Na relação entre pais e filhos é mais do que natural que os pais tenham o comportamento de proteger as crias de possíveis riscos, certo?! A questão é quando essa proteção toma proporções que apagam a existência da criança, dificultando que ela aprenda sobre si mesma, e desenvolva sua autonomia para conseguir lidar com o mundo fora da família, e com suas próprias questões.

A superproteção está ligada ao medos, inseguranças e ansiedade dos pais, que pode ser de qualquer ordem, mas que são jogadas à criança, ao proteger a criança, os pais protegem a si mesmos.

[…]O problema do superprotetor é que ele acredita que tem o compromisso de evitar qualquer problema para os filhos. E isso é impossível. Nossos filhos vão ter problemas, dificuldades, acidentes que não são de nossa culpa. Mas, fazem parte das coisas da vida. Para os pais saberem se estão dando limite ou superprotegendo basta compreender que quando eles sentem ansiedade, é um sinal de que provavelmente estão superprotegendo. (Luiz Alberto Py)

Se me perguntarem qual a origem desse comportamento dos pais, infelizmente aqui não poderia fazer nenhuma indicação, sabe-se que é reflexo de ansiedade, medo, insegurança ou angústia dos pais, mas, no meu caso, somente em acompanhamento psicoterapeutico, que junto aos pais poderíamos encontrar a semente desse comportamento.

A superproteção é tão grande que os pais acabam transmitindo para os filhos seus medos acumulados. Com isso, a criança fica duplamente assustada”(Maria Irene, 2005)

Agora, o que acontece com a criança super protegida?! Bom, um dos comportamentos infantis mais relacionados à superproteção é a insegurança. Certa vez ouvi uma mãe que buscava apoio psicológico, pois percebia que seu pânico e ansiedade estavam segurando a filha, a ponto da criança ter medo de ir para a escola, de estudar, de brincar, e a mãe sofria muito porque não conseguia deixar a criança ir nos passeios da escola, brincar com os primos na casa dos avós, e controlava inclusive os banhos, com medo de ela cair e se machucar. Estar atento ao nível de ansiedade que toma conta ao ver um filho investir nos passos de autonomia seria um bom começo para repensar a superproteção, claro que essas questões não se resolvem do dia para noite, mas um exercício de autoconhecimento já ajuda a reconhecer esses momentos.
Esse comportamento do pais não deixa de existir porque os filhos crescem, muitas vezes o comportamento fica mais forte com o crescimento dos filhos, talvez por medo desse crescimento, que pode trazer aos pais sentimento de abandono ou de não ter mais um papel forte na vida dos filhos, que também, pode estar ligado ao medo de não ser amado.
A fase adulta é o momento de ruptura com os pais, para que os filhos possam consolidar sua autonomia, e o que se tem percebido é uma dificuldade dos filhos conseguirem adentrar nesta fase, pois não possuem maturidade emocional para lidar com as responsabilidades que a vida adulta impõe.
Uma das características da vida adulta é vencer as tendências infantis, os sentimentos infantis, abrir mão da segurança e do papel que exercia enquanto criança, para se tornar agente da própria vida, e construir sua própria historia. Na nossa sociedade, o primeiro passo para isso é a saída de casa, seja para morar sozinho ou parar compartilhar a vida com outra pessoa, mas o excesso de cuidado e zelo dos pais podem dificultar o desenvolvimento da identidade e autonomia, prejudicando a entrada dos filhos na vida adulta.

O prolongamento dos vínculos infantis em relação aos pais bloqueia os caminhos do indivíduo em direção à vida adulta, impede a autonomia que possibilita o encontro da própria identidade madura e o prazer pelo direito a dar seus “voos” pessoais[…](Bunge et al, 2012)

De acordo com Dolto (1990 apud Bunge et al, 2012) , a ansiedade dos pais provoca um efeito inibidos nos filhos, como o sentimento de culpa, que dificulta os filhos de buscarem autonomia e independência. E esse efeito inibidor já pode ser percebido na infância, quando a criança se recusa a crescer, e permanente num estado infantilizado, por perceber a tristeza dos pais em seu crescimento, e muitas vezes, ter medo de perder o amor dos pais por isso.
Então, fica a reflexão, e caso você, adulto pai ou mãe, perceba que sua dificuldade de lidar com o crescimento do seu filho atrapalha sua relação com ele, e o próprio desenvolvimento da criança, não se acanhe a buscar ajuda psicológica, muitas vezes passamos por perdas durante nossa vida que não lidamos ou resignificamos, e estes sentimentos retornam quando nós tornamos pais, e cada passo que os filhos dão em direção ao mundo, é uma sensação de abandono e perda que fica para os pais.

Espero que tenham gostado, o post demorou, mas saiu! Qualquer coisa, deixa um comentário, deixa dúvidas, sugestões, acrescenta mais informações que não foram contempladas! Ficarei muito feliz em compartilhar esse debate com quem me lê, e adoraria conhecer os meus leitores!

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Bunge et al, O jovem adulto que reside com os pais: um estudo exploratório. f

Claudia Filhos, Autonomia: um superpoder.

Excesso de zelo: superproteção prejudica o desenvolvimento dos filhos. i

Excesso de proteção faz mal ao seu filho. (Não leio a Veja, na verdade, tenho horror a essa revista, mas encontrei essa matéria no Google, e os depoimentos são super interessantes para ilustrar como o excesso de zelo pode ser prejudicial e é uma questão própria dos pais/cuidadores)

Fim de férias traz sintomas de fobia escolar.