Quando crianças as pessoas adultas passam boa parte do tempo nos guiando entre o “certo” e o “errado”, esse é o papel dos adultos, guiar as crianças para que elas sigam o melhor caminho, o mais saudável, o mais feliz, mas existe um detalhe nesse guia, as pessoas estão sempre inseridas e atravessadas pelas suas experiências, o que significa que em um determinando momento, uma orientação pode ser para proteger a si mesma, mais do que aquele que está ali para ser cuidado.

Um exemplo: uma mãe que quando criança foi mordida por um cachorro, e passa boa parte do tempo dizendo para seu filho ter cuidado com os cachorros na rua e das pessoas, não pegar no cachorro (mesmo quando o dono insiste que ele é manso e não morde), até que a criança, por insistência despercebida da mãe, passa a ter medo de cachorros, e começa a ter pânico de cachorros, e sempre que vê um cachorro tem uma cautela exagerada.

Esse é o ponto. O medo de cachorro exagerado sem nem ter passado por uma experiência traumática relacionado à um cachorro, simplesmente por influência da experiência negativa de outra pessoa.

Agora, outra situação: você tem um projeto, que você sonha em realizar, mas acha que ele nunca está bom o suficiente, que ele nunca está pronto, que sempre falta alguma coisa, e os anos passam, e o projeto continua inacabado, porque nunca tem fim a quantidade de acertos que são necessários, porque você não pode falhar com esse projeto.

Nature & Scenery
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Somos o tempo inteiro guiados pelo medo do erro, medo da falha, e que medo é esse? Por que sentimos tanto medo em errar e nos tornamos perfeccionistas malucos?

Em que momento da nossa vida o erro foi motivo de culpa e/ou vergonha? A ponto de nos escondermos dele, nem que para isso a paralisação da vida seja a saída?

Há uma crença de que o perfeccionismo é a melhor das qualidades, mas quanto perdemos por não nos darmos o direito de errar, arriscar e testar? A vida é construída por uma série de tentativas e erros, e aos poucos desenhamos nosso caminho e nossa história, a cada erro, nasce uma nova possibilidade e um novo caminho. Claro, também não podemos deliberadamente errar naquilo que sabemos que ocasionará catástrofes na nossa vida e na dos outros, mas não alcançar o resultado máximo em cada uma de nossas investidas não significa que falhamos, que erramos, mas que existem coisas a se ajustarem. E o que não precisa de ajuste e melhoria com o tempo?

E quem disse que precisamos ser perfeitos? A perfeição é a nosso maior algoz, nos aprisiona no medo, na vergonha e na culpa. Entender o porquê de perseguir o ideal incessantemente, compreender quais motivos de tanto medo ou vergonha, é o primeiro passo para encontrar um caminho mais leve, e quem sabe mais livre, e talvez, mais feliz.

 

(p.s.: quem assinou a newsletter do blog, recebeu hoje um link meu com um arquivo em pdf muito especial, e espero de coração que gostem ou não, mas que me deem a opinião sincera de vocês!)

Beijos,

 

Raisa