Nos últimos meses de 2015 precisei escolher uma nova escola para Pedro, meu filho de 6 anos. Ele estudou do infantil 2 ao 5 na mesma escola (a mesma que estudei do maternal até a 8ª série). Haviam vários motivos para eu querer e gostar que ele estudasse lá, mas eu sabia que provavelmente não seria até concluir o ensino médio.

Com essa oportunidade aproveitei para visitar as escolas próximas de onde iríamos morar, esse critério para mim é importante, mas a qualidade de ensino, referências e outros fatores também são pesados, claro! Só que eu estava com a possibilidade de colocar em uma das escolas de Fortaleza consideradas diferenciadas, com ensino transdisciplinar uma proposta inovadora, construtivista e diferente até para mim que teoricamente achava tudo lindo na proposta pedagógica, mas quando visitei senti um choque, que hoje considero natural, visto que, eu, fruto de uma educação tradicional, estava ali buscando na realidade uma quebra de paradigmas e de ciclo familiar na tentativa de oferecer ao meu filho o que eu considerava de melhor e que eu não tive oportunidade de vivenciar, mas com essa experiência percebi que nem sempre estamos preparados para esse melhor e diferente que queremos oferecer.

Nem sempre estamos preparados para quebrar paradigmas, tipo a música da Elis Regina: “Como nosso pais”.

Acontece que a escola que meu coração queria, não me deu um bom desconto e não era aprovada pelo meu marido. Eu sabia que se eu forçasse ele cederia, mas eu precisava pensar em tudo. E não era só isso não, lá no fundo eu tive medo e insegurança desse diferente. Será que realmente ia dar certo?

Então, nos últimos meses de 2016 me vi na angústia de querer novamente escolher uma nova escola. Durante o ano meu coração não sentiu confortável com a escola escolhida, mesmo sabendo que ela é uma empresa para passar no vestibular, mesmo sabendo que é considerada uma das melhores.

Mas não era só isso que eu queria e não é só nisso que acredito e não é só isso que importa.

Final do ano, pensei e repensei em tentar novamente naquela escola revolucionária do final de 2015, mas outra dúvida surgiu:

Será mesmo que para ensinar ao meu filho que é possível ser eles mesmo, construir seu próprio caminho, usar sua criatividade e interagir com meu ambiente respeitando-o, ter valores humanos desenvolvidos, só se ele for para essa escola diferente?

Eu sei, que ele passa mais tempo na escola atual, ele fica no integral (que é outra questão de dúvida,mas por enquanto ele ficará mesmo) e com certeza o peso na sua formação é grande, mas e eu? E o pai? E a família? E as outras alternativas que posso lhe oferecer, já que tenho consciência disso? Aonde está a verdadeira aprendizagem de valores? Aonde e como ela ocorre e se forma? Que escola pode me garantir isso?  Minha resposta? Nenhuma.

Meu coração doeu e se angustiou no final de 2016 a ponto de fazer querer mudar de escola novamente, quando caí na armadilha de comparar a escola atual cheia de padrões preconcebidos com mais pedras e concreto e arquitetura pouco atrativa e acolhedora com a outra que parece uma casa simples, cheia de natureza, animais, aula de meditação, crianças descalças, sem muitos padrões. Era isso que eu queria para meu filho.

Mas novamente o lado financeiro pesou e mais um fator que para mim era uma barreira: trocar de escola novamente, ele já tinha formado os amigos, os vínculos. E, novamente aquela pergunta: Será mesmo que preciso colocá-lo numa escola diferenciada para adquirir tudo de bom que eu acredito para um ser humano?

Meu coração disse que não.

As aulas daqui a pouco recomeçam e eu espero que em 2017 consiga oferecer experiências mais focadas e cheias de presença para meu filho a ponto de perceber que a vida é assim: uma construção, um processo do dia a dia, do olho no olho, do ouvir atentamente. Das leituras juntas, das brincadeiras criativas, das visitas aos parques, no contato com a natureza e com o diferente sim, bom ou ruim são desafios.

Nem certo ou errado, apenas diferente e aprendizado de vida.

Feliz 2017!!! Bom restinho de férias e boa voltas às aulas…