Este é o meu primeiro post como colunista, por isso escrever esse texto é muito especial para mim, principalmente pela possibilidade de participar deste espaço de trocas, de conhecimento e de reflexões. Sempre gostei de escrever, essa é uma forma especial que utilizo para expressar meus sentimentos. Após a maternidade esse desejo de escrever se intensificou o que ampliou a perspectiva de dividir conhecimentos e vivências acerca do mundo materno.

Assim como as colegas, inicio meus textos com uma breve apresentação pessoal, seguida por uma reflexão sobre o final da licença maternidade, momento esse que me marcou de forma especial.

Meu nome é Fabiane, sou psicóloga, casada e mãe do Mateus. Quando meu filho completou um ano de idade, eu tinha acabado de passar por um momento bem delicado, o qual me exigiu fazer uma escolha muito importante. A dúvida era se eu deveria continuar trabalhando fora ou parar de trabalhar por um tempo, a fim de acompanhar mais de perto e de forma mais intensa o crescimento do meu filho. Quase todas as mães passam por esse momento de dúvidas, incertezas e ansiedade em deixar, pela primeira vez, aquele bebezinho tão frágil aos cuidados de outra pessoa. Ao final da licença maternidade é muito difícil encarar essa separação, pois foram vários meses juntos durante 24 horas por dia (incluindo aí também o período de gestação). Muitas mães vivem o conflito e a culpa ao voltarem ao mercado de trabalho, principalmente aquelas que não possuem um suporte familiar próximo.

Acredito que o maior desafio não é retornar ao trabalho, mas viver uma ruptura, ter que obedecer a um limite de tempo que nem sempre é o da mãe ou do bebê. O tempo de separação é um tempo subjetivo, muda de pessoa para pessoa. O ideal seria que ele só acontecesse quando a mãe e o filho estivessem preparados para isso. Nossos bebês mereciam muito mais do nosso tempo. Por sua vez, a mulher merecia um retorno ao trabalho com mais empatia em relação ao seu estado emocional e compreensão por parte das outras pessoas.

Voltar a trabalhar após a licença maternidade é uma decisão pessoal e envolve muitos aspectos, quero apenas fazer uma reflexão sobre como e quando essa mulher vai voltar. Será que no momento do retorno pré-estabelecido ela estará preparada? Será que ela terá apoio para isso? Será que o bebê estará em condições de se separar da mãe naquele dia? A grande questão que quero enfatizar é que esse retorno deve ser saudável, tanto para a mãe como para o bebê. Apesar de algumas mulheres se sentirem preparadas para voltar ao trabalho aos quatro ou aos cinco meses de vida do bebê, facilitado ainda quando possuem estrutura familiar compatível com a qualidade de vida dele, muitas outras não ficam satisfeitas ao se separarem do filho com tão pouco tempo. Isso porque gostariam de ficar mais com ele ou porque não possuem apoio suficiente para deixá-lo bem.

A verdade é que nem todas as mães podem escolher se vão ou não voltar a trabalhar naquele momento e, na maioria das vezes, não voltam bem consigo mesmas. É por isso que diante de um momento tão importante e delicado na vida da mãe e do bebê, gostaria de convidar você, que está passando por essa fase a refletir um pouco:

Se existir a possibilidade de parar de trabalhar por um tempo, após o fim da licença-maternidade, sugiro que você pense bem se vale a pena voltar e abdicar desse precioso tempo com o seu bebê. Se sentir vontade de ficar com ele, permita-se viver esse momento. Essa é uma decisão delicada, muito importante e que só pode ser feita por você. Ouça conselhos, veja dicas, mas não seja influenciada por opiniões de outras pessoas, siga o seu coração, afinal, para que haja o bom desenvolvimento do bebê, a mãe também precisa estar bem. Agora, se nesse momento o seu desejo é voltar ao trabalho e se você acredita que terá condições de manter uma boa rotina e uma boa convivência com o bebê mesmo trabalhando fora, volte. Já se você não tem opção de parar de trabalhar e gostaria de passar mais tempo com o seu filho, veja se seria possível reduzir a carga horária para aumentar esse tempo com ele, visto que dessa forma você participaria mais da rotina diária do bebê. Se isso também não for possível e você tiver que voltar com a jornada total, só resta criar estratégias para acompanhá-lo diariamente. Tente estar com ele no horário das refeições, se não for possível estar junto na hora do almoço, estejam na hora do jantar. Também é importante não deixar de participar dos momentos essenciais da rotina do bebê: durante o seu turno livre tente dar o banho, trocar fraldas, brincar com ele, cantar, conversar, ler histórias e colocá-lo para dormir. Isso vai permitir que ele esteja perto de você, vai garantir o contato diário e a qualidade da relação mesmo durante o pouco tempo em que você passar com seu filho.

Então, independentemente do que vai acontecer após os meses de licença, gostaria de enfatizar que seu filho precisa de você o máximo de tempo possível ao lado dele. Os primeiros anos de vida são essenciais para o desenvolvimento. No entanto, nem sempre esse tempo será uma escolha sua por isso não sinta tanta culpa de se afastar dele mais cedo do que gostaria, se essa é uma necessidade para sustentar a família. E se voltar ao trabalho for a sua escolha, não se sinta culpada por essa decisão, pois para cuidar do seu filho é necessário que você esteja bem física e psicologicamente e se é assim que você ficará bem então será melhor para ele também.

Para que a sua decisão seja a correta, é necessário que você esteja realizada como mãe e como mulher. Só assim estará vivenciando uma maternagem consciente. Afinal, aquela mulher que existia antes da maternidade, não deixou de existir, ela se transformou em algo maior e mais bonito. Hoje ela é mãe, possui todas as responsabilidades de quem tem um filho, mas ainda carrega sonhos e planos de quem era antes. Muitos deles mudaram, outros não fazem mais tanta importância, mas existem aqueles que continuam ali, só esperando o momento de recomeçar. Veja a melhor forma de conciliar essa nova vida!

E eu? Eu decidi desacelerar. Foi essa a decisão mais importante e delicada que tive que fazer na minha vida. Ao final da licença maternidade retornei ao trabalho, mas não consegui manter uma rotina de qualidade com o meu bebê. No momento da separação não estava preparada para reassumir o meu lado profissional, naquele momento sentia uma grande necessidade de ser somente mãe, acompanhar e viver de perto cada momento do meu bebê. Tive a possibilidade de fazer essa escolha. E escolhi. Sem dúvida e sem medo. Alguns meses depois resolvi parar. Confesso que não foi fácil, mas eu estava certa da minha decisão. Cada mãe com sua história, suas dificuldades, suas necessidades e seus desejos. Nem sempre é possível parar. Nem sempre é possível continuar. Eu quis parar naquele momento e decidi me dedicar inteiramente ao meu filho naquele início de vida.

Passei então a me aprofundar nos conhecimentos do mundo materno e infantil.

Até hoje vivo essa experiência tão linda, rica e desafiadora. Com muito amor.

Fabiane Bandeira

Psicóloga Materno Infantil

CRP: 11/06627

Ig: @mae_psi