Dia 25 de Maio é o Dia Nacional da Adoção, e já era um tema que eu gostaria muito de abordar no blog, trazer de alguma forma esse assunto, então, fui atrás de alguém que poderia falar sobre isso com delicadeza, propriedade e muita reflexão, e falei com a Raphaelle Lima, uma grande amiga, também é psicóloga, e atualmente trabalha em um abrigo, no interior do Ceará. Espero que gostem tanto como eu gostei do texto, e iremos continuar trazendo essa temática ao blog, com as contribuições da Raphaelle, pois acredito ser um tema de suma importância quando se trata de maternidade, que está para além da gestação e do ato de parir, mas que é um desejo que antecede uma escolha. adotar

 

PARENTALIDADE SOCIOAFETIVA: EM DEFESA DA ADOÇÃO

            No município onde trabalho, há uma equipe formada por Assistente Social, Pedagoga e Psicóloga, que atende grupos de pais candidatos à Adoção, que inseridos no CNA – Cadastro Nacional de Adoção estarão habilitados a adotar em qualquer lugar do país. Ali constam seus interesses, profissões, situação econômica e um processo longo de investigação e acompanhamento de sua espera. Por mais que exista um trabalho cuidadoso neste processo, o nosso ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente é criterioso na garantia do direito à convivência familiar e comunitária, tornando a reinserção na família de origem o objetivo principal de nosso trabalho. Então, as equipes do Serviço de Assistência Social e seus programas, Conselho Tutelar e o Poder Judiciário juntos buscarão alternativas para este retorno. Bem sabemos que a criança precisa ter uma convivência familiar, é de fundamental importância que ela crie os seus laços afetivos, que possa ser amada e bem cuidada, não existindo assim, melhores pessoas para exercer tal tarefa senão os próprios pais. Quando isto não é possível, com todos os esforços em torno da família de origem esgotados, dá-se entrada num procedimento jurídico chamado DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR, quando chegamos à possibilidade de adoção. Com esta medida, podemos pensar que a origem biológica passou a não ser a única importante, nem tampouco, única merecedora de tutela do Estado. O Direito de Família passou a reconhecer o afeto como a base constitucional da família, o que concretiza o lar familiar e torna esse vínculo irrefutável. A filiação passou a ser vista com ênfase no vínculo socioafetivo e não apenas no biológico. É a chamada FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA, onde está presente o vínculo afetivo, independente de consanguinidade. É a filiação sob a ótica do afeto. Na realidade ela sempre existiu, porém só atualmente começou a ser evidenciada. E que bom! Afinal, não somos apenas um grupo determinado por configurações genéticas, ou mesmo por orientações sanguíneas; somos o misto humano de experiências que enriquecem nosso cotidiano de contato com a demarcação do amor; e a Adoção parte do princípio transcendente à ordem biológica de que a família como conceito se configura no lugar de onde saímos fortes o suficiente para enfrentarmos a vida lá fora. Aos nossos pequenos, o direito ao lar… e que seja no coração de seus pais.

Raphaelle Lima, psicóloga na Instituição de Acolhimento para Crianças e Adolescentes – Abrigo Nossa Senhora da Conceição – município de Acaraú, Ceará.

Contato: raphaellelima@gmail.com  *(085)9627.3716