Um bebe pequeno não vai entender o que a mãe esta dizendo, mas ele entende o sentimento, cada palavra em seu conceito carrega uma emoção. O bebê lê as emoções, ele as sente. E mais do que isso, ele entende que a mãe precisa de ajuda. O bebê entende como ninguém sua própria mãe, do jeito dele, do jeito que talvez nem as mães entendam.
O choro do bebe, o estresse e a agitação é uma forma de ele dizer “Olha, minha mãe não ta bem! Eu preciso que alguém cuide dela pra ela cuidar de mim!”
O bebe pede socorro pela mãe, porque pra ele, ele só sobrevive se a mãe sobreviver, ele só existe através dela, até que ele consiga entender que ele e a mãe são pessoas únicas, e aí a simbiose acaba.
Seu choro é sua forma de tentar salvar a mãe para ele também ser salvo.
A gente olha pro bebe como se ele só estivesse demandando e exigindo, os bebes não exigem nada, só amor, que se realiza no cuidado, na atenção, no olhar, na conversa… E são eles que nos ensinam sobre isso, sobre o amor, o tempo todo, mas muitas vezes estamos presos no nosso próprio prisma e não entendemos.
Precisamos nos despir de nossas resistências ao afeto, e deixar que o bebe também nos ame e nos cuide. Nos permitir entrar no ritmo dele. Isso é resguardo, se resguardar do que é de fora, e mergulhar na relação com o bebê. Pra encontrar o tom dessa relação, para ajustar as expectativas com a realidade, para encontrar na nova rotina formas de se deleitar com o ser mãe. E isso é um tempo, um tempo de reajuste, de readaptação, para compreender e processar as mudanças, e depois vai ser todas as outras coisas que já foi, com uma característica a mais: o ser mãe, mas isso, é depois, depois desse processo de adaptação, de ajuste, de reconhecimento, de desconstruir para reconstruir.
Precisamos parar de tentar controlar, e deixar fluir.
Fluir.
Não tem problema ter raiva ou chorar. Chorem e tenham raiva. Mas direcionem pro lugar certo. Não é para o bebe. Colocar as emoções para fora é importante, se aprendemos a lidar com elas, teremos serenidade para ensinar as crianças a lidarem com suas emoções.
Existe o caos necessário vivido na maternidade, perdemos nossa referência, nosso eixo já não é o mesmo e ainda não se encaixou. A realidade é diferente da expectativa. A desorganização mental é necessária, num momento, para que haja uma transformação, para que haja renascimento. Desorganiza porque é um momento de mudança, onde coisas precisam ser deixadas de fora para que se tenha espaço para o novo.
Precisamos nos alimentar do amor dos nossos filhos por nós. Não viver como uma cobrança, mas como um alimento para nossa própria alma!
Precisamos permitir que eles segurem nossas mãos com seus dedinhos, e nos levem a enfrentar os outros, as exigências sociais que não condizem com a maternidade real, enfrentar aquilo que não nos faz bem, ter o bebê como um companheiro. Enfrentar o que é de fora, e não eles, não os bebês.