Oi, como foram de festas de final de ano? Espero que tudo ótimo!

Para começar nosso dedo de prosa, te trago uns versinhos que fiz quando tudo parecia ruir, brinquedos em todo canto, meu cansaço físico… sim, escrever é minha válvula de escape, mesmo quando a cena não me permite, para não deixar escapar os pensamentos, gravo áudios no gravador que comprei para esses momentos e quando eles dormem as vozes se tornam escritos. Muitas vezes jogados fora.. outros, no entanto certamente encontrarão morada aqui e no meu instablog:

Sala de Estar

Minha sala está longe de ser impecável,

com enfeites que contam histórias das viagens que fiz,

das coisas que me pertenceram

até o dia em que me tornei mãe.


Minha sala, tem sofá manchado de leite,

farelo de biscoito, brinquedos escondidos por trás

e almofadas pelo chão.

Minha sala tem enfeites infantis,

na parede riscos de giz.

Minha sala conta outras histórias

que entrarão no túnel do tempo

e ficarão na memória.

Minha sala pode até não está como deveria estar

– impecável. –


Minha sala alcança um devir

imenso e constante de nossa casa,

abraça a liberdade de poder crescer

na fantasia da infância

suportando a dura realidade.


Minha sala tem dois lindos enfeites,

no espaço físico e no coração,

fazendo da minha (nossa) sala de estar

um lugar pulsante e de sonhos.

Meus enfeites,

meus filhos.

 

Acredito, assim como eu, a maioria das mães estão chegando no segundo mês das férias escolares dos filhos. Especialmente dos menores, cujo o cuidado é ainda mais intenso.

Sim, férias escolares, para essa turminha, uma possibilidade de descanso, de viver uma outra perspectiva de vida que não somente as demandas de horários, rotinas e compromissos que envolvem o desenvolvimento e aprendizagem de modo mais formal. Para algumas mães, as férias se tornam sinônimo de loucura, Ora… se durante o período letivo com todas as rotinas instaladas é complicado gerenciar a vida (e a sua própria) das crianças imagine nos recessos escolares onde quase tudo desanda.

Te peço uma coisa, pare por um ou dois minutinhos e me responda uma coisa:

O que você deixou de ser quando você cresceu?

Faça esse resgate, traga á tona a sua criança e responda para ela! Lembra daquela brincadeira, aquela soneca até mais tarde, a farra da na casa dos amigos e/ou primos, aquele bolo gostoso da vó, a viagem de férias…

As aventuras da infância estão aí para serem (re)vividas! Você despertando a sua criança adormecida e o seu filho descobrindo a criança que ele é. Somos feitos da organicidade que nos constitui biologicamente, mas também somos seres de memórias, de laços e do estreitamento deles. Nós, pais, somos o retorno das histórias do passado de nossos ancestrais e daquilo que foi vivido, vivendo o presente e vislumbrando desde o seu nascimento (dos filhos), o futuro.

As férias escolares não precisa nos levar à beira da loucura, e sim à uma abertura para a vida!

Viver o agora, o amanhã pode nem chegar. Encontre tempo para viver a infância de seus filhos e viva a tua relação com eles. A sala, o trabalho, os problemas, muitos deles podem esperar.

E tudo isso que te escrevo, é para te dizer que eu, você, nós estaremos um dia sentadas naquela sala impecavelmente limpa, mas absortas no mar de lembranças. Porque para todo o sempre nossas crianças serão nossos filhos, mas crianças… serão uma única vez.

 O tempo é agora!

Vai também brincar! Baguncem a sala!

Até a próxima!

Sarah Cavalcante Silveira

Graduanda em Psicologia – UFC/Campus Sobral Autora do Instablog Manhêêê!

E-mail: sarahcavalcantesilveira@gmail.com