HumanQuality Early Childhood Programs | Preschool Matters… TodayOntem fiz um breve relato no meu facebook pessoal sobre minha experiência com o Hugo na escola, e acho que o breve relato poderia ser destrinchado, e virar um post, e vim aqui falar um pouco dessa minha experiência magnífica com Hugo e a escola.

Durantes esses 15 meses tínhamos traçado planos para a vida escolar do Hugo bem diferentes do que atualmente estamos seguindo. Eu, particularmente, sonhava com a desescolarização, ou pelo menos que a educação infantil fosse num modelo de creche parental, que Hugo não precisasse entrar numa instituição cedo, que ele ficasse em casa mais tempo, e pudesse experimentar a vida e aprender vivendo a cidade. Bom, o ideal é lindo. Ele fez um ano, e os meus limites começaram a aparecer, voltei a atender, falta tempo para me dedicar exclusivamente à criação de atividades, de estudar brincadeiras, falta também coragem para sair sozinha com ele longas distâncias, me atrevi sábado, e não rolou, ficamos num posto de gasolina uma meia hora pra ele ver as motos e os carros, até se acalmar pra chegar em casa. Então todo o sonho da educação começou a se tornar bastante difícil, pelas minhas limitações de conhecimento e habilidade, e pelas limitações existentes na própria cidade. Depois outro detalhe surgiu, ver nos olhinhos do meu menino a admiração por outras crianças, perceber o desejo dele de estar próximo, de se relacionar com iguais, e saber que isso não estava acontecendo, começou a mexer comigo, algo precisava mudar por aqui…

A escola não era uma opção até agora, mas passou a ser. E no começo, não vou negar, fiquei me sentindo mal por essa decisão, primeiro porque pensei que não estava dando conta de algo que deveria dar, depois fiquei pensando se não era uma decisão egoísta, se eu não estava pensando só na minha necessidade de voltar a trabalhar, mas bastou um dia na escola, eu e o meu marido escolhemos uma escola na metodologia que acreditamos e cada momento nessa escola me deixa super empolgada,  para que eu percebesse que a nossa sintonia está tão afinada, que a decisão de buscar por uma escola foi num momento acertado.

Então, resolvemos arriscar. E eu fui com Hugo para a colônia de férias e iniciar a adaptação escolar. Fui com a idéia de que se ele não curtisse, eu viraria mil, mas não iria forçar. Bastou um dia, para que eu ficasse certa da decisão que foi tomada, o menininho chegou na maior simpatia, brincando, correndo, livre e solto. Vez por outra me convoca a participar, mas esquece, se perde numa alegria linda de assistir, no movimento constante da curiosidade. Sabe comer na mesinha, sem nunca ter comido em mesinhas além da sua cadeirinha portátil e no colo, sabe procurar a pia para lavar a mão depois do lanche, até agora não chorou, no terceiro dia não quis ir embora, batendo porta para não sair do carrinho que estava brincando, e hoje quando cheguei para buscá-lo, olhou pra mim, e continuou a brincar, como se eu não estivesse lá. Até ele se dar conta que eu estava lá, e ele vir correndo com aquele sorriso que me derrete, ficou ali uns cinco minutos brincando, como se já fizesse parte do grupo, do espaço, na verdade, ele já faz parte.

Desde que começamos a escola, tenho um menino tagarela no seu linguajar de bebê, mas andar de carro nunca foi tão bom!

A regra é clara: o que funciona pra um, pode não funcionar para outro. Eu acreditava piamente que iria segurar em casa até os dois ou três anos, mas nossa sintonia está tão afinada, que a necessidade de ir em busca da escola não era apenas minha de voltar a trabalhar todas as tardes, mas dele de estar entre os pares, de estar entre os seus, de começar sua vida longe da mãe. Penso que se ele não estivesse pronto, eu também não estaria, talvez eu não vibrasse tanto com sua autonomia e independência de bebê, se não fosse uma situação tão harmoniosa entre nós dois. Se ele não estivesse preparado junto comigo, minha volta ao trabalho não teria acontecido agora, eu não teria me aberto às demandas que surgiram, eu não teria me lançado ao mundo do trabalho novamente, e não estaria tão feliz. Só tenho um sentimento enorme de gratidão por ter essa relação tão afinada.

Minha emoção ao vê-lo brincar, vê-lo soltar minha mão para caminhar ao lado dos novos companheiros, para segurar a mão da professora, vê-lo comer sozinho, cada detalhe dessa nova caminhada me enche os olhos, precisei segurar o choro de admiração e alegria, da lindeza que foi e tem sido.

É lindo ver seu carisma, seu humor, sua simpatia, sua curiosidade e inteligência, é lindo assistir seu empoderamento de autonomia e independência. Tem sido uma semana emocionante, uma semana que me enche de uma felicidade estranha, de uma admiração diferente, pois é como se fosse minha também a alegria dele, é como se estivesse me divertindo junto, é como se eu estivesse experimentando a escola de novo, cada descoberta que vejo ele fazer ou novo passo que ele dá, lembro da escola que mais fui feliz, e mais ainda, bate um orgulho danado de mim mesma.

Não existe a escola perfeita, e a escolha tem que ser feita de acordo com nossas convicções, quando entrei nessa escola, fui invadida de memórias de outra escola, a que eu fui feliz, e esse sentimento é alimentado a cada instante que vejo meu filho sorrir, a cada minuto que vejo meu filho sentir-se seguro ao lado dos profissionais que ali estão, a felicidade é alimentada ao ver que ele se reconhece enquanto parte daquele espaço, que ali ele tem um lugar, que ele está criando seu lugar.