Hoje passei o dia pensando que domingo que vem faço aniversário. Todo ano era a mesma coisa, pensava em um monte de coisa que queria ter feito, e que não tinha feito (o que hoje eu compreendo que é óbvio que não dá pra ter-tudo-ao-mesmo-tempo-agora, mas até uns dois anos eu não tinha isso tão claro), traçava minhas metas, alcançava algumas, outras não chegava nem perto (tipo completar seis meses de academia contínuos!)… Poucas vezes eu tinha vontade de comemorar, durante um tempo foi porque coisas ruins aconteciam no meu aniversário (meu cachorro se envenenou duas vezes, e outras coisas péssimas aconteceram pelo período…), depois era um problema de autoestima mesmo, que eu preferia não comemorar do que descobrir que eu não era querida, porque na minha cabeça se as pessoas não fossem é porque elas não gostavam de mim, hoje em dia eu só não tenho mais vontade, tenho uma preguiça danada de pensar sobre, ano passado foi quase desse jeito. Esse ano vai ser tão diferente que eu nem consigo imaginar. Diferente porque agora tenho o Hugo, tenho o Rodrigo, tenho uma família que é minha. Diferente porque tudo o que eu ficava matutando em silêncio, de como eu iria alcançar está caminhando, porque até aqueles sonhos mais antigos estão sendo arriscados. Eu sempre achava que em algum momento da minha vida as coisas iriam acontecer, e sempre acreditei que era necessária energia para isso, e muito, mas muito desejo. A sensação é que os desejos eram fracos, ou a energia, e por isso não tinha tanta força para empreender na busca e na realização de algo até o fim. Em todo caso, também não posso falar como se eu tivesse na meia idade, e agora tivesse encontrado meu caminho, poxa vida, tenho 26 anos, beirando os 27. Eu tenho ainda aí um caminho longo pela frente, mas que sorte a minha que Hugo veio no começo de toda a caminhada, me dando a energia que eu sabia que precisava, a coragem que eu não tinha, e todo um investimento de paixão por tudo aquilo que eu amava. Quando eu de fato iniciei essa caminhada, em julho de 2012, eu sabia das coisas que eu amava, gostava, desejava, mas não sabia como alcança-las e tinha medo, não sei bem porquê, mas rolava sempre aquele receio de que não ia dar certo, e isso me deixava com freio de mão levantado. E além de toda uma vida  que eu estava começando, eu sempre tive um desejo muito forte de aprender alguma coisa diferente, de ter um ateliê de alguma coisa (ser filha de artista dá nisso, você fica frustrada por não ter um dom, ou não saber que tem), sempre achei lindo, e minha maior felicidade antes do Hugo nascer foi ver minha mãe voltar a pintar, porque foi a proximidade com a arte, através dela, que eu realizo e realizei tanta coisa… Bom, tentei costurar, comecei a brincadeira na faculdade, foi massa, mas a preguiça de costurar era maior do que a vontade de aprender, deixei em stand by, me formei, e ano passado resolvi que queria fazer almofadas, conheci uma amiga que é meio como eu, e tem vontade e gosta dessas coisas, começamos, fizemos uma encomenda, e paramos. Minha coluna não deixava eu costurar, aí Hugo nasceu, aí não dava mais tempo, aí ela engravidou… Mas no final das contas, a sensação que eu tenho é que, apesar de termos idealizado, e até iniciado coisas bem fofas (fizemos umas almofadas de bichinhos que foram super elogiadas numa feira de artesanato que apresentamos), não era esse nosso mote, não era isso que de fato queríamos, nem eu, nem ela, bom se for o que ela deseja, (deixo meu recado aqui), espero que ela vá em frente, se quiser usar o nome que inventamos, a marca que criamos, só quero que dê certo. Só que nem por isso a vontade de fazer algo desse tipo, mesmo que por hobby, só pra ir pra essas feiras de artesanato que eu gosto, e sempre quis estar do lado de quem faz, continuou, e eu não achava nada que eu pudesse fazer. Porque olha, cuidar de um bebê 24h não é tarefa fácil, fácil é ter minha rotina de trabalho de 8h diárias, ensinar, educar, ter paciência, alimentar, dar de mamar, dar banho, cuidar, acompanhar, e mais ainda, permitir que ele viva seu momento de desenvolvimento e exploração sem buscar o que é mais fácil pra mim (tipo televisão!) é bem, mas bem, pesado MESMO. É quase um trabalho braçal, mas que exige tudo do seu emocional, cognitivo, e pleno equilíbrio! E aí se você não tem outra coisa pra fazer além disso, você pira, porque chega a um nível de exaustão, que o corpo e a mente não agüentam. Acho que a natureza é muito sábia, e quando isso pode acontecer, tipo depois de 7 meses