Ultimamente tenho pensado muito na questão do tempo, e quando deixo de pensar na falta de tempo, e aproveito o tempo como ele está apresentado pra mim, tenho conseguido fazer muito mais. Hoje eu digo que faço muito mais, e eu que na minha cabecinha vivia o mito de que a maternidade te rouba tempo e vida, estou vivendo o oposto, ganhei mais tempo, e muito mais vida, claro que não sozinha, claro que isso só me é possível porque conto com ajuda, apoio e incentivo do Rodrigo, que acredita tanto em mim e nos meus sonhos, que seria impossível desacreditar na minha capacidade. (Também não posso esquecer dos meus pais, que nos dão tanto de apoio que nunca mais eu souber o que é pedir, mas aprendi a agradecer) E mais ainda, por ajudar a transformar minha maternagem, apesar das minhas próprias questões, em algo mais leve… Porque estamos aprendendo a estar presentes, coisas que a vida moderna nos ensina a esquecer, porque estamos aprendendo a lidar com o tempo, que não são os filhos que nos tiram esse tempo, eles nos devolvem, o que nos rouba o tempo é a cabeça voltada pra fora o tempo inteiro, para necessidades que foram criadas pelos outros e empurradas pra gente como se fossem nossas. A necessidade do sucesso profissional e acadêmico, a necessidade do ganhar bem e ganhar mais, de viver bem, sem perceber que a necessidade primordial é a de dentro, é a dos nossos, é o estar junto, é o afeto, e de ter um pouco de fé e esperança na vida. Ou ninguém percebe o quanto de falta ainda existe mesmo quando todos esses protocolos são preenchidos?! E que quando estamos juntos e dividindo alegrias a sensação de plenitude e de felicidade é o que nos sobra, por transbordar – quando estamos presentes de verdade, sem pensamentos distantes, mas presentes. Acho que é necessário que a gente se desprenda do que é de fora, para olhar e cuidar do que é de dentro, e que a vida seja compartilhada, e não apenas vivida em paralelo, que as mãos estejam dadas, para que ninguém fique pra trás ou seja atropelado… Alexandre Supertramp precisou se isolar e se perder, para perceber que a felicidade só é real quando compartilhada, e quantos de nós não nos isolamos e nos perdemos, e continuamos infelizes, estressados, tristes, e mais ainda desamparados?!

Eu tava aqui só pensando, enquanto termino de ajustar o blog, responder e-mails, e Hugo e a Peggy dormem ao meu lado, na rede… Meu Deus, nunca pensei que seria tão grata à vida como sou hoje…