Durante o recesso, viajei em família para Recife, fomos apresentar Hugo à família do marido (e me apresentar também). A viagem foi super tranqüila, no avião Hugo não sentiu nada, na hora de decolar e pousar dei de mamar, então não teve choro, nem reclamação. E durante o vôo ele saiu fazendo amizade com todo mundo, distribuindo milhares de sorrisos banguelos. Hugo é o garoto sorriso, e isso me enche de felicidade, por ele estar sempre demonstrando alegria. Antes de viajar compramos algumas papinhas no Empório da Papinha (Fortaleza), e ele adorou, apesar de ter ficado na casa dos parentes, sempre tenho medo de incomodar, e preferi levar.

Os primeiros dias de viagem foram tranqüilos, até ele gripar, e a gengiva inchar ainda mais e apontar serrinhas brancas na parte de cima, tudo bem que ele em nenhum momento foi uma criança irritada, mas fiquei um pouco preocupada quando ele recusou comida, quase toda a viagem… Recusou assim, tinha dias que só queria comer brócolis, outros só abacaxi, um dia ele só quis comer ameixa, e no restante do dia mamava, e muito! Como ele mamava bem, aos poucos fui desencanando, já que o leite materno é alimento completo, acredito também que a gripe não se agravou por isso, e ele ficou 3 dias com nariz escorrendo, e febril à noite, e ainda assim, nada isso afetou seu bom humor!

O que me impressionou foi o ritmo do garoto! Passávamos praticamente o dia fora de casa, e ele curtia numa boa, ou então dormia a maior parte do passeio… Quando fomos conhecer Olinda, fizemos o tour de carro, porque ele dormiu o tempo inteiro, e aí só o marido descia pra tirar fotos. Bom que teremos mais razões para voltar e turistar por lá. Eu fiquei doida pra entrar nas lojas de artesanato de Olinda, e nas Igrejas! Cada uma mais linda que a outra… Em Recife também fiquei apaixonada pelas Igrejas, mas nem entrei nelas. Da próxima vez eu entro.

Eu simplesmente AMEI a cidade, me deu uma tristeza em voltar, mas sempre que isso me ocorre, lembro que Rodrigo sempre me ensina sobre sermos resistentes e lutarmos por Fortaleza… E de alguma maneira, foi isso que essa viagem me ensinou. Voltei, e uma das resoluções de ano novo é a de ser turista em Fortaleza. Preciso trabalhar minhas resistências em relação à cidade e ao medo, e passar a resistir pela cidade, e não à ela.

Me deu uma tristeza imensa ver mangueiras, cajueiros e outras árvores típicas do Nordeste na capital pernambucana, e lembrar que aqui em Fortaleza na menor oportunidade derruba-se TODAS. Em nome do progresso, e dos carros. Ou de um paisagismo urbano seco, importado, que não reflete em nenhum momento o regional. Tiram o caju pra colocar planta sem fruto, que não chama passarinho, muito menos os “soim”… E aqui tem uma coisa engraçada, quando uma fruta madura cai, as pessoas reclamam, do tipo, a vontade de um que se sobrepõe à importância das árvores para o coletivo. Já vi restaurante aqui colocar placa dizendo aos clientes que a lei da natureza é que os frutos caiam de suas árvores, e infelizmente não adiantava reclamar pro restaurante… Daí a gente tira o nível de egoísmo das pessoas. Eu já tive vontade de sair plantando mudas de árvores frutíferas por aí, tipo acerola, siriguela, caju, manga, e acho que seria super legal andar pela rua, e encontrar uma frutinha madura, pra comer ali, na hora…

Outra coisa que eu fiquei pensando, aos domingos o prefeito fecha o centro histórico, e as pessoas vão de bicicleta, e a pé, passear! Tem até feira de artesanato! Achei bárbaro! Só que tem outra coisa aqui que me impressiona bastante, as pessoas vão para o exterior, elogiam as condutas e normas, e quando se tenta aplicar algo que chegue ao mínimo de como é lá fora, todo mundo reclama. Como se fosse uma vantagem/benefício para os poucos (hoje em dia não tão poucos assim) que viajam para o exterior… Também visitamos museus, e me deu uma pontada de inveja pela localização em que eles estavam, que facilitava a chegada.. Talvez, se nosso centro fosse como os de grandes centros urbanos, e se fechassem algumas vias somente para pessoas e bicicletas, fosse mais agradável visitar o museu.

E a cereja do bolo é o fato de se conservar o patrimônio histórico da cidade, ou seja, existem lugares para se visitar, e lá parece que é chic morar em casarão do século passado, vi várias casas desse tipo no bairro nobre da cidade… Também vi um prédio que utiliza o casarão como área de lazer do condomínio, ao invés de derrubarem algo que conta história da cidade, simplesmente incorporaram! Gente, isso é uma lição e tanto.. Aqui, na primeira chance, derrubam. E pior, muitas vezes derrubam na surdina, pra não ter nem tempo de se pensar em tombar. Vi também que muitas dessas casas são utilizadas (com a fachada original) para comércio, e puts!, fica super charmoso.

Acho que Fortaleza ainda tem muito o que aprender sobre preservar, sobre história, sobre progresso. Não precisamos repetir os mesmos erros que os outros para chegar onde eles chegaram.

Vou tentar com toda força seguir essa resolução de ser turista na minha cidade, pode ser que ocupando os espaços, eu sinta que estou fazendo minha parte. Acho que a cidade se modifica a partir da ocupação dos espaços urbanos por pessoas e não por coisas e comércio… Precisamos sair de casa e viver a cidade, precisamos perder o medo de sair a pé, precisamos reinventar novas formas de lazer, transformar velhos espaços em novos, sem mascarar, mas transformar. Digo mascarar, porque, por exemplo, o Passeio Público, no Centro, é super utlizado e ocupado, mas é sujo, fede a xixi na fonte, ninguém sabe o que se faz ou se joga naquela área sem grama! Só existe UM espaço de alimentação na praça, que poderia ser ocupado por mais quiosques, que deveriam se responsabilizar pela limpeza e manutenção da praça! Enfim… só um desabafo de alguém que voltou de viagem de uma cidade quase vizinha, que de tão perto, está tão distante.

(mas eu sei que foram anos de luta, resistência, trabalho para mudar Recife e hoje a cidade ser o que é… precisamos dar corpo, forma, força para essa luta ainda tímida aqui em Fortaleza, vi o que foi feito na ocupação da Praça Portugal, e MORRI DE AMORES. Eu ia lá pra ler à tarde, quando saia da análise, ou na época em que eu fumava, ia até lá fumar um cigarro e ver o trânsito passar, enquanto pensava sobre a velocidade da vida…)