Olá! Hoje vou discorrer sobre o comportamento agressivo infantil. Neste artigo, irei me deter ao comportamento agressivo de crianças entre 2 e 4 anos de idade.

A agressividade infantil é uma temática que costuma preocupar os pais porque culturalmente carregamos a concepção negativa desse comportamento , porque entendemos que demonstrar agressivamente a raiva não é bem aceito em nossa cultura.

Nos primeiros dois anos, a criança quanto ao desenvolvimento do pensamento e da fala, adquire um maior domínio do seu corpo e dos reflexos básicos. Cognitivamente a criança ainda está desenvolvendo os recursos internos para lidar com emoções e frustrações. Nesta fase, aprende a percepção de si e do ambiente ao seu redor, comunicando-se por choros, ruídos e pequenas palavras, mas ainda não compreende a forma que encontra para exprimir suas frustrações e decepções como comportamento agressivo. A aquisição da linguagem se dá pelas primeiras frases e representações simbólicas do mundo em que vive, das coisas que experiencia e dos significados que essas experiências produzem.

Até seu terceiro ou quarto ano de idade, a criança não possui ainda maturidade verbal e domínio do corpo.

Raiva vs Agressividade

É muito comum considerar a raiva e agressividade como sinônimos, mas elas não são a mesma coisa.

A raiva é um sentimento/emoção, assim como a alegria, e a tristeza, enquanto a agressividade infantil é um comportamento, umas das formas de expressão da raiva.

Costumamos comparar as crianças  aos anjinhos, portanto, desprovidas desse comportamento.Acontece que reproduzir esta visão angelical na infância, não colabora para que as crianças reconheçam suas emoções e aprendam a lidar com elas.

O comportamento agressivo, muita vezes é a forma com que elas conseguem dar conta desse sentimento – enquanto não aprendem outras formas de expressar esses descontentamentos, o comportamento de birra também tende a tensionar a relação pais e filhos. No entanto, o que pode estar por trás do comportamento agressivo, como no comportamento de birra da criança podem ser sentimentos de raiva, insegurança ou  incômodo, ou mesmo a necessidade de atenção, de amor e de carinho. A raiva é uma emoção como outra qualquer, e deve ser expressada na medida do possível, desde que não se coloque em risco a criança e as pessoas que estão à sua volta.

Expressar a raiva é saudável…

A Psicologia versa a agressividade sobre a ótica de diferentes referenciais teóricos, e todas as teorias convergem no pensamento de que agressividade humana está presente desde o início da vida. Na Gestalt-Terapia, a agressividade é considerada força vital que mobiliza o indivíduo para a ação. Assim, podemos entender que nós adultos também lidamos com nossas forças vitais constantemente, lidando com nossas cargas agressivas e direcionando-as para alguma ação. Faz parte da vida experimentar e expressar a raiva da mesma forma que se experimenta e se expressa a alegria.

Neste sentido é que se torna importante proporcionar espaços para que as crianças lidem com o sentimento de raiva de maneira leve e que não se sinta menos valorizada e amada. A família pode precisa desenvolver um olhar atento para intervenções de episódios agressivos e conflitos, compreendendo as situações que desencadeiam o sentimento e o comportamento, encontrando saídas para diálogo e ampliação das possibilidades de expressão.

Então, o que fazer?

Antes de mais nada, é preciso paciência – aquele mantra  materno “É fase… Vai passar” vale nessa hora. Afinal, vocês estão diante de crianças aprendendo a lidar com as próprias emoções e sentimentos e que precisam do nosso acolhimento para compreender esses episódios e de como direcioná-los. É importante auxiliar a criança adaptar-se criativamente diante dessas situações, direcionando essa energia para outras formas de existir e se colocar no mundo.

Mas, não é uma paciência passiva! Então, vamos lá:

  1. Busque compreender a causa do problema: a partir dessa compreensão sobre o que causou sua raiva travar um diálogo. O diálogo legitima o sentimento, e ensina sobre empatia.
  2. Colocar-se no lugar da criança, para compreendê-la, e estimular a criança a também colocar-se no lugar das outras pessoas envolvidas na situação, ajudando-a encontrar outras alternativas possíveis para resolver esse problema. Busque manter uma atitude amorosa e firme, sem ser agressivo;
  3. Desenvolver atividades que possibilitem a expressão corporal/verbal : massinha de modelar, pintura/desenho, contação de histórias.
  4. Estimular a verbalização dos sentimentos (inclusive os pequeninos) com palavras simples: “eu não gosto disso porque…”, “estou bravo por causa disso…”
  5. Possibilitar que a criança pratique esportes e brincadeiras que permitam a expressão saudável de energia que não pelo comportamento agressivo, e ainda possibilitando encontrar formas de lidar com as derrotas nesses jogos.

Podemos refletir aqui sobre as polêmicas palmadas ou o bater, que também são formas agressivas de reprimir o comportamento inadequado das crianças. Esta forma de agressão por parte dos pais não é vantajosa, pois ensina desde cedo que reagir agressivamente é uma via possível para resolução de seus conflitos.

Lembre-se, as crianças são como esponjinhas, absorvem aquilo que percebem do ambiente, se repreendemos com agressividade, a resposta também será agressiva.

Outro fator importante a mencionar é sobre a interação escola-família, que é fundamental para oferecer limites que devem ser bem estabelecidos, regados com amor, carinho e ludicidade que podem certamente refletir em comportamentos menos agressivos de nossas crianças.

E então, como vocês tem olhado para o comportamento de suas crianças? Como tem sido o seu momento de diálogo com elas?

Um forte abraço e até a próxima!

Sarah Cavalcante Silveira – Graduanda em Psicologia UFC-Campus Sobral- Contato

Referências:

D´ACRI, G., LIMA, P., & ORGLER, S. Dicionário de Gestalt-terapia: “Gestaltês”. São Paulo: Summus. 2007.

OAKLANDER, V. El Tesoro Escondido: La vida interior de niños y adolescentes – Terapia Infanto-Juvenil. Santiago de Chile: Cuatro Vientos Editorial. 2006

PAPALIA, D. E. & FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano. 12 ed. Porto Alegre: Artmed. 2013.

PERLS, POLSTER, E., & POLSTER, M. Gestalt-Terapia Integrada. São Paulo: Summus. 2001.

WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artemed. 1983

WINNICOTT, D. W. A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: LTC. 2008.