fazendo a mesma coisa todos os dias, é que seu bebê começa a ter autonomia pra mais coisas, interagir mais e mais, ter curiosidade, e você, se tiver condições no ambiente (por isso estou mudando o quarto), começa a poder ter alguns minutos para fazer outras coisas mais livre, e mais leve. Pelo menos comigo está sendo assim, porque meu filho não gosta de ficar sozinho, e não fica no berço, e muito menos em cercado, gosta de estar com pessoas, no chão, com as cachorras, ouvindo conversas, enfim… E nessa brincadeira de ajeitar o quarto, descobri uma coisa legal pra fazer, fazer caixas com tecido para enfeitar seu quarto, guardar os brinquedos, livros e pra ele brincar. Só que além disso, descobri que dá pra fazer muita coisa legal colando tecido em coisas! E aí fiz um chocalho, uma caixa, estou querendo fazer mais outras coisas, e me diverti, apesar de ser trabalhoso, porque o resultado é lindo! E fiquei muito feliz com essa descoberta, porque até origami eu ja tinha tentado, e no começo foi legal, como exercicio para paciência, mas depois encheu o saco… Aí vou fechar meus 26 com um hobby, com um blog que eu ainda não fechei, com uma sala na clínica, iniciando meu trabalho com mães, meu grupo terapêutico e de apoio (que sonho com isso desde do meu primeiro trabalho com educação, e consequentemente, meu primeiro contato direto com as mães, 2008 como recepcionista de um curso de idiomas…), continuo com meu grupo com crianças aberto, que também é um sonho desde que eu me entendo por gente e deixei de ser criança; e outras possibilidades estão acontecendo por conta desses sonhos que estão deixando de ser um pensamento, saindo do “ah! como eu queria”, e se tornando “eu quero!”… Se a maternidade é um encontro com nossa infância, (e a paternidade também, quando nos deparamos com uma criança isso mexe com nosso narcisismo e nossas memórias infantis, independente de ser mãe, pai, tio, avô, avó, tá bom?), um encontro com nossa essência, com aquilo que esquecemos, que guardamos, que tivemos medo, eu só tenho uma coisa a dizer, eu passei sim pelos momentos dolorosos, pelo temor, pelo desamparo das transformações que minha vida teria e teve, eu chorei, e chorei muito, mas tudo isso era necessário, para que eu pudesse construir em cima disso. A maternidade também é um processo de luto, luto daquilo que eu era, daquilo que eu desejava ser, daquilo que eu achava que hoje eu teria e seria, e abre um espaço para o desconhecido, para o que é totalmente novo e inesperado, e foi nesse momento que eu encontrei o que há de mais produtivo, criativo, pulsante em mim. Tudo aquilo que estava guardado, toda aquela força e energia contidos encontraram neste espaço que se abriu à minha frente ainda vazio, este espaço que é totalmente de construção, pois não há caminho traçado naquilo para aquilo que é inesperado, por aquilo que é novo, e se tornaram impulsos de criação, inspiração, de coragem de ser. Acho que é por isso que tenho atraído tantas coisas boas, porque a coragem de ser, e o fato de poder ser o quem eu sou, com toda minha paixão por tudo o que eu amo, é tão transparente, é tão isso, que não tinha como ser diferente. E se eu achava que algumas escolhas, algumas desistências para ir por outros caminhos, naquele momento pareciam erradas, porque os resultados não eram imediatos, hoje eu só agradeço por ter feito as coisas como eu fiz, no sentido de sentir que aquilo estava errado, pois não me fazia feliz, ou porque não se encaixava de alguma forma comigo, porque não me completava, porque continuar em algo que não completar é cravar o buraco da falta maior dentro da gente, e se distanciar mais ainda da possibilidade do sonho, do desejo. Fazer algo que não alimenta o coração e alma com os resultados daquilo é se matar aos poucos, até ficar inerte aos estímulos do mundo, e às possibilidades que se apresentam… Acredito que quando estamos bem conosco, com nossas escolhas, com nossa vida, ou se pelo menos não nos permitimos morrer dentro de nós mesmos, em algum momento encontramos aquilo que vai catalizar o que há de mais bonito e forte dentro da gente. Espero feliz pela chegada dos 27 anos, pelo início de um novo ciclo, pelo início de mais um ano pessoal. Espero feliz, e espero que o dia 23 seja um dia feliz, de coração, espero. Mesmo que não comemore, mas que eu chegue la com a mesma alegria que estou terminando esse texto, e que eu acorde em paz, com serenidade, e tranqüilidade, de saber que eu fiz minhas escolhas, e que eu fiz o que eu podia ter feito.