu engordava, mais minha coluna piorava. Com essa balança, eu me dei conta que eu precisava encontrar um tempo para isso. De verdade. Ano passado comprei o pacote do Programa Mamãe Sarada, fiz duas semanas, durantes meses não passava de duas semanas. Fazia duas semanas aqui, depois de um mês, mais duas semanas. E extremamente ansiosa, comendo doce feito uma formiga viciada. Ou seja, não funcionou. Não naquele tempo. Não ano passado.

Eu olhava pro meu peso e pensava, ah! só isso, dá pra recuperar logo… Bom, a questão não é o peso, sabe? A questão é o sentir-se pesada. Não se reconhecer num corpo com quase 20kg a mais do que você era. Só que até eu me dar conta disso, foram mais seis meses. O incomodo só aumentava. A autoestima ia lá pra baixo. E gente, essa coisa da autoestima é tão séria, que nem vídeo eu tinha coragem de gravar por vergonha, e até eu me dar conta de que a minha vergonha estava associada à minha imagem, que não me agradava… Bom, foi doloroso. É muito ruim você não gostar do que vê, do que é.

Acontece que até eu conseguir me dedicar aos treinos, ou seja, nas duas últimas semanas, eu estou desde de Maio do ano passado fazendo as pazes com minha imagem. No sentido de aceitar quem eu sou. Aceitar que não é uma questão de descuido, apenas. E mais ainda, aceitar que eu posso estar como eu estiver, sempre será meu corpo, meu peso, minha imagem, sempre será meu eu em trânsito… porque o corpo não é fixo, assim como ninguém é.

O mais bonito nessa experiência toda foi esse processo de aceitação, que veio através de uma jornada interna muito bacana. Voltei a meditar, comecei a prática do Reiki. Comecei a olhar meu corpo como um lugar de transformação, mas também um lugar onde habito, e meu. E tudo isso me deu mais força, mais segurança, mais conhecimento. Entendi que muitas vezes eu me questionava se minha vontade de malhar era por uma imposição externa, ou por uma disposição interna. E por muito tempo eu não consegui continuar porque a sensação era de que eu só seria aceita se seguisse aquele caminho, e entrasse naquele padrão, e eu não queria seguir padrão nenhum, queria estar um pouco mais perto do que eu poderia ser de verdade. Hoje, eu entendo que não é por aí, que ser vaidosa, cuidar de mim, ou fazer atividade física não é por uma questão meramente superficial de um corpo objetificado, mas daquilo que eu reconheço como belo, e do que eu entendo como cuidado e saúde.

Mudei minha rotina, completamente. Estou seguindo os treinos, sem enrolar. Me sinto mais disposta, tenho vontade me arrumar, de me achar bonita. Inclusive, tenho até mais coragem de aparecer mais, e vontade também.

E com você, como foi ou com é esse processo de aceitação de si? De reconhecimento e de autocuidado? Conta pra mim!

 

Beijo grande!

 

Raisa!