Esses dias encontrei um texto”Sete frases que destruirão seus filhos“, e achei incrível como na lista das frases (e todas as variações que podem surgir delas) estão em discursos de violência psicológica com crianças, que muitas vezes perduram na vida de quem sofre esse tipo deyelling.jpg.CROP.promo-mediumlarge violência, e, muitas vezes, continuam ouvindo dos companheiros, amigos, etc., sem se dar conta da repetição na qual estão vivendo.

Tudo o que dizemos vai ficar marcado, talvez a criança não lembre exatamente quando ouviu ou o que ouviu exatamente, mas o significado daquilo que foi dito, ficará marcado em suas ações futuras, principalmente se for algo que veio de alguém que ela ama.

Imagina que um pai ou uma mãe diz para o filho que ele não deveria ter nascido, ou que por conta de ele ter riscado a parede, vai deixar de amá-lo. Essa criança que tem os pais como primeiros objetos de amor, aprende que não é digna de amor, porque não merecia ter nascido, porque não foi e não é desejada; e não é digna de amor porque pelo menor erro que cometer, será o suficiente para ser deixada.

Quantos temem ser deixados a todo e a qualquer momento? Quantos não vivem na desconfiança de que serão abandonados a qualquer instante, se fizer algo que o outro desaprove, seja lá o que for esse “algo” o outro vai embora? Quantos não medem os passos, por medo, que aquele que amam deixem de amá-los ? Quantos não aceitam a violência como toque, agressão como relação, porque, por alguma razão, acredita que é isso que merece, e é só isso que pode ter?

Quando se ameaça uma criança de tirar o investimento amoroso por uma questão banal, ela não entende que foi uma brincadeira, e vai acreditar que por alguma razão boba, perderá esse amor, e isso pode levar a construir seu caminho e suas relações no medo, e na insegurança. Sempre achando que a qualquer momento perderá esse amor, sem razão alguma.

Como também ao comparar uma criança ou dizer que ela é o seu comportamento errado, como ela vai conseguir compreender que é capaz de mudar aquilo que não está bom?! Quando nos dizem algo, dizem que somos algo, aquela imagem que o outro tem de nós, acaba sendo a imagem que nos colamos, e acreditamos ser nossa, mesmo que não seja condizente com a realidade. Ao gritar “vai dormir, cacete!” para uma criança pequena, o que você está dizendo para ela? Cacete é ela, e cacete é a palavra que você mais usa quando algo ruim acontece…

Vivemos num mundo onde os afetos positivos foram substituídos por outras coisas, que nem mesmo sei dizer o que é, porque ora são objetos que substituem, ora são posturas violentas, ora o próprio abandono, e a distância. E principalmente a distância, entre os adultos e as crianças, cada vez maior, cria um espaço para que a criança preencha com aquilo que ela escuta e vê, que não é explicado pelo outro, e deixa margem para que ela próprio crie suas teorias sobre si mesma e sobre o mundo.

É muito difícil estar consciente desses dizeres cotidianos, pois se dizemos é porque também ouvimos, e passaram a ser dizeres naturais do dia a dia. Só é possível dar aquilo que tivemos, e muitas vezes é necessário primeiro cuidar de si mesmo, aprender a amar a si mesmo, e assim, ser capaz de dar amor ao outro, principalmente aos filhos. Muitas vezes levamos as crianças para terapia, para cuidar de algo que é nosso. Estar atento que as crianças refletem os pais é perceber que elas também pedem ajuda pelos pais (que nem sempre tem coragem de pedir, ou percebem que precisam) em seus comportamentos de ansiedade, medo, angústia, agressividade, ou adoecimento freqüente. Ouvir os filhos é também ouvir a si mesmo!