Eu prometi que ia falar sobre isso, então, aqui vamos nós!

Eu sempre fui apaixonada por blogs, e mantive vários. Quando Hugo nasceu eu tinha acabado de desistir de um blog de crônicas, já bem antigo, mas não passei muito tempo longe disso, criei um outro, porque eu precisava escrever, eu transbordava de palavras, e precisava dar sentido à elas. Eu borbulhava de curiosidade e precisava compartilhar minhas descobertas e questionamentos. Daí surgiu o Mamãe é Psicóloga.

Eu lia muitos blogs maternos, e quando o prazo da licença maternidade foi chegando ao fim, eu precisava encontrar alguma coisa que me desse mais tempo com Hugo, eu realmente fiquei bem desesperada. Cogitei largar a psicologia, pensei em voltar a costurar e dar continuidade a um projeto que ja tinha começado antes de engravidar (fazia almofadas e comecei a fazer ecobags), li tudo sobre scrapbook e pensei seriamente em fazer um curso e trabalhar com papel, porque eu sou APAIXONADA por papelaria; passou pela minha cabeça reunir meus melhores textos, enviar para alguma editora e buscar apoio para escrever um livro, mas eu precisava de algo que me gerasse renda, né? Pensei em vender roupas, virar sacoleira, pensei em tudo. Porque eu não via possibilidade alguma de empreender enquanto psicóloga. Sonhava com a clínica, mas era um investimento alto (ainda é) e eu não tinha a menor condição de manter um consultório na época, como eu ia sublocar um turno sem ter paciente? Pensei em me jogar no mestrado, podia ser uma saída, porque ficaria estudando, teria mais tempo com Hugo, e quando terminasse podia ser professora. Eu amo psicologia e ensinar sobre psicologia seria uma realização. Pensei em criar um negócio virtual, tipo uma consultoria via skype. Pensei em tudo que foi alternativa.

Enfim, conheci a Melodia Moreno , assisti ao CONAMÃE, e tive milhares de insights e inspirações.

Eu tive uma vontade de trabalhar on-line, porque eu gosto muito desse universo virtual e suas inúmeras possibilidades, mas eu não sabia que isso era uma categoria de empreendedorismo, na verdade, ainda nem tinha essa palavra como parte do meu vocabulário.

Meu primeiro contato com empreendedorismo digital foi através do CONAMÃE, foi bem na época que eu voltei da licença maternidade, e eu andava muito ansiosa para encontrar uma saída.

Compreendi que empreendedorismo era algo que eu já fazia na minha própria profissão, com os projetos que eu criei na escola que eu trabalhava, ou minhas ideias de tipos de blogs e sites que poderia fazer (na época da Coordenadoria de Politicas Sobre Drogas eu queria criar um blog para falar sobre Depedência Química, a partir do que a gente debatia e estudava lá na Secretaria).

Como eu consegui acompanhar o CONAMÃE? 

Nem eu sei como eu consegui! (rs!)

Hugo bebê, era um pouco mais fácil, ele já tinha quase 7 meses. Quando eu estava em casa, me organizava para assistir as palestras enquanto ele dormia, ou passeava com ele no carrinho e ouvia com o fone de ouvido. Uma vez coloquei um colchão de solteiro no chão da sala, deixei ele ouvindo um LP dos Paul McCartney com alguns brinquedos, coisa que ele curtia muito fazer, e ouvia a palestra do lado dele.

Como eu também já tinha voltado para o trabalho, a cada intervalo eu tentava ouvir uma palestra, quando não, fazia de tudo para sair pontualmente às 17h, que era meu horário, e durante o percurso eu conseguia ouvir uma palestra. Chegava em casa, e ouvia mais uma enquanto jantava, mas perdi as palestras da manhã.

Eu tenho uma mania por cadernos ( ja citei que sou apaixonada por papelaria né?), então eu sempre tinha um caderno comigo, na bolsa, do lado da cama, e aí eu sempre anotava T-U-D-O. Todos os insights, todo tipo de orientação, todo caminho possível, qualquer coisa pudesse me clarear as ideias. Traçava metas, desenhava as possibilidades.

