Um pouco antes de engravidar fiquei sabendo da existência dos coletores menstruais, mas na época só sabia da existência e de como comprar pelo ebay, que normalmente demora mil séculos pra chegar né? Uma amiga, que me apresentou a idéia, ia comprar, e eu ia esperar ela me falar da experiência dela pra comprar o meu. Só que nesse meio tempo eu engravidei, e aí foi-se um ano sem menstruar, pra minha alegria.

Minha relação com a menstruação sempre foi bem complicada, até falei disso aqui (Minha Melhor Semana – parte 02)! Sempre tive uma TPM forte, péssima, oscilações pesadas de humor, além de muita dor, muita dor mesmo. Acabou que pouco tempo que comecei a menstruar, a minha veio com 13/14 anos, e aí com 17 comecei a tomar anticoncepcional absurdo, direto, sem menstruar, o que dificultou ainda mais que eu aprendesse a conviver com esse momento mensal do meu corpo. Enfim, anos vivendo dessa maneira. Sempre me questionando sobre quão perigoso podia ser essa experiência, e ao mesmo tempo seguindo orientações médicas. Até que comecei a saber de relatos de trombose e mil outras coisas, e comecei a dar pausas por conta própria. Numa dessas pausas, ganhei Hugo. <3

Então, que nesse tempo todo, quando eu dava essas pausas, tinha problemas horrorosos com os absorventes, muita alergia (nem sei se é alergia mesmo, mas acho que o correto seria pensar que o calor escaldante que agracia Fortaleza é a explicação para o incomodo com os absorventes…). E tinha esquecido do bendito coletor.

Já usei diversas marcas de absorvente, inclusive a única que dá certo pra mim é esse Sempre Livre Trii, porque a cobertura é suave, de algodão, não é aquela cobertura seca, que no calor parece que gruda em você e resseca. Só que como eu tenho também uma preocupação imensa com o futuro, e sempre questiono industria e tal, comecei a entender que o absorvente é tal qual a fralda descartável, e um dos motivos de eu usar fralda de pano 90% das vezes com Hugo, é o fato de que elas demoram até 500 anos para se decompor. Até pensei agora, enquanto escrevo aqui pra vocês que eles podiam ter um projeto de árvores pra cada volume de fraldas produzidas né? Eu me sentiria menos culpada quando preciso usar a descartável, e as empresas estariam tendo o minimo de responsabilidade em diminuir o impacto negativo dos produtos, até porque a gente vive um momento de escassez de água, e produtos descartáveis utilizam muita água para serem produzidos, e até onde eu pesquisei, as chuvas estão diminuindo porque estamos acabando com as florestas… Fica aqui a minha sugestão e reivindicação (rs!).

Então, que começou a revolução do copinho!

Várias amigas falando sobre, vários blog falando sobre, e então, embarquei. Tenho só uma dúvida sobre a degradação dele após os 3 anos de uso, mas depois vou pesquisar sobre isso. Porque eu uso o copinho durante o dia e uso absorvente de pano durante à noite (sim, como uma fraldinha de pano, mesmo, super ok!).

Eu vou dizer uma coisa pra vocês, eu tinha N-O-J-O, nojo de sangue, nojo do cheiro, nojo da cor, da consistência, de ver. E eu entendi duas coisas: o cheiro é por conta do abafado do absorvente, e aquela quantidade absurda que vê você no absorvente não corresponde ao que de fato sai, parece uma hemorragia, porque tá espalhado né?

Comprei meu copinho, depois de uns dois meses relutando, com mil desculpas, de tempo, de falta de dinheiro na hora, enfim, TUDO desculpa, porque, assim como todo mundo, eu também tenho meus medos e restrições ao novo. E tinha muitas dúvidas – descabidas e fantasiosas – sobre o copinho. E aí foi o dia de usar. Bom, eu tive uma crise de riso com minha ingenuidade sobre meu próprio corpo…

  1. Primeiro medo irracional e absurdo: Eu achei o tamanho do copo imenso. Então, vamos lá: é de silicone, dobrável, e o canal vaginal, gente, é mucosa, e bom, se a gente faz sexo, e passa um pênis ali, e s é a via natural do nascimento e passa um bebê por ali, um copinho desses é que não vai ficar emperrado ou machucar né?
  2. Segundo medo irracional e absurdo: Vai se perder e eu não vou conseguir tirar. Outra loucura né? Nosso corpo não é um buraco negro, meu povo! Ao final do canal tem um útero, tem paredes de tecido, tem outros órgãos dentro do nosso corpo! Minimamente absurdo achar que o copinho vai se perder ali dentro e a gente nunca mais vai tirar!
  3. Terceiro medo, menos irracional e menos absurdo: Como colocar, como encaixar no lugar certo, como retirar? Bom, primeiro, é relaxar e tá muito bem com o próprio corpo. Ter minimamente noção e reconhecimento do próprio corpo, perder a vergonha de si mesma deitar na cama, ficar cócoras no chuveiro, não sei, mas relaxar! Dobrar o copinho todinho, em W, em V, enfim, e colocar. Se você já usou um absorvente interno, com certeza não vai ter problema nenhum em usar um copinho – coletor. E ele tem uma pontinha, que fica pra fora e é fácil de puxar, mas primeiro você tem que apertar o copinho, pra sair o vácuo, e poder puxar. A primeira vez eu fiquei achando impossível, mas deu tudo certo. O melhor é tirar no banho mesmo.

coletor posição

IV. Quarto medo irracional: como cabe todo aquele sangue hemorrágico nesse copinho? Bom, quando você tirar o copinho, por maior que seja seu fluxo, ele nunca vai transbordar o copo, vá por mim. É ilusão de ótica.

Agora, a lição mais importante que tirei de tudo isso é o quanto nosso corpo é um lugar desconhecido para nós, como nos envergonhamos, mesmo sozinhas, de precisar tocar, e compreender seu funcionamento, porque já carregamos dentro de nós a cultura de proibição. Corpo feminino = TABU. E que nos achamos super bem resolvidas com sexo, até usar um coletor menstrual.

E aí, quem já usou um coletor? Como foi a experiência? Se ainda não testou, qual o maior medo? Quero saber de vocês também!

Beijos!