Estudando sobre agressividade na infância, e agressividade na escola, encontrei essa pesquisa e resolvi trazer para vocês um trecho (lá no blog!) . Claro que cada caso é um caso, mas achei bem ampla a explicação que pode servir como reflexão sobre quais motivos a criança tem apresentado comportamentos agressivos. Tendemos a pensar a agressividade como algo ruim, mas a agressividade é constituinte do ser humano, que pode ser expressa através da violencia (física ou verbal), ou pode ser direcionada à atividades socialmente admiradas, como arte, cultura, saber, e trabalho. Quando não existe possibilidade de transformar a pulsão agressiva – a energia psíquica – ela irá se manifestar de diversas formas, ou seja, a violencia irá surgir quando não foi possível viver a agressividade de maneira criativa, ou quando a energia é freada o tempo inteiro, sendo guardada sem possibilidade de escoamento. Na criança, muitas vezes isso acontece pela falta de tempo livre para brincar, já que ela ainda não detém signos o suficiente para dar conta de suas emoções por meio da fala, por exemplo.

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Segue trecho:

Pode estar querendo receber atenção, ou chamar atenção para si; expressar sua dificuldade de adaptação, ou de compreensão do mundo em que vive, e das pessoas que a cercam; ser compreendida em sua maneira peculiar e simples de ser; expressar sentimentos de raiva legítimos por causas reais e imediatas; expressar sentimentos de raiva legítimos por causas conhecidas ou não por nós, de fatos já acontecidos e não assimilados por ela; expressar sentimentos de insegurança, inferioridade, baixa auto-estima; expressar a sua ansiedade por não entender o funcionamento do esquema social em casa, na escola, onde quer que ela viva; expressar sentimentos de rejeição, devido a ninguém lhe dar a devida atenção ou valor; expressar a sua inabilidade em expressar seus profundos e verdadeiros sentimentos com relação às pessoas e situações; expressar identificação com a figura paterna ou materna, repetindo comportamentos agressivos que ela observa constantemente; expressar ciúmes em situações que envolvam irmãos ou pessoas com as quais ela tenha que dividir a atenção e o amor dos pais; auto-afirmar-se em situações que envolvam disputa de poder: no lar, entre irmãos, quando a criança quer mostrar que é melhor, na escola, entre os colegas; nas brincadeiras com os amigos etc (LOCATELLI, 2004, p. 59-60)

[…]

a agressividade, num primeiro momento, não pode ser diagnosticada na escola como distúrbio de comportamento ou problema de aprendizagem. Inicialmente, é preciso identificar se as crianças que apresentam comportamento agressivo no espaço escolar estejam defasadas em sua ludicidade e criatividade. A criança inibida de demonstrar suas capacidades pode apresentar atitudes agressivas para chamar a atenção do professor e até mesmo dos colegas. Atitudes como quebrar objetos, riscar as paredes da sala de aula ou até mesmo rasgar o caderno são formas de demonstrar esta pulsão agressiva internalizada. (p. 152)

[…]

A agressão que o aluno dirige para quem quer que seja, à professora, aos colegas, à direção, tem uma mensagem e precisa ser escutada. Quando o professor percebe que seu aluno está agressivo, deve colocar-se a escutá-lo. Castigá-lo reforçará tal comportamento agressivo, uma vez que algumas crianças preferem atenção negativa a nenhuma atenção. É preciso buscar reflexões sobre o papel da família, da escola, e de toda a sociedade frente a este problema que se agrava em grande dimensão, tanto a escola quanto os professores precisam entender e exercer o seu papel social, comprometendo-se com a transformação do indivíduo em desenvolvimento. Atitudes repressivas com crianças que já apresentam algum tipo de comportamento agressivo não são recomendadas porque podem agravar o sintoma, especialmente nas questões referentes às dificuldades de aprendizagem. Por isso é importante que pais e educadores vejam as atitudes agressivas também, como positivas e reconheçam como fundamental para sobrevivência da criança, buscando transformá-las na construção do conhecimento e nunca em instrumento de destruição. A agressividade precisa ser cuidada para que a criança sinta-se segura do afeto dos pais, aprendendo a administrar os seus sentimentos. Não se deve ignorar a atitude agressiva da criança; os pais precisam primeiramente entender o que está acontecendo com o seu filho e orientar sobre o que fazer com o que está gerando o comportamento agressivo. (p. 153)

[…]

Dar limite à criança é dar à elas segurança. (p. 154)

Artigo completo em: https://online.unisc.br/seer/index.php/reflex/article/viewFile/2218/2048