[…]todo desenvolvi- mento infantil implica em percorrer uma série de marcos ou pontos funda- mentais que necessariamente vão se sucedendo um ao outro, em uma certa ordem, requerendo por sua vez um certo tempo. Para que cada passo seja dado, é condição necessária que tenha sido efetuado o anterior, ainda que nenhum seja condição suficiente para garantir o que virá em seguida.  (Elsa Coriat)

Segundo Francisco Lembo, pediatra do Hospital Samaritano de São Paulo, o ritmo de desenvolvimento da criança é individual, mas obedece a algumas regras gerais compatíveis com os níveis de maturação e integridade do sistema nervoso central em cada período. Exemplificando de modo prático: a criança sustenta primeiro a cabeça, depois o tronco, em seguida a pelve, as coxas, as pernas e, por último, os pés. Por essa lógica, o ideal é sentar aos seis meses, engatinhar aos nove e andar aos 13.

Não cansamos de ouvir, o tempo inteiro, que toda criança tem seu tempo, e de fato, toda criança tem um tempo para alcançar os marcos de desenvolvimento, e exatamente por isso esses marcos são por períodos, e não por datas fechadas, mas o que acontece com muita freqüência, é que os pais estão cada vez mais ansiosos para que seus filhos alcancem logo os marcos de desenvolvimento, como se isso fosse uma corrida, mas uma corrida para chegar onde? Até onde eu sei a linha de chegada da vida é o final dela, é pra isso que queremos correr?

É muito importante lembrar que a criança vive o presente, e que cada dia é uma novidade para ela, pois ela ainda não tem noção de tempo como nós adultos temos, então, para compreender uma criança, devemos imaginar a vida sem passado ou futuro longos e distantes. Lembre-se que a infância é toda a vida da criança, e que ela ainda está construindo suas memórias.

Ter o conhecimento é sempre valido, saber quais os marcos de cada etapa do desenvolvimento é uma informação a mais, que pode em alguns casos ajudar em alguns diagnósticos precoces, mas se deve ter em mente que cada criança tem um ritmo, e isso significa que nem todo atraso significa uma patologia, o desenvolvimento não segue uma linha reta, a criança segue, pula, volta, de acordo com as suas necessidades, físicas e emocionais. Ela pode pular uma etapa, pode atrasar uma, pode avançar outra. Tudo depende dela, da maneira como ela se relaciona com o mundo e como ela absorve as informações!

É importante que a criança tenha maturidade física, neurológica e emocional para que cada passo seja dado no tempo certo, forçar uma etapa, pode ser bastante prejudicial para o seu desenvolvimento, pois a criança dará os passos à medida em que se sentir segura, e incentivada, mas incentivada de verdade, e não pela vaidade. Lembre-se que as crianças são muito sensíveis, e percebem as nuances dos sentimentos, o que faz com elas tenham muito mais facilidade de perceber a sinceridade nas ações dos outros.

Estímulos demais não significam avanços no desenvolvimento, a criança é estimulada só por estar no mundo, por um passeio, uma caminhada, encontrar outras crianças, só em ver paisagens diferentes. Estímulos exagerados podem ser o oposto do que os pais esperam. Uma criança ler antes da serie de alfabetização não significa que ela vá ser bem sucedido no futuro. Por isso, paciência, para respeitar a singularidade de cada um.

Devemos lembrar também que a criança aprende fazendo, e que o erro é um importante aliado no desenvolvimento da criança, pois ao errar ela vai procurar por novas saídas, novas tentativas, e construir raciocínios para resolver os problemas que chegarem, e isso é muito importante para que ela esteja sempre exercitando a criatividade, que é essencial na vida.
Outra coisa importante a se pensar que normalmente quando algo diz como deve ser, esquece a subjetividade, e a subjetividade não é uma produção massificada e em série. TUDO influencia no desenvolvimento da criança. A família, o ambiente, se as necessidade básicas são satisfeitas, enfim. Tudo. E esse ritmo deve ser respeitado, para que a criança se desenvolva saudavelmente. Sei que muitas vezes a impaciência toma conta, mas a ansiedade dos pais acaba sendo prejudicial para a criança, que ao invés de se sentir estimulada, pode acreditar que não corresponde às expectativas dos pais, e isso pode ser muito doloroso para ela.
De qualquer forma, o melhor manual de uma mãe/pai/cuidador é a PACIÊNCIA, ESCUTA e ATENÇÃO. Assim, vc conhece seu filho, descobre como ele estabeleceu a própria rotina, e pode começar a se organizar, e ensinar a ele como deve ser, sem impor, mas respeitando seu limite de aprendizagem.
Acho que vale a pergunta: que marcas queremos deixar nas crianças? Respeito ao limite, ao outro, afeto, amor, atenção? Ou imposição, falta de dialogo, falta de respeito, impaciência?
Seguem alguns links com a mesma temática e reflexão:
*post escrito pela parceri com a Loja Pequeno Infinito (IG @amopequenoinfinito), que toda quarta cede espaço para publicação no seu perfil.