Muito cansada de todos os textos, todas as informações a respeito da maternidade. Quando eu engravidei, sai de todos os grupos, deixei de seguir vários perfis… Depois que Hugo nasceu, eu encontrei alguns mais próximos do que eu gostaria de ler.
Então, não existe regra, não existem X erros que mães e pais cometem, não existem X formas de lidar com fases!
Cada bebê é único, a única coisa que os bebês tem em comum é que são frágeis, necessitam de cuidados, atenção, e sua forma de comunicar algo alguém é através do choro, e expressões corporais. O que o choro significa, não me cabe dizer, a mãe é que sabe, e se não sabe busca saber, mas se ela não conseguir se libertar a ponto de saber, outra pessoa vem e diz. Cada mãe vai exercer sua maternidade de acordo com suas próprias questões! O que é certo ou errado é da estrutura de cada família, das crenças de cada família. Existem as recomendações, mas os caminhos a seguir são vários… E as recomendações são gerais. A forma como cada mae vai lidar com as demandas do seu filho, depende da forma como ela se relaciona com o mundo, com a vida, com a angústia.
O que eu posso dizer é que não existe regra, existe uma experiencia de vida que vai te fazer lidar com a situação da maneira como você é capaz. Quando eu falo do choro, e da acolhida, claro que é humanamente impossível dar conta de todo choro na hora que ele acontece, eu não estou dizendo que não se deve deixar o bebê chorar, há uma diferença entre dar ouvidos a esse choro, compreender que existe um apelo, buscar acolher a criança, e simplesmente não deixar a criança chorar. Ate porque é pelo choro que a gente sabe que a criança precisa de algo, se ela não pode chorar, como que ela vai aprender a chamar ou dizer que precisa de algo né?! Então, não existe regra.
A única regra que deveria existir é a consciência da responsabilidade que se tem com a outra vida que ainda não pode escolher por si própria. A única regra que deveria existir é você saber que suas escolhas implicam na vida do outro, que é sua responsabilidade, mas que você toma as escolhas baseadas no que você crê, na forma como você foi educada, na forma como você lida com as coisas.
A única coisa que eu posso dizer é que como mães precisamos nos colocar no lugar de quem sabe, de quem cuida, e não ter medo de errar, pois não existe erro. Quando algo não vai bem, a angustia toma conta, e quando a angústia toma conta, nós buscamos ajuda. A sabedoria materna é isso, emprestar seu saber ao filho, ate que ele possa saber sozinho, emprestar a voz e o sentido. Emprestar! Uma hora ele vai dizer com a própria voz, e construir o próprio sentido.
Então, para lidar com as birras, deixa eu dizer, busque a sua paciência, respire e pense como você acha que deve dizer ao seu filho que aquilo está errado, e diga, quantas vezes for necessário, ate que ele compreenda, com dois anos, a criança ainda esta construindo seus parâmetros de certo e errado, ela não vai entender na primeira vez. E sobre os limites, não existe nenhuma forma mais legitima do que dizer não ao que você acredita ser errado, e permitir o que você acredita ser certo (lembrando que existem regras que regem a convivência social, né?! E são elas que vão incluir ou excluir seu filho quando ele começar as investidas sociais fora da família, então achar bonito seu filho desrespeitar os outros, é estranho dentro do nosso conjunto de regras sociais né?!).
Sabe, a única coisa que dá é tentar ser a mae que queremos ser, e essa mae é difícil de ser, pois demanda paciência, autoconhecimento, e claro, segurança.

Fazia tempo que queria falar sobre isso, e hoje, a Tati, do Manual da Família Moderna, escreveu um post Não existe cólica!
Eu queria falar sobre isso, porque quando eu escrevo algo, eu busco levantar questões, ponderar sobre a maneira moderna de levar a vida, criar nossos filhos, o lugar que damos a infância e à maternidade.
Uma vez me perguntaram se ser psicóloga facilitou a maternagem, e olha, facilitou nada! Porque como toda mãe, eu tenho as recomendações, mas a forma como segui-las é pessoal, subjetiva, e ao mesmo tempo pensada e compartilhada com minha família, pois eu só saberei sobre ela, quando meu filho puder me falar dela. Até agora, a única coisa que eu sei é que eu quero ser a melhor mãe que eu posso ser. E, pra ser sincera, a única coisa que me dá leveza nesse caminho foi ter me autorizado a ser mãe, e fazer valer o meu saber sobre meu filho. E de escolher a minha liberdade para ser a mãe que eu quero ser, seguindo o que eu acredito, de fato. E não me enganar, quando o “certo” não me serve, se me incomoda, não deixar pra lá, ouvir meu incômodo e questionar o porquê.