Tantos textos e matérias sobre o esquecimento de crianças no carro, por conta do episodio recente, e eu não consigo ler nenhum. Nenhumzinho. Só de ver o titulo da matéria, artigo, reportagem, meus olhos se enchem de lágrimas, e é inevitável olhar pro Hugo e não sentir um nó na garganta e uma dor no peito. Que eu consiga continuar minha vida no exercício da presença, para que eu não seja tomada por dias mecânicos e automáticos, para que eu não consiga esquecer dele nunca, nem no carro, nem à tv, nem sozinho quando não for por escolha dele ficar só. Que presença seja a palavra, com todos os sentimentos que ela carrega de amor, para o próximo ano e os demais. Presença seja uma palavra de ordem para toda a vida.
Não cabe numa situação dessas julgamento algum, pois a culpa é de todos nós que permitimos uma rotina desumana seja regra, que permitimos sobrecarga de trabalho, que permitimos que o consumo se sobreponha ao essencial, que permitimos que concorrência seja mais importante do que cooperatividade, que permitimos que a vida gire em torno de horários e compromissos, mesmo quando devemos nos desligar deles… E sim, todos nós permitimos, pois somos coniventes, inclusive, somos incentivadores desse ritmo de vida que adoece, e nos distancia, nos faz esquecer da vida.

Vou aqui elaborar o texto de amanhã, pensando sobre isso… Pensando sobre esse peso… Pensando que amanhã é Natal e pedir que o universo seja generoso com essa família, e que o Natal traga sentimentos que confortem, pois não existe palavra que dê conta dessa angústia, que nem é minha, mas sinto só em imaginar.

Raisa Arruda
Psicóloga Clinica/ Assessoria em Psicologia Escolar
CRP 11/07646
(85) 99221192
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