Quando eu engravidei todo mundo me perguntou sobre o book de gestante, quando eu faria um book de grávida, a pressão de que se eu não tivesse ou fizesse um book desses eu iria me arrepender pelo resto da vida! Eu fui bem relutante, eu tenho vergonha de tirar fotos (confesso que algumas vezes achava essa coisa de foto uma frescura), mas olhar para uma câmera, ou saber que a câmera tá me olhando, sempre me deixou envergonhada, como se eu estivesse sendo observada, sei lá…

Ontem, o Rodrigo por alguns minutos achou que tivesse perdido todas as nossas fotos, todos os registros do Hugo desde o nascimento, e da nossa família tão nova. Na hora, eu estava fazendo uma apresentação, para uma seleção que estou participando, e contive minha emoção, mas quando eu penso na situação, me dá uma angustia tão grande… Não ter nada, nenhum registro fotográfico, a sensação foi de ter perdido um pedaço da memória. Só compreendi a dimensão da importância da fotografia depois que Hugo nasceu, não essa do dia a dia, que se perde, pela velocidade com que podemos atualizar nossos registros de imagem, mas aquela que capta além do que se vê… E ontem, eu percebi, eu senti, o quanto de fato isso é importante, esse registro se faz importante. Se não o fosse, não haveriam as gravuras, pinturas, algo que retratasse a vida, e que fosse guardada como memória para eternidade… E logo eu, que sou casada com historiador, tantas vezes nos permitimos esquecer desse registro de memória, não sei se depois de ontem continuaremos assim, não sei… 

Toda a construção e reconstrução de mim que aconteceu na gestação foi compartilhada com muita gente querida, e se não fossem as pessoas que estavam comigo, me mostrando tanta coisa, e me fazendo enxergar tanta coisa, não teria sido tão intenso. E aí eu só queria fazer as fotos se fosse com a família, com os queridos, com os amigos, então não houve um book gestante. Fiz dois chás de bebê, porque a casa da minha mãe não é grande, e na época, o bar do marido também, e aí não ia ter espaço para juntar a família e os amigos no mesmo lugar, e tirei minhas fotos nesses dois encontros…

Eu só cedi às fotografias por conta do argumento de uma amiga sobre a curiosidade do Hugo quando ele estivesse maior, porque eu não sou muito de guardar fotos, não tenho nenhuma impressa, sempre fui da memória e das lembranças que ficam em mim serem mais importantes, e de que normalmente estou tão envolvida na situação, que raramente faço um click, mas depois que ele nasceu foi que essa história de fotografia ficou forte. São lembranças que por mais que eu saiba que vão ficar vivas em mim, gravadas na memória, eu quero ter, poder guardar um pouco dele bebê pra sempre comigo, pois já já ele deixa de ser meu bebê, ele já me ensina isso todo dia…

Minha primeira experiência com fotografia (tô falando de experiência além das selfies e das câmeras digitais amadoras, não estou falando dessa experiência fotográfica da era digital smartphone, que a velocidade com que se cobre e atualiza os registros e imagens é tão alta, que rapidamente se pe1014053_4626673359693_275018493_nrde e o sentido se desfaz) foi para um ensaio de uma amiga, que ficou muito bom, eu demorei um pouco para aceitar, pela minha vergonha absurda de fotografia. A idéia de que a lente traduz, e denuncia aquilo que não é dito, é uma idéia forte para mim. E o mais engraçado é que esse ensaio é exatamente sobre aquilo que se trata a fotografia, memória, lembranças guardadas.

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O mais legal quando você faz algo sem idealizar e sonhar muito isso é que o resultado quando é bom, surpreende. E foi assim que eu me senti com as minhas fotos!

