Education
Gosselin Sextuplets: First Day of School

Esses dias participei de uma seleção para psicóloga escolar, e uma das questões de uma pequena prova perguntava como eu percebia a escola frente à tantas mudanças sócio-culturais, eu compreendo que estamos passando por um momento em que se luta por mais qualidade de vida, mais foco na subjetividade, mais respeito pelo ritmo, por uma sociedade inclusiva; e ao mesmo tempo, ainda existe uma parcela da população que crê que a produtividade e o trabalho pelo trabalho é o que deve priorizado na vida. Diante desses dois lados, a escola se encontra dividida. Existem as escolas em que o foco é o conteúdo, e que a criança deve aprender a todo custo, e aquela que não aprende automaticamente é excluída, marginalizada dentro dos grupos escolares, fica de fora das premiações, acaba sendo uma criança que não é olhada pelos educadores (educador é todo aquele que participa da educação, desde o servente ao diretor do colégio), muitas vezes passa batido durante todo seu percurso escolar, isso se não for uma criança que denuncia toda essa violência (sim, a exclusão é uma violência) através do seu comportamento, da sua agressividade, da sua dificuldade de estar na norma escolar (a norma que quer encaixar a todo custo todos dentro do mesmo padrão), e aí essa passa a ser vista, mas não cuidada, passa a ser vista como um problema, porque denuncia, e toda denúncia é um problema, principalmente quando ela denuncia um sistema que já está fadado ao fracasso, e que leva milhares à este mesmo caminho, pois as crianças não aprendem a ouvir a si mesmas, a pensar e questionar por si próprias, acabam fazendo escolhas impostas, achando que a vida é assim mesmo, aprendem a estudar para se livrar, a trabalhar para se livrar, e toda uma vida feita às pressas para se livrar, por não encontrar prazer naquilo que faz. É, é triste, né? Mas todos nós em algum momento da vida passamos por isso, se é que ainda não existem alguns que passam, e se perguntam porque não conseguem ser felizes se estão fazendo tudo aquilo que disseram que deveria ser feito, e esqueceram dos seus sonhos… Peço que parem e pensem um pouco na escola que viveram, sem fantasias, lembrem dos detalhes, da convivência, do sistema, dos “méritos” que só eram possíveis para alguns poucos, e a grande maioria ficava de fora, porque não acompanhava o mesmo ritmo, como se isso fosse culpa da criança/adolescente, e não da metodologia escolar, que não dava conta do diferente, e nem respeitava a singularidade de cada um.  Outra escola é aquela que foca no desenvolvimento dentro do ritmo em que ele caminha, aponta as potencialidades, e transforma as dificuldades, que ensina a criança a lidar com as adversidades de acordo com as ferramentas que ela própria possuí, a outra escola é aquela que acredita no potencial criativo da criança como fonte e motivação para aprendizagem, é aquela que ao invés de tolher a curiosidade, permite que essa curiosidade atravesse o conteúdo, atravesse o lugar da criança e da escola, e permite que ela cultive essa curiosidade para nunca perder a sede de conhecimento. A outra escola ainda é um nicho pequeno, aqui no nosso país, pois ainda estamos nos libertando de uma cultura normativa, e limitadora, de um país que somente há 20 anos engatinha pela democracia, e apenas nos últimos 12 começou a andar nesse conceito, ainda de pernas bambas.

Sim, pensar na escola é pensar em tudo isso, pensar no contexto cultural, pensar nas transformações sociais, pensar nos valores, pensar na exclusão. A educação é dialética. Ela é reflexo da sociedade, e ao mesmo tempo interfere nas transformações, mas ela por si só não e agente transformador da cultura, pois ela é o meio pelo o qual transmitimos a cultura, então, transmitimos aquilo que já existe. O funcionamento escolar segue o mesmo padrão do funcionamento social, só que em uma proporção institucional.

Por quê estou falando tudo isso para falar sobre a escolha da “melhor”escola? Porque escolher uma escolha boa para os filhos é pensar em que tipo de sociedade se deseja, e que tipo de postura esse sujeito terá frente à esta sociedade se quer.

Não existe uma escolha melhor do que outra, existe a escola que está de acordo com as crenças e cultura de cada família, o que se deve ter em vista é o que você espera da escola, e como você quer que seu filho seja visto, tratado, e respeitado. Escolher a escola dos filhos também é relembrar a própria escola, reviver os momentos escolares, e repensar se aquele modelo é o ideal ou não para aquilo que se acredita como modelo social desejado.

