Antes de ser mãe eu lia muito esses blogs de mães pra ficar por dentro do que as mães estão falando, e como elas tem milhares de seguidoras, e acabam se tornando formadoras de opinião, acabava sendo fonte de estudo, já que eu trabalhava em escola, e trabalho com crianças. Ao estudar a infância é impossível dissociar da maternidade.

Então, o que tenho visto por aqui, e por outros meios do mundo virtual, é um apelo à uma cultura do desamparo, disfarçada de cultura pela independência. O bebê é dependente, sim. E vai ser ate que ele esteja preparado para se tornar independente, e não é deixando o bebê sozinho e chorando nos três primeiros meses que ele vai se tornar independente, ele simplesmente vai aprender que chorar quando se sentir desamparado ou angustiado não funciona. Mas se o choro é um apelo, um pedido de ajuda, um pedido de socorro, e ele não funciona, como a criança vai fazer para se comunicar com seus cuidadores? O choro do bebê não deve ser ignorado, ao contrario, deve ser ouvido, e compreendido. Nessa busca pela independência precoce, ao invés de indivíduos autônomos, seguros e maduros, nos deparamos com pessoas, desde infância, inseguras, desconfiadas, e desamparadas. O bebê vai caminhar para independência, este é o percurso normal da vida, não adianta apressar, e muito menos retardar. Uma hora a criança larga a chupeta, o peito, o colo, vai querer desbravar o mundo.

Os bebês que choram, vomitam, ou tem cólica, estão sentindo angústia (Françoise Dolto)

Dar colo, cantar, dançar, para acalmar o bebê são ótimos remédios! Se você não se sente bem que largar seu bebê chorando é porque tem algo errado nessa dica, não acha? Uma vez me disseram que eles se acostumam, vão sofrer, mas acostumam… E eu pergunto, é isso que queremos para nossas crianças, que elas se acostumem com o sofrimento?