Quando nasce um bebê, nasce toda uma reconfiguração familiar. Os filhos passam a ser pais, os pais passam a ser avós, e um bebê nasce cheio de lugares e papéis a preencher: filho, neto, sobrinho, afilhado, etc. Aos pais cabe o papel de cuidar, educar, e adquirir responsabilidade sobre àquela fica que está sob tutela deles, adultos. E é consenso que aos avós cabe o papel do cuidado com mais liberdade, do afeto, da brincadeira, de transgredir as regras dos pais, não é? Bom, nem sempre os papéis ficam tão definidos assim, e isso acaba levando à alguns conflitos familiares, seja porque os pais não fazem o seu papel, e isso obriga os avós a ocuparem um lugar que não os pertence mais; seja porque os avós não se identificam com o lugar que lhes cabe, e avançam os limites da relação… Bom, o desenho desses conflitos, quando eles existem, já está delineado há muito tempo, pois é um reflexo das relações parentais, antes que da chegada do novo bebê.avós

Para as crianças é muito importante a convivência com os avós, pois é uma convivência que além do afeto, e de aprender que pode ser amada em outros espaços e por outras pessoas, a criança aprende e desenvolve outras habilidades sociais, a lidar com o envelhecimento, a ousar, pois os avós não são responsáveis pelas regras e limites e isso ensina a criança a questionar as regras dentro de casa, que é saudável que ela aprenda a se posicionar (mas é imprescíndivel que haja limites e regras, mesmo que seja saudável a criança questioná-los!!!).

É importante ressaltar que a obrigação dos pais é a de educar, de impor limites, a responsabilidade com o cuidado em todas as instâncias da vida da criança! Dessa forma, os pais devem colocar limites e deixar claro para os avós o que eles desejam, mas lembrando que não é obrigação dos avós de educar os netos, essa responsabilidade eles já passaram! Para que a relação se estabeleça de maneira tranqüila, conversar sempre que algo sair dos limites para que não haja atritos é essencial. E os pais devem estar alinhados nesse quesito da educação, para que as informações passadas para os avós sejam as mesmas! Quando essas questões estão bem definidas, a criança compreende que mãe é mãe, pai é pai, e avós são avós; e isso permitá que a criança não se perca das regras de casa, quando estiver longe dos pais.

Uma vez falei aqui sobre super-proteção, e o quanto ela dificulta a entrada na vida adulta, e isso fica muito marcado quando esses filhos super-protegidos se tornam pais, a possibilidade de haver uma troca de papéis, e os avós se tornarem os responsáveis pelos seus netos é alta, principalmente quando eles não aceitam ou não permitam que seus filhos se tornem adultos. Muitas vezes, quando isso acontece, há uma tendência de se destituir os pais do seu lugar de responsável, o que quebra a imagem de autoridade deles perante os próprios filhos. Ou os pais que se encontram nesta posição de “não-adultos”, permancem nela após o nascimento dos filhos, e delega aos avós a responsabilidade de educaçõ e cuidado. Em ambos os casos as situações não são ideais, e perduram às custas de cargas emocionais e possíveis atrasos no desenvolvimento social e emocional.

Se algo incomoda na relação entre pais e avós, os pais devem repensar o lugar que ocuparam enquanto filhos, e se de fato saíram dessa posição ou se estão confusos em relação às responsabilidades atribuídas ao seu novo papel.

O diálogo entre o casal é fundamental para estabelecer as regras e limites na educação dos filhos, e na intervenção de terceiros. Claro que é importante ponderar as intervenções, levando em consideração a experiência que os avós possuem, por ter passado por tudo isso que os pais estão passando atualmente; e que filtrar as informações para fazer aqullo que se adequa às suas crenças atuais. Quando não nos sentimos seguros diante das escolhas que fazemos, todo palpite e conselho confunde, e as escolhas podem ser seguidas de culpa, insegurança e medo.

Em todo caso, se os conflitos existem ou a insegurança na tomada de decisões, buscar orientação e ajuda profissional pode ser necessário.