Um ponto muito, mas muito, importante mesmo é que as famílias estejam conscientes do seu papel de educador, e qual o papel da escola no contexto familiar. Lembrar que a família é o principal e o primeiro núcleo educador da criança, e quando ela chega na escola já possuí uma carga cultural, já compreende determinados funcionamentos sociais, e que a escola irá reforçar, levantar questões, ou não diante daquilo que a família ensina como certo/errado.

Escolher a escola pensando no ENEM não é um bom e melhor motivo para colocar seu filho nela, por uma razão muito simples, se ele for estimulado a gostar de aprender, de estudar, de ter curiosidade, de buscar ser aquilo que deseja ser, será inevitável a motivação dele de chegar à graduação para realizar esse sonho, e estudar não será um problema, pois sua curiosidade e criatividade serão aliadas nessa busca de construir saber. O foco não é o fim, mas a maneira como se chega lá. Porque passar no ENEM não é o final da vida escolar, ou da vida como um todo, depois da escola vivemos outros momentos, e a escola é um fator na vida importante que contribui para como iremos experienciar a vida depois dela.

  1. Existem alguns pontos, que acredito ser importantes nesse processo de escolha: abertura e acolhimento da família – se a escola permite que a família entre e conheça seus métodos, se tem espaço para acolher e ouvir as questões familiares, se está preocupada com o contexto de vida dos seus alunos, e mais, se convoca os pais para participar ativamente da construção o projeto pedagógico, das mudanças que acontecem na escola. É importante para os filhos que os pais sejam parceiros da escola, pois assim eles percebem que os pais confiam naquele ambiente que estão deixando seus filhos a maior parte do dia, e dessa forma também se sentem seguros. Muitas crianças acreditam que os pais as deixam na escola para “se livrar” deles, porque não gostam da escola, e pensam que aquilo é um castigo por alguma coisa, e que os pais as deixam lá para fazer coisas mais divertidas sem elas.
  2. A metodologia pedagógica – é importante que os pais conheçam, perguntem, leiam sobre as metodologias utilizadas em sala de aula, pois isso dirá muito sobre como seus filhos serão educados, se é uma metodologia que promove desejo pelo saber, ou uma metodologia de exclusão, que a criança precisa aprender aquilo independente de possuir maturidade para compreender e assimilar o conteúdo.
  3. Excesso de estímulos e conteúdos – os pais devem ter em mente que o excesso não leva a construir genialidade de criança nenhuma, só leva à criança ao estresse, o que é extremamente prejudicial para seu desenvolvimento cognitivo e emocional. O estresse infantil pode levar às várias conseqüências, dentre elas a apatia, perda de motivação, agressividade… As crianças, assim como nós adultos, precisam de tempo para descansar, para brincar, e assim, elas conseguem assimilar o que estão aprendendo. Lembre-se que a criança aprende brincando! Através da brincadeira ela joga aquilo que aprendeu no dia a dia dentro da fantasia, e assim constrói sentido, fortalece o sentido, apreende conteúdo.
  4. Permitir que a criança erre e encontre saídas – o erro é PRIMORDIAL para que a criança aprenda, quando ela erra, ela não deve ser rechaçada por isso – TODOS NÓS ERRAMOS. A criança quando erra e é incentivada a buscar a resposta correta, ela constrói novos caminhos, e não perde a confiança e a crença de que é capaz de aprender.
  5. Respeita a singularidade e ritmo de cada um.
  6. Está de acordo com os valores e crenças da família.

A dica que eu dou para observar e conhecer todos os aspectos da escola é que os pais e cuidadores devem frequentar a escola nos horários que as aulas acontecem, para observar o comportamento cotidiano da escola, conhecer a escola quando ela não está funcionando não vai dar nenhuma resposta prática, lembrar sempre que uma coisa é o que se diz, outra coisa é como acontece. Converse com os educadores e corpo técnico da escola, pergunte, converse com outros pais, observe as crianças desses outros pais e tire suas conclusões a partir daquilo que você acredita. Esse processo é muito importante, pois passamos maior parte do nosso tempo de criança dentro da escola, e se esse ambiente não for acolhedor, familiar, respeitador, e etc., como é que as crianças vão enxergar o mundo e a si mesmas?

Espero que as dicas tenham sido válidas!

Alguns textos que contribuem para reflexão:

A escola da melhor escola – http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI1842-15068,00.html

Como escolher a melhor escola para seu filho – http://www.paisefilhos.com.br/do-leitor/como-escolher-a-melhor-escola-pra-seu-filho-

15 criterios para escolher a escola para seu filho –  http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/15-criterios-escolher-escola-seu-filho-507913.shtml

Mapa da mina para mães e pais angustiados – http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/guia_para_pais-mapa.shtml

*texto escrito para parceria junto à loja Pequeno Infinito (IG: @amopequenoinfinito), onde escrevo todas as quartas!