Existe um momento, ou um lugar, logo após a chegada do bebê, que somos levados a revisitar, e quanto mais insistimos a não estar lá, mais somos jogadas à força, como se estivéssemos dentro de um tornado, e uma força física, nos puxasse, e levasse tudo ao nosso redor. Ao ter um filho não existe a possibilidade de passar incólume, podemos até negar a experiência e a mudança, mas acontece, por mais que insistamos em não vivê-la.

A chegada de um bebê é sempre um turbilhão, não importa se é segundo, terceiro. Porque todo bebê quando chega exige uma reorganização individual dos adultos, e uma reorganização familiar. Essa exigência provoca uma intensa revisitação de si mesma, além de um deslocamento nas posições familiares. Afora, a queda do que era imaginado, e do que é possível.

Não posso dizer que existe preparação adequada, ou um passo a passo para lidar com todas as transformações, porque a experiência é única, subjetiva e intransferível. O que vai atingir emocionalmente uma mãe ou pai diz respeito da história de vida de cada um, das emoções guardadas, das feridas não cuidadas, do que existe de conteúdo resguardado, nunca tocado, cuidado, revelado.

Mas, então, o que acontece no pós-parto de tão sério e que necessita tanto de cuidado?

O puerpério é um momento intenso de transformações emocionais, onde nossas barreiras psíquicas estão fragilizadas pelo turbilhão que é a chegada de um filho e toda a transformação gerada por isso. Desta forma, a nossa estrutura emocional entra em jogo, porque iremos reagir à essa situação com maior intensidade, mas seguindo nosso padrão de reação. Ou seja: Como reagimos diante do novo? Como reagimos diante de situações difíceis? Como reagimos diante de problemas? Como reagimos quando precisamos mudar, amadurecer, crescer e nos transformar? Quando precisamos estar inteiras e maduras? Quando precisamos estar presentes? Quando somos demandas? Quando alguém depende de nós e não sabe se virar sozinho para nada? 

Essas perguntas são essenciais para começar a repensar e encontrar novos caminhos para lidar com as situações que virão daqui pra frente. Quando não nos preparamos, somos obrigadas a mudar, sem ter tempo para pensar, e isso gera um estresse muito grande, o que pode levar ao adoecimento psíquico da mãe (e do pai!).

Toda situação de estresse muito intensa pode ser um gatilho para o aparecimento de algum sintoma, que se desdobra em algum transtorno ou crise. Não é que é causado por, mas a nossa estrutura psiquica não estava preparada para viver determinada situação que demandou uma memória emocional e ferramentas internas (ou seja, formas de agir) que ainda não existiam. E isso é o puerpério.

A maternidade sempre estará na esfera do desconhecido, porque é uma experiência nova para cada uma que ousa arriscar. A informação é importante, mas nunca dará conta da totalidade da experiência, porque esta é sempre subjetiva e intransferível.

Não existe uma fórmula certa para a preparação, porque apesar de todo o cuidado, apenas na hora que cada mulher saberá que é preciso desenvolver, o que falta para lidar com a situação, mas em todo caso uma coisa é certa: autoconhecimento e apoio são peças chaves para que as coisas aconteçam de forma mais amena e harmoniosa.

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Raisa Arruda. (CRP 11/07646)