Quem não se depara com situações de extrema solidão no exercício da maternidade e pensa em desistir de tudo? Que não se sente culpada por não dar conta sozinha? Quem não se vê desgostosa da maternidade quando se sente extremamente sozinha e cansada?

A igualdade de gênero será completa quando houver respeito pelas diferenças e escolhas, quando houver complementaridade, compartilhamento, quando a maternidade deixar de ser vista como fraqueza ou fracasso, mas com naturalidade e respeito! Eu lanço a questão, será que nos moldes de relações de trabalho que vivemos hoje, que desrespeitam o fato de uma mulher ser mãe, que para ser reconhecida a mulher precisa abrir mão da maternidade, muitas vezes terceirizando os filhos, para conseguir ser respeitada, é dentro dessa cultura que encontraremos igualdade ou equidade?!

A maternidade deve ser compartilhada e ser complementada pelos demais papéis que a circulam, como a paternidade, papel essencial, mas que fica esquecido, e assim, enfraquece a mulher diante da sua escolha de ser mãe, pois ela se sobrecarrega pelas cobranças, pressões, cansaço, se afundando em culpas que não a pertence! E nesse amontoado de sentimentos que surgem por conta de toda a situação, como fica a criança? A única que chegou sem aviso, e necessita apenas de cuidado e amor até que seja autonoma e independente para seguir seus passos sozinha? É uma bola de neve, um ciclo, que precisamos refletir sobre. 

Por que as mães e os pais não podem trabalhar e estar próximos aos seus filhos? Por que uma carga horária tão desgastante, embrutecedora, alienante, sem que ninguém questione? Só melhoria do salário resolve o tempo que não se tem para a vida? Por que homens e mulheres não podem alternar horários, não podem levar seus filhos para ambiente de trabalho?

Por que a criança atrapalha tanto?! A criança atrapalha porque seu tempo é OUTRO, não é o tempo do trabalho, mas o tempo da vida, da criatividade, do afeto! A criança atrapalha, porque incomoda! E incomoda porque denuncia a verdade sobre a nossa cultura, nosso modo de produção, nossas relações de trabalho. A criança deve ser calada, massacrada nesse sistema educacional que tolhe subjetividades para criar pequenos robôs, e a mãe que vê tudo isso acontecer sofre, sem compreender porquê sofre ao se deparar com cada privação, cada não, e o aumento gradual da distancia com seu filho, que percebe a alegria e o entusiasmo da criança se tornar em tédio, tristeza, melancolia. Calamos as mães, e as crianças. Será que é assim que deve ser?

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Maternar Grupo Terapêutico e de Apoio