Eu não sou uma mãe paranóica que deseja a perfeição, por uma razão muito simples, não dá pra dar conta. E me poupo da tentativa, porque não tô aqui pra perder tempo de vida sofrendo, quero mais ser feliz e desejo com todas as minhas forças que meu filho também seja. E pra mim a felicidade tem a vê com leveza, não a ponto de você se perder, mas que você também não precise se arrastar…
Desde a semana passada Hugo adoeceu, e eu torcia pra fechar um ano sem passar por isso, porque não basta tudo que você vive e toda a intensidade que é o dia a dia de uma mãe, ainda ter que viver uma doença é péssimo. Tudo bem, ele já adoeceu antes, duas vezes, uma infecção urinária, e precisei dar água antes dos quatro meses, porque eu bebia pouca água e isso refletia nele; e outra uma otite, que cinco dias ficou bom e até hoje não sei se foi por dar de mamar dormindo ou por agua no banho, mas nenhuma dessas se compara com bebê doente depois que ele aprende a brincar, andar e desbravar os cômodos da casa…
Semana passada ele teve conjuntivite, e foi péssimo! Ele já coça o olho normalmente quando ta com sono, e quando come taca comida no rosto brincando e é uma festa, com conjuntivite o negócio foi brabo! Olho pregadinho e muito choro. Tudo bem, cinco dias de colírio e ficou bom. O que eu não esperava é que depois de cinco dias de bebê enjoado, e chorando, eu teria um breve descanso pra enfrentar uma semana mais pauleira!
Gente! O que é uma gripe num bebê, peloamorde! To desde quinta sem dormir. Dormi sentada ontem, com ele no colo pra ele respirar melhor… E como to desde a gestação com a coluna inflamada e sem poder tomar remédio, eu quero chorar de cansaço e dor nas costas.
Fico me perguntando como que vocês dão conta! E sério, por quê a gente tem que dar conta de tanta coisa? Sinceramente, é uma escravidão esse modo de vida que levamos. Imagino se eu tivesse retornado às 40h, uma hora dessas eu tinha desmaiado de cansada. Não consigo tirar um cochilo porque quando ele dorme, eu preciso trabalhar. É, eu estudo um bocado pra dar o melhor de mim nos meus atendimentos e nos meus textos, apesar de sempre achar que preciso estudar muito mais pra escrever como eu suponho que seria melhor…
Eu tô acabada! Ele não dorme desde quinta porque o nariz entope, porque tosse, porque sei lá, deve ter dor de cabeca ou alguma indisposição e eu não sei porque ele ainda não fala! Eu imagino se ele ficasse mais vezes doente, ou se ele fosse uma criança irritada. E mesmo assim, mesmo com um filho que não chora com freqüência e nem adoece assim, eu to morta.
Tem dias que minha vontade é de ligar pra minha mãe e pedir desculpas por todas as vezes que eu desobedecido achando que era fácil ela ser mãe porque pra mim era isso que ela era, mãe. E que era o papel dela e a vida dela, ser mãe. Porque a gente nasce e só conhece a nossa mãe sendo mãe, e nem imagina que ela tinha outra vida e que enquanto a gente desobedece, briga, e reclama das nossas mães, as coitadas estão aprendendo a ser mãe e levando porrada, de graça, dos filhos, e da vida que mostra que ser mãe é um caminho muito longo pra aprender tudo aquilo que se prega, e pouco se faz.
Acho que a maternidade ensina na marra, se você estiver afim de aprender, todas as historinhas do livro das Virtudes, ou os conceitos das aulas de ética e religião na escola, deve ter algo que te ensine a ser uma pessoa melhor, enquanto se é mãe. Sério mesmo, de aprender a reconhecer os limites e incapacidades, principalmente. E de aprender que há muito o que aprender e que ninguém é perfeito. Ou que a gente tem que aprender a se virar com o que tem, ou que ganância não serve pra nada, porque pro bebê e pra criança o corpo a corpo e a presença é o que importa…
Tô aqui acabada, olhando pro Winnicott pra escrever sobre amamentação, e com uns artigos separados pra escrever sobre o luto, esperando a hora de atender… E pensando, como é que eu consigo ter equilíbrio pra driblar o meu cansaço, e ainda ter vontade (e força) pra estar aqui e fazer essas coisas. Como que pode eu ter tanta garra e força e não saber disso tudo antes? Se eu soubesse eu teria feito horrores de coisas na minha vida antes, mas acho que faltava o amor e a paixão que Hugo me trouxe, pra investir na nossa vida. Porque minha vida agora e por enquanto também é a dele.

Raisa Arruda
Psicóloga Clinica/ Assessoria em Psicologia Escolar
CRP 11/07646
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