Muitas mulheres buscam informações sobre o pós-parto, o tempo do resguardo, quando vão poder dirigir novamente, quando vão poder ter uma vida sexual ativa, voltar para academia, ao trabalho, mas pouco se fala, se pergunta e debate sobre as emoções e as transformações intensas que acontecem a partir do nascimento do bebê. É como se todos os planos fossem por água abaixo, a vida se torna um pequeno caos, mas que diante da fragilidade da mulher nesse momento é estar no olho de um furacão que parece não ter fim.

Não existe uma regra exata para essa preparação, o mais importante é saber que durante o final da gestação e os dias seguintes ao parto a mulher está num momento de extrema vulnerabilidade psiquica (emocional e social), como se ela estivesse no limite o tempo inteiro.

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Essa vulnerabilidade vai dar espaço para todas as emoções que estavam guardadas. As cicatrizes que não foram bem fechadas, as lacunas da vida que ficaram em aberto, os medos, os fantasmas, encontram uma via para sair, porque todas as emoções que geram sensações, sentimentos, são movidas por algo ainda mais primitivo no que diz respeito à história de cada um, são movidas por desejos que muitas vezes não encontram uma forma madura e elaborada de serem realizados, e ficam ali, dentro de cada um de nós, alimentando emoções, sentimentos, e movimentando ações.

Durante esse período do pós-parto esses desejos encontram uma forma de se realizarem, e por sermos humanos, a linguagem é a maneira mais caracteristica de realizarmos alguns desejos e fantasias, ao entrar em contato com essas emoções contidas e escondidas por nós mesmas, entramos num estado crítico, num estado de profunda transformação, porque somos obrigadas a entrar em contato com algo que por tanto tempo foi escondido, que parece já ter perdido o sentido. E esse sentido é atualizado com o nascimento de um filho, porque o filho é o espelho de tudo isso, do que foi bom, e do que não foi.

O que eu poderia dizer para uma nova mãe, que está prestes a ganhar seu bebê, ou para aquela mãe que já está vivendo a turbulência: se entregue, mergulhe, reconheça seus medos, se permita transformar. A transformação acontece quando reconhecemos o que precisa ser melhorado, não mudado, mas melhorado. Se reconhecemos nossos medos, temos a possibilidades de escolher o que vamos enfrentar, e o que não queremos mais lutar contra. Ao abrir as portas para o autoconhecimento, a mãe permite construir seu limite de maneira sólida, e passa a respeitar a si mesma, seus sentimentos, e sua forma de maternar. Entre a mãe idealizada e a mãe que se é, existe a mãe possível, a mãe que pode existir, e essa mãe, é perfeita, porque ela é o que é e o que pode ser, e nessa de ‘ser o que se pode ser’, as possibilidades são infinitas. É o de fazer o que deve ser feito, mas do jeito que cada mulher tem, peculiar da sua personalidade, da sua história. Não existe a mãe ideal, pois a necessidade do bebê é de amor, e muitas vezes, buscando uma maternidade irreal e perfeita, a mãe se distancia do seu bebê, e alimenta o caos, porque só existe uma mãe porque existe um bebê, e esse bebê só existe, porque existe uma mãe.

mae sorrindoEntão, é nessa troca entre mãe e bebê, que a mãe vai descobrir seu lugar, seu caminho, seu jeito singular e único de ser mãe, sem medo de transbordar de amor.

Claro, buscar informação é essencial, perceber as nuances das emoções é importante, para saber até onde a variação de humor, até a intensidade não está no limite de algo mais complexo. Muitas vezes é necessário um suporte maior para passar por isso, não que isso seja fraqueza, mas porque ter outra pessoa para ajudar a deslinhar o novelo das emoções e pensamentos confusos facilita, fortalece. Apoio emocional da família e ajuda psicológica fazem total diferença para que esse momento seja hamonizado e tranquilo. Uma consultoria em aleitamento, uma doula pós-parto, rodas de apoio, grupos terapeuticos, tudo isso faz diferença. Se não tem grana para pagar determinado serviço, buscar as rodas gratuitas, ou os serviços gratuitos, antes do parto, e depois, faz diferença. Construir com o companheiro uma rotina de cuidados compartilhados, dividir as emoções possíveis, os medos, estabelecer o diálogo, e a troca, dividir responsabilidades, é primordial e faz diferença. Ter uma rede de apoio forte, alguém que possa ajudar com aquilo que for necessário, para que a mãe possa descansar e se manter saudável para cuidar do bebê e de si mesma, faz toda diferença. Ter alguém que olhe para o bebê, enquanto você toma o banho da beleza, ou dá um pulo nem que seja na padaria para comprar o pão, só para sair de casa, faz diferença.

Respirar, fortalece.

E você, se preparou para a chegada do bebê?