A vida é um constante processo de luto, para que os passos seguintes sejam dados se faz necessário abir mão de determinadas característicasbaby-blue para que novas sejam possíveis de emergir, e abrir mão de determinadas coisas da nossa vida é passar pelo luto, para poder reconstruir-se novamente.

Quando o bebê passa a falar e se torna uma criança, acontece por volta dos dois anos e meio, e entra na fase da birra, também é um fase de luto pelo bebê que ele era e a criança que está se tornando, e todas as mudanças são rápidas e intensas, e lidar com isso, sem ter adquirido a linguagem falada ainda é mais complicado. Depois a criança entra para a adolescência, e vive o luto pelo corpo, vida e fantasias infantis, que também é uma fase bem marcada pelas crises de identidade, liberdade, autonomia… No decorrer do desenvolvimento humano passamos por vários processos, que nos levam à crises para aceitar as mudanças que são inevitáveis (envelhecimento, por exemplo), aceitar as mudanças que se dão pelas escolhas, e aquelas que são repentinas (como os acidentes, etc.)
A maternidade é um processo de mudança na vida da mulher que junto trás vários momentos de luto, alguns breves, outros mais duradouros, e por isso é muito importante pensar na rede apoio, e, principalmente, na participação paterna, pois as mulheres vivem outro momento social, no qual a maternidade não é o único papel desempenhado, e por isso, as responsabilidades devem ser compartilhadas.
Quando a gravidez é decoberta inúmeras questões suscitam, alguns medos e inseguranças surgem ou são acordados, e a mulher se depara com infinitas mudanças que sua vida sofrerá dali em diante. Para cada mudança há um luto, pela identidade marcada pela autoimagem, pelo papel que a mulher desempenhava, pelas espaço que mudam… Algumas mulheres passam toda a gestação para desconstruir a imagem que tinha de si mesma, e reconstruir a nova imagem. A gravidez é um período que nos ensina a lidar com mudanças, e muitas delas imprevisíveis, a cada trismestre são novas situações, um novo corpo, o bebê vai apresentando novos movimentos.
Enquanto a mulher tenta lidar com seu novo corpo, ela vai aprender a ser outra, pois o papel que lhe cabia muda. Deixa-se de ser filha, para ser mãe, e essa passagem, para algumas, pode ser bastante dolorosa. Para alguns, ter filhos é o marco da vida adulta, e isso significa abrir mão de caracteristicas adolescentes, que perduravam até então. Uma das mudanças mais significativas dessa passagem é abrir mão do próprio egoísmo, lidar com a liberdade com responsabilidade, compreender que as escolhas implicam em conseqüências – e que essas conseqüências irão rebater na vida das outras pessoas.
Quando o bebê nasce, a mulher entra em outro processo. Um novo corpo se apresenta, não aquele antes da gestação, nem mais o de grávida, um novo, diferente, muitas vezes distante do idealizado. Um novo luto, para uma nova reconstrução de si mesma. E nesse momento, não só o corpo muda, mas a mulher entra em contato com o real da maternidade, até então idealizado, muitas vezes com um “script” fantasiado. Nesse momento, a mulher se depara com o bebê real, que nem sempre é o mesmo bebê fantasiado; com o puerpério, as mudanças hormonais, as mudanças no sono, na alimentação, a rotina que muda, o corpo que passa a ser vital para o outro. O luto da fantasia em relação à maternidade real. À medida em que a mãe vai se adaptando às fases do bebê, novas vão surgindo, e tudo muda muito depressa. Apesar de a maternidade ser um período de muitos ganhos afetivos, também existe uma sequência de perdas e necessidade de ressignificação.
Depois de se deparar com fim da gravidez, vem o desmame, os primeiros passos, e as primeiras palavras da criança, que muda toda a configuração anterior de dependência total, para o caminho à autonomia. E muitas mães sentem dificuldade de lidar com essa perda, do bebê que depende, para a criança; algumas tem medo de perder o amor dos filhos, de não ser mais a coisa mais importante da vida deles… Aprender a conviver com cada momento que a maternidade trás vai estar sempre ligado às experiências de vida e história de cada uma. Os medos e inseguranças que cada uma já trás na sua bagagem de vida, as maneiras como conseguiu lidar com as mudanças que se deparou até então, tudo isso vai delinear a maneira como cada mulher constrói sua maternagem. É importante lembrar que o cuidado e responsabilidade com os filhos deve ser compartilhado, deve ser dividido, que a mulher necessita de apoio, mesmo (e principalmente) naquele momento em que a maternidade se resume ao binômio mãe-bebê. Buscar ajuda, ou acompanhamento psicoterapêutico, nesse momento pode fazer uma grande diferença e auxiliar a mulher a viver seus momentos de lutos e ressignificar cada nova etapa de sua vida, como mulher, e como mãe.

(Texto escrito em parceria com o site Daniele Assessoria Gestante)