Desisti de desistir da psicologia (ufa!).

No Workshop da Academia de Mães Empreendedoras, eu vi uma chance de trabalhar integralmente com o meu conhecimento, com aquilo que eu gosto de fazer, escutar e orientar mães e famílias, uma chance de construir algo com horário flexível. Não foi e nem é fácil.

No último Workshop, a Mel deu uma dica que eu sempre fazia todo ano, eu fazia um quadro de como eu queria estar em X meses, mas que depois de ter saído do emprego e ter ficado um pouco sem perspectiva, eu deixei de fazer. Em Agosto de 2015 eu anotei quanto eu queira estar ganhando em um ano, e como eu queria minha grade de horários. Eu fiz isso. Em um ano eu cheguei bem pertinho da minha meta, eu usei do bom senso e fui gentil comigo, coloquei uma meta possível, e não algo que eu iria me frustrar e duvidar da minha capacidade.

Hugo foi escola ano passado, em Agosto. Antes disso, era só eu e ele em casa. Meu marido faz tudo em casa, e sempre conversamos muito sobre isso. Então, enquanto Hugo estava em casa comigo, eu me dedicava à ele. Fazia o que dava tempo, e estudava nos dias que ia atender, porque a gente subloca o turno, que são 4 horas, se eu só tinha uma paciente, as outras 3 horas eu estudava.

Eu aprendi muito com Hugo e a maternidade que existe um tempo para tudo. Rodrigo, meu esposo, me fala isso todos os dias, que eu não preciso sofrer por um tempo que ainda não chegou. E não precisamos. Existe um tempo entre o plantio e a colheita. É importante, muito importante, ter isso em mente quando se busca mudar o rumo da vida profissional, as coisas não acontecem da noite para o dia, você precisa construir uma boa base.

Durante esse 1 ano e meio dedicada ao Hugo, e tentando encontrar um novo percursos profissional, encontrei novos ritmos de trabalho. Sabe dançar conforme a música? Só começou a fazer sentido depois que Hugo nasceu. Não foi fácil, nem foi simples, e muito menos indolor. Eu tinha uma realidade construída na minha fantasia do que seria ser mãe, e precisei desconstruir pedaço por pedaço. Amo essa palavra, desconstrução, porque é isso que precisamos fazer constantemente, para não nos fixarmos em mitos, fantasias, ideias, e renovar, reflorescer. Precisei aprender a equilibrar os pratos, não no sentido de ir além do meu limite, mas de colocar minhas vontades e meus limites em harmonia.

Fazer listas ajuda muito a clarear o pensamento, porque visualiza. Eu fiz várias listas para entender o que eu queria e o que era possível, fiz várias tabelas de horários, para conseguir encontrar uma rotina que coubesse na minha vida, e não me prejudicasse. Adoeci algumas vezes, enquanto não encontrava essa harmonia, e me sobrecarregava.

Eu precisei de muita disciplina. Muita mesmo. Porque eu amo demais o que eu faço, e tenho mania de querer dar conta de tudo, de me meter em vários projetos, e ainda querer ter tempo pra brincar e passear, mas se um dia só tem 24 horas é impossível fazer tanta coisa. Aprendi a priorizar. E compreendi que um tempo que se dedica a algo que você ama ou alguém, não é perdido, se  trás felicidade.

Traçar a meta, e conseguir listar o percurso possível para alcançar, ajuda muito a visualizar as missões, os caminhos, as possibilidades. O importante é ter em mente pequenas metas, pequenos objetivos, porque colocar uma meta inalcançável é auto-sabotagem, e de crueldade consigo mesmo. Sejamos gentis e nunca esquecer de pedir ajuda, porque ninguém dá conta sozinho de ser mãe, um bebê é responsabilidade social, e sem ajuda, uma mãe não consegue se reconstruir em harmonia, ela só consegue juntar os cacos no final do dia.

Se você quiser, existem mais depoimentos legais de outras pessoas que foram inspiradas e ajudadas pela Melodia:

Malfada Rodies

Aline Padovani

Clarissa Yakiara

Michelly