Quando o bebê nasce é acometido por uma angústia, sim, pois vem para um mundo no qual todas as sensações são diferentes, seu corpo passa a ser percebido de outra forma, há espaço e vazios onde anteriormente era preenchido de líquido e calor! Por isso o aleitamento materno é importante, pois o bebê encontra no corpo da mãe a continuidade da sua vida uterina, diminuindo a angústia do nascimento e da separação, e ajuda nesse processo de habituação do bebê com o mundo.

A percepção dessa angústia e da importância da presença e corpo da mãe para o bebê nos seus primeiros momentos (meses) de vida, que inclusive os hospitais demonstram uma maior preocupação com isso, hoje os bebês logo que nascem são postos junto à mãe*, em alguns casos troca-se incubadoras por “cangurus”, tudo para diminuir essa angústia, que traz muito benefícios no desenvolvimento do bebê. Dica: amamente! Quanto mais se dá o peito com prazer, mais leite será produzido e é nesse momento que há o maior investimento de amor e desejo da mãe no seu bebê!

 

* Apesar de ter feito desnecesárea e as primeiras horas do meu filho terem sido traumáticas pra mim, e pra ele, assim que eu subi para o quarto, ele subiu comigo, e eu pedi que minha mãe o colocasse no meu colo e ficamos assim a noite inteira, e a manhã seguinte. Parece drama quando eu falo sobre meu parto, mas não é. Passei toda a gestação sonhando em parir, que isso fosse feito junto, eu e ele! Eu sonhando em vê-lo e amamenta-lo, ele forçando para sair, para vir ao mundo, para iniciar sua vida fora de mim. Ter sido orientada a fazer desnecesárea, com argumentos que hoje eu vejo que não eram o suficiente, e não ter tido coragem de dizer “não” àquilo, pois tive medo que acontecesse alguma coisa com Hugo, me deixa muito triste. Quando eu penso no meu parto, sempre me vem uma tristeza. Eu me senti culpada durante os primeiros momentos do meu filho, e a culpa junto com uma recuperação péssima, cheia de dores e incômodos, não ajudou muito. Ainda bem que minha vontade de que fosse o mais tranqüilo possível para ele, que Hugo encontrasse aqui em casa um espaço de acolhimento e amor, era maior do que todos os sentimentos e sensações de dor – físicass e emocionais. Vivi minha “lua de leite” como eu sonhava, tive apoio, compreensão, e amor do meu marido, muito mais do que imaginava que teria (e tenho até hoje). Não vou dizer que foram dias completos de harmonia, porque quem é mãe sabe que não é bem assim, você chora, você sente dor, você tem medo, você se desintegra, você esquece quem você é, mas você se torna um corpo que alimenta uma vida, você se perde, por se dar por completo, e isso é engrandecedor. Hoje, aos quatro meses, estou começando a me ter de volta, apesar de estar completamente dada ao meu filhote, à minha cria, mas hoje é diferente. Eu sou dele, sou a mãe dele, sou seu alimento e sua segurança, mas volto a ser minha, aos poucos, aprendendo a me dividir, e a me dar sem me perder.

 

(iniciei o texto para falar de amamentação, e acabei desabafando sobre minha experiência… deixo para próxima um post sobre amamentação)