por Raisa P. Arruda (CRP 11/07646)

Você sabia que as emoções interferem no parto, seja num parto normal ou cesárea? E que essas emoções serão cruciais para a sequência do pós-parto?

Na maioria das vezes as questões psicológicas são deixadas de lado,  tendo em vista que o parto é considerado primordialmente um evento fisiológico. Essas questões psicológicas seriam sentimentos das vivências anteriores ou sentimentos sentidos no momento do parto, que podem influenciar de forma positiva ou negativa.

Por mais que o parto seja um evento fisiológico, e que o corpo da mulher sabe exatamente como agir para que o bebê nasça, através de poucas intervenções (que devem ocorrer quando estritamente necessárias), ainda assim, se faz necessário um cuidado e presença com a mulher neste momento. É necessário que não se olhe a gestação e o parto como um evento patológico, mas natural, isso diminui a postura higienista do parto, e se tem um olhar mais humanizado.

Pensando através desse cuidado, não se pode esquecer que o viés psicológico também demanda atenção, sentimentos como: confiança em si, confiança na equipe, apoio familiar, segurança, etc., favorecem um parto e pós parto saudável. Por outro lado, o medo, desconfiança, humilhação, solidão, insegurança comprometem gravemente a evolução do trabalho de parto e recuperação no pós parto, esse sentimentos negativos, durante o trabalho de parto pode acontecer de o psicológico se sobrepor ao fisiológico de maneira negativa.

Essas situações em que aspectos psicológicos influenciam o corpo da parturiente, dificultando ou mesmo paralisando a evolução necessária para o nascimento, são chamados de Distócia Emocional. Essas situações transformam o parto em um evento complicado, exaustivo e até mesmo aversivo.

Para perceber a Distócia Emocional, é importante estar atento à alguns sinais: 

  1. Linguagem Corporal: perder o ritmo das contrações, ou colocar-se de maneira tensa e fechada, ou ainda, demonstrar extrema vergonha;
  2. Ansiedade e medo dos eventos fisiológicos e da falta de controle do próprio corpo;
  3. Hipersensibilidade pode ser um indicativo emocional, como também estar hipervigilante a tudo o que acontece ao redor, e fazendo constantes perguntas, levando a parturiente expressar-se ressentinda, exigente ou desconfiada com a equipe.
  4. A parturiente pode trazer questões emocionais relacionadas à familia ou infância que amedrontam;

Em alguns casos, a parturiente com distócia emocional pode não apresentar sintomas mais sutis, muitas vezes não levados em consideração, por serem “normais” do momento.

 

Existem alguns fatores que podem facilitar a ocorrência da distócia emocional:  má experiência em partos anteriores, violência obstétrica, questões familiares e pessoais não resolvidas, privação dos direitos da mulher, como alimentar-se, movimentar-se, expressar sua dor, presença do acompanhante de escolha da mulher, entre outros.

Então, Distócia Emocional é uma condição que dificulta ou paralisa a evolução do trabalho de parto devido a condições psicológicas sem outras explicações orgânicas, que pode influenciar na recuperação pós-parto e na relação da mãe com a própria maternagem.

O favorecimento de um ambiente confiável e respeitoso é indispensável para o momento do parto, pois, como já dito, essa é uma experiência única, baseada em descargas hormonais que reservam grandes emoções à mulher e sua família. Dessa maneira, faz-se necessário que a mulher e sua família sintam-se seguras e respeitadas para parir, assim como para expressar suas dúvidas e inseguranças.

A preparação para a chegada do bebê não é apenas para o pós-parto, mas também se prepara para o momento em si da chegada, ou seja, o parto. E isso faz toda diferença, seja um parto natural ou uma cesárea!

Como você tem cuidado de seus sentimentos sobre o parto?

 

“>

 

Referencias:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012.

Freddi, Wanda Escobar da Silva. (1973). PREPARO DA GESTANTE PARA O PARTO. Revista Brasileira de Enfermagem, 26(3), 108-120. https://dx.doi.org/10.1590/0034-716719730003000002

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Assistência ao Parto Normal: Um Guia Prático. Genebra, Suíça: Saúde Materna e Neonatal, 1996. Disponível em: http://abenfo.redesindical.com.br/arqs/materia/56_a.pdf.

PALINSKI, J. da R.; SOUZA, S. R. R. K.; SILVEIRA, J. T. P. da; SALIM, N. R.; GUALDA, D. M. R. Percepção da mulher sobre o processo de nascimento acompanhado: estudo descritivo. Online braz j nurs [periodic online]. 2012 Agosto; 11(2): 274-288. Disponível em: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/3603/1501.