Desde que as férias escolares começaram vejo constantemente postagens reclamando, ou ironizando que as férias são o período de loucura e tormento materno.

Apesar de os tempos serem outros, de as crianças serem diferentes, existe uma coisa que não muda: as crianças anseiam por suas férias para ficar em casa e estar com seus pais! De que forma, a criança desejar estar mais próximo daqueles que ela ama é um tormento? Por quê?

Onde perdemos a capacidade de nos divertir e nos encantar com as descobertas da infância? Por que nos permitimos reproduzir um discurso que, muitas vezes, não condiz com o sentimento que acompanha o olhar de amor e admiração que temos pelos nossos filhos?

Qual é a vantagem de negar o amor e a admiração pela infância? Quando sufocamos nossa vontade de viver, alimentamos nossa inveja pela infância, debochando dela constantemente, e afastamos nossos filhos quando depreciamos os momentos de lazer, de ócio, de criatividade.

sand-summer-outside-playing-mediumAcredito que nesse momento de férias, é importante resgatar as memórias da infância, das férias em família, os jogos e brincadeiras de rua, do prédio, nas viagens. Nem sempre as férias dos pais corresponde ao período de férias escolares, mas isso não significa que as férias devam ser odiadas pelos adultos. Odiadas por quê? Quanta coisa linda pode acontecer nesses 30 e poucos dias longe da escola, quanto de vida podemos ensinar às crianças?

Férias é sinonimo de VIDA, vida no sentido da diversão, da criação, da transformação, da possibilidade! É o momento do desapego, da areia no parquinho, na brincadeira de tinta na varanda, na pintura, no papel maché, nas experiências sensoriais, nas experiências culinárias! É tempo de viver, de sentir, de se conhecer! 

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Quem já levou o filho para o trabalho? Quem já levou o filho para resolver algum problema da casa? Quem já delegou responsabilidade para a criança de ajudar e acompanhar em alguma atividade da casa? Quem já recriou a rotina, incluindo afazeres simples de casa como uma responsabilidade divertida? Quem já recriou o horário das refeições e incluiu um momento de brincadeira livre na família? Quem já marcou a praia? O dia na casa dos primos? A festa do pijama? A tarde de filme com pipoca? Quem já foi em alguma feira de livro e comprou um livro novo para as férias? Quem já acordou cedo e foi caminhar no parque do Cocó? Quem já aproveitou as ciclovias e ciclofaixas? Quem já se organizou para pedalar no domingo? Quem já fez o City Tour do Shopping Rio Mar?

Eu poderia listar milhares de sugestões, mas acredito que para cada família existe um lazer que empolga e devolve o brilho para as relações. Todos nós esperamos ansiosamente pelas férias, pelos 15 dias e 15 dias, pelo recesso de final de ano, para o descanso, para a pausa, para resgatar as relações, mas pensamos apenas na nossa perspectiva, através da lente da nossa necessidade. Criar pontos de auxílio, redes de apoio, construir dinâmicas junto aos outros familiares que possibilitem às crianças viverem suas férias é um caminho para que isso deixe de ser um tormento, mas que seja prazeroso.

Se um ano inteiro sem pausa no trabalho é cansativo para os adultos, que “cresceram para isso”, como que deve ser para uma criança, que ainda não cresceu pra isso, e vai ter pelo menos o triplo dos anos da infância voltados apenas para isso? Vocês realmente esqueceram como se sentiam antes das férias escolares? Aproveite as férias de seus filhos como se fossem as suas, se realize através da alegria e diversão deles.

Repensar as relações e transformá-las também é atravessado pelo discurso que se faz delas, o que é dito marca, atravessa e fica.

Boas férias!

 

E para programação infantil em Fortaleza/Ce, indico os blogs:

Brugelo

Blog iMãe

Folga da Babá