Quando encontramos alguém que faz algo que gostamos ou admiramos muito melhor do que nós conseguimos fazer, pode ser um estímulo imenso para tentarmos buscar nosso melhor, e nesse sentido a competição pode servir para aflorar nosso melhor, certo? Às vezes a competição nem é declarada, mas são competições pessoais, que traçamos sozinhos, quando desejamos muito fazer algo bem feito. Já no que diz respeito à maternidade, essa competição não saudável, e também não leva a lugar nenhum, pelo menos não a um bom lugar. A maternidade hoje já é tão complexa e requer milhares de malabarismos, para ainda ser dificultada pela falta de sonoridade, empatia, acolhimento e solidariedade entre as mães e cuidadoras.
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Existem alguns momentos em que essa competição é fruto de uma fantasia, ou seja, a mãe tem fantasias de que as pessoas estão diminuindo sua capacidade de criar seu filho, ou que elas estão diminuindo seu filho em relação às outras crianças, e essa fantasia pode existir se a mulher já tiver na sua hsitoria de vida questões relacionadas a autoestima, aceitação, e segurança. Claro que existe o oposto disso, e tem mulheres que estão o tempo inteiro diminuindo as outras, ou os filhos das outras, o que também não deixa de ter algo relacionado à história de vida dela e a maneira como ela lidou com as cobranças, certo? De todo jeito, nenhuma das duas vai conseguir muito usando o próprio filho com troféu, pois cada criança tem um ritmo, acelerar o ritmo de desenvolvimento da criança, sem respeitar seus detalhes e sua singularidade, pode ser prejudicial à criança, primeiro porque a mãe não a aceita como ela é, e segundo porque ela está sendo apressada para atingir expectativas que não condizem com a dele mesmo, e nunca serão realizadas.
Então, imagina só uma criança passar a infância perseguindo um ideal inexistente e não podendo escutar a si próprio, ao seu ritmo e seus desejos?
Cada etapa de desenvolvimento possui uma margem de tempo para que as características que marcam a etapa sejam adquiridas e aprimoradas, algumas pularão, ou passarão mais depressa por umas fases do que por outras, mas cada criança, em sua singularidade, vai demonstrando nessas fases suas aptidões e preferências. Comparar os filhos com os do vizinho não vai fazer do seu filho melhor, ou pior, mas vai fazer com que os pais deixem de conhecer e reconhecer as aptidões e qualidades do próprio filho. E a grande pergunta que fica é: e a autoestima e autoconhecimento dessa criança, como fica? Se os pais estão tão preocupados em competir uns com os outros, coisas são impossíveis de se competir… Quando a competição acontece em relação a maneira de Maternar de cada mãe, a disputa também é acirrada, e pouco chega em algum debate construtivo, basta ver a dificuldade que é falar de empoderamento e parto humanizado, e alguém que fez cesárea se sentir julgada por essa opção… Precisamos ter em mente que os profissionais de saúde e educação, que falam e explicam sobre desenvolvimento infantil e aprendizagem, darão as diretrizes, darão os resultados de pesquisas e estudos teóricos, que apontam um norte de como poderia ser feito, para respeitar a criança, para possibilitar desenvolvimento físico e emocional saudável ( e saudável não significa mais rápido ou mais lento, mas saudável, equilibrado e no ritmo do corpo de cada um!)! Quando apontamos esses caminhos baseados nos estudos e prática profissionais, estamos contribuindo com uma sociedade melhor, certo? Nem sempre seguir as recomendações é fácil, e nem sempre vão existir profissionais éticos que orientam o melhor para o indivíduo que o procura, por isso buscar informações e outras opiniões profissionais também é importante. Mas de qualquer forma, cabe aos responsáveis pela criança fazer escolhas que impliquem na saúde dela, e não no oposto. Porque ser responsável por alguém, significa buscar o bem comum, e não o bem próprio, e muitas vezes esse bem comum só se alcança com renúncias e exemplos. Sabe aquele vício em refrigerante, mas todos sabemos que faz mal? Pois é, um adulto SABE que faz mal, mas já tem idade e maturidade para ESCOLHER, apesar disso. Uma criança faz aquilo que ela vê o adulto que ela confia fazer. Jjulgar os pais que tomam determinadas escolhas, não vai levar a lugar nenhum, e nem mudar a situação, passar adiantes informações relevantes e de profissionais especializados sobre cuidados com criança, sobre desenvolvimento infantil, sobre educação e aprendizagem, pode ajudar muito mais do que brigar com unhas e dentes para estar certo sobre algum assunto. Lembre-se que tirar dúvidas com amigos e outras pessoas que passam pela mesma situação ajuda, e diminui a angústia, mas cada situação, cada criança, cada família, são únicas, e a experiência de cada um é particular, o que acontece com um ou deu certo com outro, nao necessariamente vai se encaixar na realidade de mais um.

(Escrito para loja parceira Pequeno Infinito)