Primeira quarta-feira do ano, e não podia faltar o texto de toda quarta para a parceria com a loja Pequeno Infinito né?! O ano começa e sempre nos prometemos milhares de coisas, que em sua maioria não cumprimos, mas seguimos fazendo… E eu começo o ano, o primeiro texto do blog, perguntando o que poderíamos fazer para sermos melhores e quando seria o melhor momento para começar a mudança? Aguardamos o ano novo, ou a próxima segunda-feira, para iniciar qualquer coisa, mas será que precisamos de um momento ideal, de uma data marcada para começar uma mudança para melhor, e significativa em nossas vidas?

Ter um filho é uma oportunidade ímpar de rever posturas, atitudes, medos, fantasias, de entrar numa viagem sem volta para o autoconhecimento, e mergulhar num mar de incertezas e mil e uma possibilidades, mas nem sempre essa oportunidade é percebida, ou aproveitada. Quando uma criança nasce, nada é certo, nada é programado, iniciamos uma experiência concreta com as impossibilidades da vida, com as imprevisibilidades, com aquilo que não estava no script… Ter filhos é se deparar a todo tempo com o inesperado, e aprender que não existe nada que controle a vida, e aprender que tudo pode mudar a todo tempo… Um bebê nos ensina isso à todo momento, e nem sempre estamos dispostos a enxergar e nos entregar nesse caminho. Lidar com o inesperado nos exige novas posturas, novas atitudes, e um leque de saídas e alternativas criativas para não sofrer com o que não deu certo. e isso exige um punhado de coragem para embarcar no autoconhecimento e encontrar dentro de si ferramentas para lidar com isso. Ter um filho pode ser o início de uma transformação para nos tornamos pessoas melhores, mas muitas vezes estão tão engessados no que achamos que os outros esperam, no que os outros dizem que é o melhor, que esquecemos de ouvir à nós mesmos, aos nossos desejos, e aos nossos medos, mas as crianças estão em constante movimento e transformação, o que um dia é, no outro pode não ser, e o bonito da vida é isso, e estamos sempre em contato com a possibilidade de mudança. Não existe um data chave para iniciar esse processo, basta criar coragem e se jogar. Quando se tem um filho, todo dia é réveillon!

Claro, que o clima de “ano novo, vida nova” nos dá mais ânimo para começar a pensar no que pode ser transformado, e não poderia ser diferente quando se fala no nosso papel de pai e mãe, na nossa maneira de cuidar. E o que está faltando na sua relação com seu filho que é necessário que mude, que é necessário que melhore, que se faz urgente parar para ouvir e pensar a respeito?

Vivemos em um mundo que quanto mais se cala as denúncias da vida, melhor, pois ninguém quer ouvir o que está errado! Isso é feito a todo instante com as crianças, que denunciam os erros, o mal estar, a angústia, as tristezas cotidianas, e as mais pesadas, em seus comportamentos, em suas brincadeiras, nas falas, que insistimos em silenciar. E fazemos isso quando esquecemos as crianças em frente à tv, não permitindo que elas tenham tempo para brincar, criar, e gastar energia; quando damos os tablets, ipads e afins para que elas se calem à mesa ou nas saídas em família, e ficam hipnotizadas pelas luzes e estímulos excessivos e desnecessários; calamos as crianças que denunciam o sistema escolar utilizando o sintoma como desculpa, criando e fortalecendo uma doença para que ninguém precise parar para ouvir e pensar o que se faz necessário mudar. Calamos as crianças que denunciam que existe um mal estar, que existe algo errado, quando insistimos em dizer que as crianças não sabem de nada, que as crianças não entendem nada, quando enchemos as crianças de rótulos que minimizam, e, mais ainda, desvalorizam a percepção da criança pela vida. Quantas vezes por dia ignoramos ou esquecemos nossos filhos? Fazemos “ouvido de mercador” para o que eles dizem? Não estamos presentes nos diálogos, e deixamos que as crianças/adolescentes sintam-se falando com ninguém, e percebem que não são ouvidos? Quantas vezes perguntamos no automático sobre o dia, a escola, os interesses, e quase nunca ouvimos as respostas? Quantas vezes deixamos passar uma descoberta interessante, pois só conseguimos enxergar a bagunça na sala, e ao invés de sentar e descobrir junto, gritamos e podamos as crianças, pois a vida LÁ FORA é estressante demais para perceber as necessidades da vida dentro?

Os filhos todos os dias nos dão uma possibilidade de reinventar o cotidiano, pois todo dia eles aprendem algo novo sobre a vida que muda a percepção e postura em relação ao mundo. Ao invés de podar, criticar, diminuir essa capacidade, será que não seria mais proveitoso para todos aprender com isso? E aproveitar as possibilidades de nos tornamos pessoas melhores? Pais melhores? Pais presentes?

Quando nos permitimos ser presentes, e escutar o que as crianças tem a dizer, estamos abrindo um novo caminho, uma relação pautada na segurança e no apoio, que é imprescindível para o desenvolvimento saudável. Às vezes, nos prendemos no “eu fui educado assim, e não morri”, pois é, não morremos, mas, sendo bem honesto, será que não poderia ter sido melhor? Questionar nossa infância é questionar nossos pais, mas questionar nossos pais não significa que não os amemos, ou que estamos desrespeitando de alguma forma, significa que nos tornamos adultos, e que precisamos encontrar na nossa relação com nossos filhos, a nossa própria maneira de sermos pais.

Um feliz ano novo à todos! E que seja possível repensar e recriar formas de viver e se relacionar, para termos crianças mais saudáveis, segurar, criativas, e um mundo permeado de afeto e de amor! Esse é meu desejo para a vida, para vocês, e para mim!

*Texto escrito para a parceria com a loja Pequeno Infinito (Instagram @amopequenoinfinito)