Fonte: Revista Crescer

Há muitos predicados decisivos na hora de arrumar um bom emprego. Ter uma sólida formação acadêmica pesa muito. Falar bem outros idionas, também. Ter se envolvido em atividades extras durante a faculdade pode ajudar, assim como ter feito intercâmbio e já contar com experiência prévia na área. Sim, tudo isso importa. Mas, aparentemente, outro fator pode  descreditar ou impulsionar um curriculo profissional: o gênero.

Um estudo publicado na American Sociological Review e mais recentemente na Harvard Business Review comprovou que as mulheres são desmerecidas em processos de recrutamento por causa da possibilidade de serem mães. A partir de dois curriculos fictícios enviados a 316 escritórios de  147 firmas de direito em 14 cidades dos Estados Unidos, os pesquisadores constataram que os homens têm três vezes mais chances de serem recrutados do que as mulheres.

Para o estudo, foram elaborados dois currículos exatamente iguais de dois personagens inventados: Julia Cabot e James Cabot. Os resumos mostravam que ambos haviam passado por instituições de ensino prestigiadas, se interessavam por polo e música clássica, e os perfis deixavam claro que os dois eram nascidos em classes sociais privilegiadas. Apesar de tudo isso, o fictício James foi recrutado bem mais vezes que Julia…

Acompanhando os processos, os pesquisadores relataram que as firmas de direito envolvidas no estudo descreditavam a experiência de Julia – da mesma forma como fazem com mulheres de posição econômica superior – pela crença de uma hora ela vai precisar abandonar o mercado de trabalho para se dedicar aos filhos. Mesmo que ser mãe nem esteja nos planos ainda. É o que os especialistas chamaram de “penalidade da maternidade”. Um dos co-autores do estudo, o professor Lauren Rivera, da Northwestern University’s Kellogg School of Management,declarou ao Huffington Post que “este é um mecanismo-chave para manter fora do alcance das mulheres os cargos de alta remuneração”.