Vocês já ouviram falar sobre a “crise dos 8 meses” ou a ansiedade da separação? Apesar de poder acontecer em outras idades, é muito comum na fase dos oito meses e, por isso, o apelido. A psicólogaRaisa Arruda explica para nós mais sobre este marco do desenvolvimento infantil:

image

O que é?
A ansiedade da separação é o momento que a criança é tomada por uma angústia pela ausência da mãe (mas também pode ser de outro cuidador) “Estar longe desse cuidador dá a sensação de desamparo, como se a criança ficasse sem proteção, e daí o medo do que pode vir. A ansiedade é algo relacionado ao porvir, a criança fica com medo daquilo que vai acontecer, e que ela não sabe o que é. Ela vem de uma situação de presença e apoio, e de repente, isso muda, sem explicação, sem preparo.”

Quando acontece?
Esta fase acontece com todos os bebês e pode iniciar em qualquer idade, dependendo da relação entre mãe e filho. “Quando a gente inicia a alimentação complementar, a criança começa seu aprendizado de que ela e a mãe são corpos diferentes, começa a compreender que seu corpo não se satisfaz sozinho e que precisa da mãe para satisfazer suas necessidades vitais (alimento, colo, atenção, higiene. Sim, colo e atenção são vitais para a criança!). Por volta dos nove meses a criança já sabe que seu corpo e o da sua mãe  são diferentes, mas ela ainda não sabe que as coisas existem, mesmo que ela não veja”, comenta. Por isso, quando a mãe se ausenta, o bebê não sabe o que aconteceu com ela nem se vai voltar! Imaginem que dureza.

Quanto tempo pode durar?
Em geral, dos nove aos doze meses, a criança já começa a entender que a mãe vai e volta e gradualmente esta ansiedade passa. Mas pode se estender até os 2 anos de idade.

Que sinais a criança pode ter?
Chorar no colo de outras pessoas, chorar quando a mãe se afasta, buscar sempre estar perto e muitas vezes no colo. Podem até mamar com mais frequência, como uma forma de se aproximar da mãe. Dependendo de cada família, pode haver sintomas físicos como perda de sono, mudança no apetite e, até mesmo, agressividade.

Como os pais devem agir?
Com muita paciência, amor e acolhimento. Tente compreender o bebê – lembre que ele não pensa como um adulto – e busque explicar o que vai acontecer nos momentos de afastamento. Brincadeiras de esconder/ achar tendem a ajudar a criança a ver que as coisas vão e voltam. Mas não há fórmula mágica, o importante é agir com segurança e clareza com a criança. “Não mentir, nem enganar, porque isso aumenta a insegurança da criança e vai fazer com que ela desacredite nos pais e no futuro isso pode ser um problema na relação familiar. Sempre explicar que vão sair, e que vão voltar. De preferência deixar a criança com pessoas que ela goste e sinta segurança e acolhimento. No mais, buscar orientação de algum profissional que possa acompanhar de perto pra ajudar é sempre uma saída porque que cada caso é um caso e tudo depende da historia familiar dos pais e como eles encaram as situações”, concluir Raisa.

(Entrevista dada para Mel do Blog Maternidade Simples)

Raisa Arruda
Psicóloga Clinica/ Assessoria em Psicologia Escolar
CRP 11/07646
(85) 99221192
raisaarrudapsi@gmail.com