A família é o primeiro núcleo socializante da criança. É com a família que a criança aprende os padrões morais e controla seus impulsos para que consiga conviver socialmente.

Essa função familiar foi transferida da família para as escolas e creches, que não dão conta. De acordo com Pierre Bordieu a nossa personalidade é formada a partir da socialização primária – educação familiar, e quando entramos na escola, vivemos a socialização secundária, onde aprendemos a conviver em grupos, com a base do que aprendemos em casa.

Sabemos que a vida nos dias de hoje consome muito tempo, mas os pais devem esclarecer seus papéis, e equilibrar a relação familiar. A grande questão aqui é que os papéis materno e paterno sejam exercidos com intensidade e não de forma mecanizada.

Mesmo que os pais trabalhem o dia inteiro, se tiverem um momento para sentar com o filho, conversar, rever os deveres escolares, esse momento vai dar uma presença que supre todos os outros momentos de ausência. E muitas vezes, enquanto pais, queremos suprir essa ausência com objetos de consumo, mas é muito mais rico para o desenvolvimento da criança e do adolescente que os momentos de presença sejam feitos com qualidade e afeto, do que uma quantidade de momentos vazios.

Quando se terceiriza essa atenção, delegando à escola, fonoaudiólogo, psicólogo, etc., se retira a responsabilidade dos pais sobre o desenvolvimento dos filhos, e o agravante é que essas terceirizações não substituem o investimento afetivo, que é imprescindível no desenvolvimento das crianças e jovens.

Seria interessante haver durante o acompanhamento e a socialização um ritual do processo de autoridade. Estabelecer e cobrar a hora de dormir e acordar, a hora das refeições, do lazer e das atividades escolares, etc. A ordem e rotina dada devem ser mantidos continuamente, para que se estabeleça um hábito e a autoridade dos pais seja reconhecida.

A ideia de limite e autoridade muitas vezes se confunde com a ideia de impor castigos e punições, mas deve ser vista como um processo, um marco no desenvolvimento e formação da criança e do adolescente, que envolve o diálogo, a compreensão, o convívio e o respeito.

Quando as crianças que passam por esse processo chegam à escola, a educação escolar funciona como uma extensão da educação familiar, mas causa estranhamento às crianças que não passaram por esse processo.

A educação familiar favorece o êxito escolar, pois além de fornecer à criança, e ao jovem, subsídios para o convívio, proporciona uma assimilação melhor dos conteúdos, desenvolve a curiosidade cultural e intelectual, o interesse pelas atividades escolares, etc. Quanto maior o investimento afetivo – que envolve o investimento social e cultural – maiores as chances de um alto retorno. 

 

Fontes: 

Programa Café Filosófico, Educação e Limites,  em:

http://www.youtube.com/watch?v=y14V1HeFX9Qhttp://www.youtube.com/watch?v=6R1lBpBL8es;  http://www.youtube.com/watch?v=8_A2lHAk0NUhttp://www.youtube.com/watch?v=FbZFrKb7XcEhttp://www.youtube.com/watch?v=9Vqaw51Tz9Uhttp://www.youtube.com/watch?v=XgHBPFY0sUM

NOGUEIRA, Cláudio, NOGUEIRA, Maria Alice. A sociologia da Educação de Pierre Bordieu: limites e contribuições. Educação & Sociedade, Ano XXIII, nº 78.  Abril, 2002.