por Ana Maria (anamariasmaia@yahoo.com.br)

Nesse primeiro contato com vocês, leitores do blog da Raisa, escolhi me apresentar, falar sobre o que eu faço e como cheguei até aqui. Bem, sou Ana Maria, Aninha, para as amigas de infância, para o meu pai e familiares, Ana para o meu marido, mamãe para a Mariana e em breve também para a Sara que ainda não fala português, fala “bebenhês”. Sou psicóloga, tenho 30 anos, trabalho pela manhã com Avaliação Psicológica voltada para a área do trânsito, no posto do Detran, e à tarde atendo no consultório. Sou psicanalista, amo ler Freud e me esforço para entender Lacan. Em tempo integral, sou mãe de duas princesas que enchem minha vida de alegria: Mariana, de 10 anos e Sara, recém-chegada, de 7 meses.

A estreia de Sara ao mundo trouxe com ela o desejo de estudar e me aprofundar nesse universo da maternidade num diálogo franco com a Psicologia. Foi quando eu despertei para a temática da maternidade sem tanto romantismo, uma maternidade constituída por mulheres reais, cheias de inseguranças, medos e culpa.

Ah! A culpa…

Vale até um breve comentário esta que é companhia constante das mães, em sua maioria culpadas 24h pelos mais diversos motivos. Aliás, qualquer situação é razão para a culpa materna: se sai para trabalhar lá está ela, se for para passear então nem se fala e se ficar em casa, mas com o pensamento em sair também aciona o alarme que parece ficar só esperando qualquer mínima oportunidade para gritar aos quatro ventos que você não é uma boa mãe.

Bem, conheci a “Sra. Culpa Materna” com o nascimento da Mariana, minha primeira filha. A gravidez da Mariana foi um susto para mim. Pois é, eu recém-adulta, com os meus 19 anos me vi grávida e na contramão das expectativas sociais que se apresentavam para mim: não havia concluído uma graduação, não trabalhava, não era casada, não estava preparada, não era madura e eu fiquei perdida em meio a tantos “nãos”. Contudo sim, Mariana chegou num dia de chuva trazendo luz para a minha vida. Luz tão forte e com presença tão marcante que me encandeou nos primeiros momentos. Embora Mariana tivesse nascido concretamente, a máxima de que nasce uma mãe quando nasce um bebê para mim não se aplicou. Ela chegou antes que eu pudesse me apropriar da função materna que naquele momento exigia de mim um posicionamento, o de mãe. O problema é que eu não sabia como manejar essa situação…

O que aconteceu posteriormente foi a elaboração da relação mãe/bebê, da díade Ana/Mariana, ou seja, a identificação com a minha filha foi construída pouco a pouco, toque a toque, dia após dia e assim fui me apropriando desse lugar de mãe. Hoje, eu não vejo a maternidade como algo instintivo, mas como um aprendizado. E como eu aprendi! Na verdade, como a Mariana me ensinou e ensina constantemente. Ela me fez ver que embora eu desejasse e me dedicasse ao máximo, eu não sou a mãe perfeita nem ela é a filha perfeita.

A aventura da maternidade não vem com um manual de instruções, nem tampouco é uma receita de bolo e ai está, para mim, a maior beleza do que é ser mãe. É na vivência, com os erros e acertos, nesse rasgar-se e costurar-se da vida que vamos tecendo uma linda colcha de retalhos.

Eu sigo costurando a minha colcha, com mais alguns ajudantes nesse feitio: meu marido e agora a mais nova filha, Sara, e tantos outros personagens também importantes nesse processo e que ponto a ponto vão dando a sua contribuição na costura.

E a receita da mãe perfeita? Ah! Essa eu perdi e não quero encontrar.