Sexta-feira, chegando em casa na correria de mudança de sala, vim com Hugo e minha mãe arrumar os livros que quero levar para clínica, pois assim lá se tornará também meu espaço de estudo – e um espaço para pequenos grupos de estudos que pretendo formar no decorrer do ano (quem tiver interesse manda e-mail com os dados e sugestões de assuntos para nos debruçarmos em cima!). E aí o porteiro me chama e diz que tem uma encomenda pra mim, gente, eu nunca fiquei tão feliz quando vi que era minha caixa. Dei um grito “YAY! Minha caixa!” Minha mãe arregalou logo o olho pra ver o que era, e porque eu fiquei animada. O Rodrigo foi logo abrindo pra ver o que vinha dentro pra eu ter falado dessa caixa o mês inteiro, porque ela veio exatamente no momento em que eu precisava!

Bom, gente, eu nunca tive uma relação muito tranquila com a menstruação, durante muito tempo da minha vida fui acompanhada por um G.O moderninho que dizia que menstruar era um atraso de vida, e me vendeu (porque a forma como ele fez foi super propaganda mesmo!) a idéia de que tomar anticoncepcional sem intervalo era a melhor coisa do mundo. Na época, eu acreditava em tudo o que ele dizia, mas eu tinha muita dor de cabeça, mudei várias vezes de comprimido. E depois de um tempo, resolvi ler a bula, e vi todos os riscos que eu estava correndo, mas sempre que eu ia tirar dúvida ou comentava sobre os riscos, os riscos eram bobagem… Aí eu desconfiei, e por conta própria, dava intervalos. Achava estranho passar seis, oito meses, até um ano, sem menstruar. E isso me distanciava muito de diversas questões relacionadas ao meu corpo, negar o feminino dessa forma é muito radical. Negar o natural, o biológico, chega a ser um exagero. Sou psicóloga, mas não nego o orgânico em detrimento do emocional e cultural, são coisas que se entrelaçam. E a lembrança dessa negação do meu corpo sempre me vem junto com os estigmas que as mulheres carregam, como TPM ser frescura, ou um atraso, ou desculpa para tudo, essa negação da minha menstruação reforçava o discurso de o que é do feminino está associado à uma fraqueza, menstruar era um atraso. E isso me remete muito ao que eu tive que redescobrir quando engravidei, principalmente aos medos que eram incutidos em mim sobre ser mãe, sobre como isso poderia ser um fracasso na minha vida. Também não vou sair por aí no movimento “free bleeding” porque aí eu já acho exagero, mas trouxe esse meu relato para refletir com vocês, porque não é algo que tenho fechado, mas são coisas que tenho pensado a respeito… Principalmente na escrita do meu livro sobre a experiência da maternidade (sim, estou escrevendo um livro! já escrevi dois pequenos capítulos, e com certeza quando ele estiver pela metade, eu compartilho trechos com quem tiver interesse!).

Então que eu conheci pelo facebook o projeto da Lana e da Ariela, e eu me derreti, morri de amores, porque resgatou toda uma experiência ruim com um momento natural, e me trouxe uma nova perspectiva de como lidar com isso, sem que seja um trauma, sem que seja uma vida de “argh! estou naqueles dias!”, mas que seja um “pois é, tô menstruada!”, sem ter mais vergonha de falar “menstruada”, sabe? Eu me senti como nas propagandas de absorvente, me senti cuidada, e linda! Linda por ser mulher, e por aceitar meu corpo, suas funções, e conviver com isso. Eu sou tenho a agradecer a dupla por essa idéia LINDA, e que isso traga mais autoestima, mais cuidado, mais leveza para os dias que parecem e são pintados como os piores da nossa vida.

Quem tiver interesse em conhecer a caixa, pode acessar o site minhamelhorsemana.com.br!

Um beijo, e se você viver a experiência com a bendita caixa, me diz o que achou!