Estamos em constante processo de aprendizagem, inclusive nós adultos estamos o tempo inteiro aprendendo algo, seja técnico, seja cultural, seja uma mudança de ideal, valor ou fé, mas as transformações ocorrem através do conhecimento e da aprendizagem. Então, as crianças, que são novas nesse mundo, também estão num processo de aprendizagem constante, talvez o processo das crianças seja muito mais intenso, tendo em vista que tudo, T-U-D-O é novo para elas, e elas só passam a ter conhecimento sob determinado objeto ou conduta quando isso é apresentado à ela algumas vezes até que haja assimilação do que foi visto e vivido. E isso não se aplica apenas às questões de cognição, comportamento também é aprendido. E durante todo esse período que a criança não fala, ela está assimilando a cultura da família, e todos os estímulos que ela é exposta, por isso cansamos de repetir que a criança é um reflexo do ambiente em que ela vive.

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Se com dois ou três anos uma criança demonstra determinado comportamento é bastante provável que ela foi exposta à situações que ela aprendesse que tal comportamento é o correto (mesmo que não o seja de fato), então, quando se questiona a conduta de uma criança, e ela é punida por tal conduta, a culpa é apenas dela, ou existe parcelas de responsabilidade de quem convive com a criança?

Questionar o comportamento de uma criança é questionar o próprio comportamento. Quando se diz que ter filhos é uma oportunidade ímpar de autoconhecimento é porque, em última instância, lidar com filhos é lidar o tempo inteiro com si mesmo, já que eles reproduzem da maneira mais clara, aquilo que muitas vezes os adultos fazem com metáforas e disfarces. Mas, quem quer lidar com aquilo que é “errado” em si mesmo? A sociedade prefere punir a criança, do que olhar para o adulto que a ensinou a ser o que ela é, apesar de todos saberem que somos um eterno vir a ser, e que condutas e atitudes podem ser transformadas através da aprendizagem, ou seja, da educação.

Então, dessa forma, os castigos surgem como uma forma de o adulto não precisar encarar sua própria fragilidade, e seu erro, muito mais do que ensinar a criança qual a maneira correta de fazer ou se comportar em determinada situação, além de não proporcionar um momento de escuta e diálogo, entre pais e filhos, momento fundamental para estreitar laços, amadurecer a relação e torná-la um porto seguro, e não uma relação pautada no medo. Muito se fala (e muito se utiliza) o tal ” cantinho da reflexão” como uma forma de castigo, muda-se o nome, mas a utilização do termo é a mesma, e aqui convoco para uma reflexão, quando se castiga uma pessoa colocando-a para pensar, o que estamos ensinando à ela? E vou mais além, uma criança até mais ou menos oito anos ainda não tem maturidade cognitiva, emocional, neurológica que dê subsídios o suficiente para fazer o raciocínio de vai-e-volta, ou seja, causa-e-conseqüência, então, como o cantinho da reflexão fará seu papel, se a criança não entende porque está ali de fato – ela responde o que os adultos querem, para que não precise ficar mais tempo afastada e por medo de perder o afeto; como a criança vai construir uma relação com autoconhecimento, e reflexão, se o lugar direcionado para isso era o lugar do castigo?

A punição por si só, não educa, pois ela não muda condutas, não apresentar exemplos e novas possibilidades de ação, ela causa uma quebra, mas como a criança vai aprender o que é certo, se ela não pode errar? Se seu erro é severamente punido sem que haja alguma explicação que ela compreenda? Se, nós adultos, buscarmos na nossa infância nossos momentos de desamparo e insegurança, encontraremos também outras formas de lidar com os erros dos nossos filhos. Para aprender a acertar, primeiro é necessário errar.

 

(uma releitura de um post que já escrevi aqui no blog sobre Reflexões sobre Educação)

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