Quem fez as do meu chá de bebê da família foi meu tio, e não vou mentir, eu fiquei tão feliz, fiquei absurdamente feliz com o resultado delas, que hoje, eu não consigo mais pensar nas coisas sem fotografia. E o Rodrigo, não sei quais os motivos dele, também era um pouco avesso às foteu-chadebabyos, mas acho muito legal que hoje quando eu peço para tirarmos as fotos com Hugo ou para Hugo, ele topa sempre… Antes, rolava uma certa resistência, mas eu não posso reclamar, pois havia em mim também resistência com isso. E foi quando Hugo nasceu que essa necessidade de registrar em fotografia se tornou mais real, e muito mais presente, em mim, e acredito que nele também. Apesar de não haver uma programação de fotografias, mês a mês, ou coisa do tipo, sempre registramos da nossa maneira amadora as conquistas do Hugo, pois entre nós, eu e ele, foto não faz parte do nosso cotidiano. Talvez se isso fizesse parte da nossa vida, como quem respira fotografia, e consegue enxergar o mundo através das lentes de uma maneira mais bonita – porque pelo menos no meu caso, as fotos que eu tiro nunca chegam nem perto das que eu imagino quando penso em tirar…

Bom, sei que um dia uma amiga foi nos visitar, e também fez um registro belíssimo de uma tarde cotidiana da gente. Foi uma visita, que se tornou um evento, e fortaleceu ainda mais minha relação com meus dias com Hugo, em que cada dia pra mim era e continua sendo um evento, já que ele todos os dias me mostra coisas novas, e detalhes lindos. IMG_0318

Eu fiquei encantada, com o registro da minha amiga, Mariana, Mari-Linda. Seu olhar por detrás dessa lente conseguiu captar além daquilo que se via, sempre que vejo essas fotos só consigo enxergar todo o amor e encantamento que foram e continham sendo os meus dias com Hugo, meus dias com Rodrigo.

IMG_0319Além da maternidade, Hugo me proporciona uma série experiências, reflexões, e mudanças que por mais bobas que sejam, tem mudado minha vida e minha percepção de uma forma gritante.

IMG_0328Eu sempre tive uma paixão pela fotografia, mas, para mim, sempre a fotografia que não fosse minha, um registro que não fosse do meu cotidiano ou que não fosse meu, mas o cotidiano dos outros, por quem consegue ver além da cena, a vida.

IMG_0330Eu sempre gostei de ver, observar, mas nunca fui capaz de registrar com uma lente as observações que faço dos detalhes daquilo que vejo, meus registros sempre foram através das palavras, apesar de não ser nem de longe uma gênia literária, é a única maneira que eu consigo.Me ver como resultado das lentes de alguém, e ver nos meus detalhes (detalhes da minha vida, dos meus gestos, nos olhares) aquilo que me encanta na fotografia é uma experiência linda, até mesmo de admiração, e de conseguir enxergar que há sim o belo nos meus dias mais simples.

Um dia desses minha tia me chamou para tirar umas fotos com Hugo, e por coincidência haveria um evento que eu gostaria de ir, para conhecer umas pessoas que só conhecia no mundo virtual facebookeano. E lá tiramos mais algumas fotografias de família, e eu que pensava que era bobpasseiopublico2agem essa coisa de fotografia, me vejo vibrar de felicidade com o resultado das fotografias que meu tio nos presenteou…

Mas vai muito além, muito além do que ter sobre o que falar, muito além do que ter algo para mostrar, muito além de mostrar algo para os outros, ou imprimir e enfeitar paredes, eu reconheci na fotografia da minha família algo que vai além dos registros de memória e lembrança, mas conseguir ter em mãos uma pausa do amor que se movimenta entre nós. Um pedaço. Uma tradução. Um detalhe do olhar, um gesto do que se queria dizer, uma riso preso, uma denúncia. A fotografia nos denuncia. Denuncia todo o sentimento que havia naquele momento, e hoje passeiopublico7eu acredito que não há quem engane às lentes de um fotógrafo…

E desde então, eu quero ter registros assim da nossa vida, desses momentos de plena alegria para que a beleza dos nossos dias seja preservada. Não quero fotografias montadas, nem uma felicidade inventada, mas quero congelar a alegria cotidiana, para um dia poder contar a história da minha vida, da nossa vida, dessa família tão nova que estamos formando, e que esses registros não me deixem mentir, quando a memória falhar.

Esse é um dom que eu queria, o de poder congelar momentos.


E exatamente por toda essa experiência, temos três parceiros no blog de fotografia. Meu tio, Marcos Celedônio, a Dani Lopes e a Germana Ribeiro, quem tiver interesse, na página dos Parceiros tem contato dos três. 🙂